António José Seguro no Vaticano
António José Seguro no VaticanoMANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Seguro com "enorme expectativa" em ouvir o Papa num tempo em que líderes mundiais esquecem a diplomacia

Presidente da República refere que irá transmitir ao Papa "a amizade dos portugueses" e renovar o convite para uma visita a Portugal em 2027.
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O Presidente da República manifestou esta quarta-feira, 23 de setembro, "enorme expectativa" em conhecer e ouvir o Papa Leão XIV num tempo em que tantos líderes mundiais "parecem ter esquecido a importância da diplomacia e do diálogo".

António José Seguro chegou esta quarta-feira à tarde a Roma, acompanhado pela sua mulher, Margarida Maldonado Freitas, para uma visita oficial ao Vaticano, onde será recebido pelo Papa Leão XIV na quinta-feira de manhã.

Em declarações aos jornalistas, durante uma visita à Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, o chefe de Estado referiu que irá transmitir ao Papa "a amizade dos portugueses" e renovar o convite para uma visita a Portugal em 2027, "o ano em que se assinala os 500 anos da nunciatura" apostólica, a representação diplomática permanente da Santa Sé no país.

"E espero falar, e sobretudo também escutar, porque é importante nós escutarmos a voz do Papa, sobre aquilo que são as preocupações das pessoas: acabar com as guerras, para acabar com o sofrimento das pessoas, quer aqueles que estão diretamente atingidos pelas balas e pelas armas, quer aqueles que sofrem diretamente com o aumento do preço do petróleo e com as consequências que isso tem no aumento do preço da carestia da vida", afirmou.

Na audiência de quinta-feira, o Presidente da República espera também "falar sobre a inteligência artificial, no fundo a razão da primeira encíclica do Papa Leão XIV", e sobre a forma como se pode "construir sociedades mais humanas, num tempo em que é necessário voltar a dar muito espaço à esperança".

"E também da dignidade humana e da necessidade de nós construirmos novas pontes e novos diálogos, numa era de incertezas e onde tantas pessoas parecem ter esquecido a importância da diplomacia e do diálogo. E quando falo de tantas pessoas, falo obviamente dos líderes mundiais", acrescentou António José Seguro.

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Presidente da República pede alinhamento global perante questão climática

O Presidente da República, António José Seguro, lamentou esta quarta-feira que, perante problemas tão graves como os decorrentes das alterações climáticas, “alguns países e líderes políticos” se deixaram absorver por outras urgências, geopolíticas, económicas e sociais.

Numa mensagem enviada ao Prémio Gulbenkian para a Humanidade, este ano atribuído à Alianza Ceibo, uma coligação de povos indígenas da Amazónia, António José Seguro salientou que o tema das alterações climáticas é “uma prioridade” e que a sua urgência exige que se continue a convocar os líderes mundiais para um alinhamento político global, “com responsabilidade e sem hesitações”.

António José Seguro no Vaticano
Alianza Ceibo é a vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade deste ano

Na mensagem, António José Seguro destacou a importância do prémio atribuído esta quarta-feira e considerou depois “paradoxal” que, depois de uma pandemia e perante problemas como os das alterações climáticas alguns líderes se tenham deixado absorver por outas urgências.

“A gravidade e sucessão desses episódios, alguns deles invulgares, retiram atenção a esta problemática e adiam a pressão e o empenhamento que as respostas exigem. E quanto mais adiarmos a prevenção maior será o esforço para remediar os efeitos”, alertou.

As alterações climáticas já não são imprevisíveis, salientou o Presidente, recordando as tempestades ocorridas em Portugal, mas também ondas de calor ou pressão sobre a água, agricultura ou saúde.

“A indiferença de algumas elites e de alguns grupos de interesse perante esta realidade só se deixa inquietar, muitas das vezes, por um grito de cidadania, pelas vozes da ira do cidadão comum, de quem recusa pactuar com um futuro sem futuro”, disse na mensagem, na qual felicitou os vencedores e disse que distingui-los é reconhecer o papel fundamental dos povos indígenas na proteção dos ecossistemas essenciais ao equilíbrio climático global.

“É no território, no gesto concreto de quem cuida de uma floresta, ou de um rio, que se decide o clima do nosso planeta”, enfatizou.

Na cerimónia da entrega do prémio, na Fundação Gulbenkian, o presidente da instituição, António Feijó, também lamentou a ofensiva atual contra qualquer prática ou política ambiental.

António Feijó falou que numa primeira fase da existência do prémio, há seis anos, se valorizava a sustentabilidade, que se passou depois para a fase de que se julgou que a tecnologia resolveria problemas causados por alterações ambientais, e há agora a fase atual, em que soluções eficazes para a mitigação ou moderação das alterações climáticas coexistem com a ofensiva contra o ambiente.

Uma ofensiva contra qualquer prática ou política ambiental, que, disse, “penaliza até qualquer discurso, investigação ou apologia pública que dessa política se faça”.

“O Prémio foi atribuído na convicção de que a questão ambiental é, de facto, um risco existencial para a espécie, e de que é pouco avisado, nesta questão, chocar contra o princípio da realidade”, alertou, concluindo depois que “o extrativismo sem freio dos recursos naturais existentes, que muitos defendem, pressupõe a morte da natureza”.

A antiga chanceler alemã Angela Merkel, presidente do júri do prémio, recordou que no ano passado insistiu na proteção do clima face à tensa situação mundial, falou dos fenómenos climáticos extremos deste ano e do excesso de mortes provocado pelo calor extremo, que irá ocorrer no futuro com maior frequência, intensidade e duração.

Motivos, disse, para não se abrandar os esforços em prol da proteção do clima.

Os representantes da Alianza Ceibo disseram que as alterações climáticas são a natureza a lamentar-se, apontaram que a voz das mulheres tem de ser mais ouvida no mundo, e consideraram que há uma tendência de destruição e que o dinheiro torna as pessoas doentes.

Deixaram também um pedido: “Apelamos às grandes empresas e aos governos que deixem de explorar os nossos território e o planeta”.

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