Sendo o título do vosso programa eleitoral Acelerar Portugal, porque é que a Iniciativa Liberal (IL) ainda não conseguiu acelerar tanto quanto desejava nas intenções de voto dos portugueses? A IL tem tido uma presença com impacto na vida política portuguesa. Não é por acaso que hoje se fala muito mais da descida de impostos e do crescimento económico. Menos do que se devia, mas ainda assim fala-se, por iniciativa da IL, da modernização e da racionalização do Estado. Veja-se bem que até o PS já tem medidas de baixa de impostos, e o caminho faz-se caminhando, mas reconheço que este é o momento em que a IL tem a ambição de crescer eleitoralmente e de pedir confiança aos portugueses, com base na ideia de que o país só se reforma, só avança, só acelera com uma IL mais forte. Já vimos que mesmo a AD tem uma enorme dificuldade, quando chega ao poder, em fazer mudanças e reformas, até aquelas com que se compromete, que são sempre menos do que as necessárias. Precisamos mesmo de uma IL forte para puxar o país. Que deixe de ser só influencer e passe a concretizar, portanto. Nenhum partido político pode dizer que existe apenas para discutir ideias. O exercício do poder é, obviamente, um propósito de qualquer partido político e, desse ponto de vista, a IL tem a mesma natureza, mas as ideias, essas sim, são completamente diferentes de todas as que são apresentadas pelos diferentes partidos. Creio que a IL apresenta nestas eleições duas ideias fundamentais: um claro compromisso com a governabilidade do país, que infelizmente parece-me distintivo de outras forças políticas, e uma capacidade de trazer ideias diferentes e necessárias, ideias que só a IL apresenta e tem a convicção de que devem ser executadas.. Há sondagens que apontam para o risco das vossas expectativas de terem mais votos e mais deputados não se concretizarem. Uma repetição da estagnação eleitoral de 2024, quando elegeram os mesmos oito deputados que em 2022, teria consequências graves para a sua liderança e mesmo para o partido? É um cenário que não coloco. Todas as informações que temos apontam no sentido do crescimento da IL, e é uma questão de necessidade e de urgência de tomarmos o caminho do crescimento económico e das reformas. Em todo caso, não estou obviamente agarrado ao lugar para lá daquilo que possa ser útil ao país e à IL, e é com enorme tranquilidade que olho para as próximas eleições, convicto de que mereceremos o reforço da confiança dos portugueses.Admite que persiste em muitos eleitores a noção de que as vossas propostas, caso fossem aplicadas, poriam em risco o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a Segurança Social, ao mesmo tempo que os cortes de impostos aumentariam as desigualdades? Isso são leituras fundamentalmente erradas sobre as nossas propostas. Agora, sim, temos um SNS em risco; agora, sim, temos uma Segurança Social em risco. Dizer a quem tem 30 ou 40 anos, e está no mercado de trabalho, que a sua primeira pensão vai ser correspondente a 40% do último salário, isso sim é um risco inaceitável. A situação que temos agora é verdadeiramente insustentável para os jovens portugueses, para a classe média, para as gerações a que tenho chamado dos entalados, que têm suportado o país às costas, com a carga fiscal e as crises que têm suportado, e às quais o país não tem reconhecido nada, nem tem dado nenhuma opção e nenhum horizonte de esperança. Isso, sim, são situações inaceitáveis. A IL propõe medidas testadas, que trouxeram prosperidade a vários países europeus, e o que me parece que neste momento absolutamente inaceitável é pensar que tudo pode continuar igual, porque isso incluiria um juízo sobre Portugal, e esse juízo seria que nós temos de ser conformados com uma ideia de estagnação permanente do país. Não me conformo com essa visão, e acredito profundamente que Portugal pode ser muito mais, que podemos ter muito mais prosperidade, muito mais saúde e acesso à saúde para os portugueses, muito mais proteção na velhice e nos momentos difíceis, muito mais capacidade de trazer qualidade de vida aos portugueses. Pessoalmente não me conformo, e a IL muito menos. Convencer os portugueses de que a política fiscal defendida pela IL beneficia as famílias e empresas, sem deixar de garantir financiamento para as funções essenciais do Estado, por via do crescimento económico, implica ou não pedir aos eleitores um salto de fé? Não, não implica. E não é apenas uma questão da aceleração económica que as medidas trarão, mas também de racionalização do Estado. Há uma parte da recuperação da receita que propomos aos portugueses que passa claramente por o Estado se focar em funções essenciais e não desperdiçar recursos. Creio que essa é a experiência que todos nós, como cidadãos, temos com o Estado português. Na sua relação com os cidadãos é abusivo. Em dois sentidos: na medida em que os serviços são maus, e em que interagir com o Estado pode ser um calvário, algo muito difícil e esgotante. Nada é aquilo que é prometido, o serviço é mau e aquilo que se cobra é também exagerado. Temos que tornar saudável a relação do Estado com os cidadãos, em que o Estado está focado no seu papel essencial, faz bem esse papel, presta bons serviços aos cidadãos, se torna moderno, digital, que não tem duplicações e burocracia. Depois dessa simplicidade e dessa reforma profunda que o Estado deve ter virá a capacidade de não desbaratar recursos essenciais a trazer essa qualidade de vida que propomos e o crescimento económico por via da competitividade das empresas. Para a IL, parte do povo português tem uma relação de Síndrome de Estocolmo com o Estado? Tenho profundo respeito pelos portugueses e creio que são um povo exigente, que consegue ver um futuro melhor, que tem a noção que a vida em Portugal não pode ser só isto. Mas é verdade que há uma questão cultural, influenciada por diferentes partidos políticos, que querem convencer os portugueses de que isto é mais ou menos o máximo que podemos ter. Que esta falta de qualidade dos serviços do Estado, estas listas de espera intermináveis, estes meses para obter uma certidão, estes anos para obter um licenciamento, que isto é normal e aceitável. E não é. Da mesma maneira que não é aceitável a estagnação económica que temos atravessado o século XXI. Nada disto é uma condenação à qual não possamos fugir acelerando Portugal. Creio que é mais uma questão de um discurso político conformista na sua essência, mas creio que os portugueses estão muito disponíveis para discursos políticos que lhes tragam essa ambição e coragem de olhar para o futuro e dizer que vamos conseguir criar a nossa própria oportunidade para sermos um país bem diferente.Num dos debates que já realizou, ouviu Pedro Nuno Santos dizer-lhe que, para a IL, o corte de impostos resolve tudo e até cura a calvície. Este tipo de afirmação pode ganhar verosimilhança junto de alguns eleitores quando, olhando para o problema da Habitação, o partido diz que se resolve com a baixa da taxa do IVA na construção e da tributação nas rendas? Essa acusação é errada na sua substância. Ou seja, com melhores salários e menos impostos as pessoas são livres de fazer opções em que querem determinar o uso do dinheiro que lhes ficará a mais no bolso. Podem poupar, podem investir, podem consumir.Podem comprar melhores champôs.Podem mesmo comprar implantes capilares. Aquilo que não é possível com as despesas básicas a cobrirem praticamente a totalidade do salário. Esse resultado de haver enorme dificuldade para pagar a casa, para ir ao supermercado, para fazer coisas que têm a ver com a educação dos filhos, ou a saúde da família, é onde nos trouxe a visão socialista. Essa afirmação é profundamente errada e reverte-se contra quem a proferiu, porque esse estado a que chegámos tem o dedo do PS e limita as opções dos cidadãos. A habitação é uma situação profundamente preocupante, que tem também a responsabilidade direta do PS e de Pedro Nuno Santos, titular da pasta correspondente durante quatro anos, e que foi agravada pela AD, pois é verdadeiramente escandalosa a situação da habitação nesta altura. E o que é que nós temos? Falando do IVA da construção, temos uma situação em que todos dizem que a habitação é um bem essencial, creio que ninguém o nega, mas ninguém me consegue explicar porque é que a habitação deve ser tributada como é tributado um iate. Sobre a habitação virada para a classe média, é mesmo nesse tipo de habitação que os planos de negócio de construção podem fazer sentido, ou deixar de o fazer, do ponto de vista da rentabilidade, por causa do IVA. Há muitos projetos que podem ficar na gaveta porque o custo de construir é elevado, face à rentabilidade esperada, precisamente pelo peso dos impostos, nomeadamente pelo IVA da construção. Ao contrário da AD, que tomou um conjunto de medidas que trouxeram ainda mais procura de casa para o mercado, com o crescimento do preço da habitação a dois dígitos já no final do último trimestre do ano passado, aquilo que se tem de fazer é compensar medidas tomadas do ponto de vista de estimular a procura com medidas do lado da oferta. E há duas que são óbvias: o IVA da construção e a simplificação dos processos. Não podemos condenar os portugueses que querem construir a sua própria habitação, ou quem quer investir em habitação, a um calvário que pode levar a meses, meses e meses, a dezenas ou centenas de interações com o Estado, para obter um licenciamento. Isso não é aceitável.Uma das ameaças que a IL enfrenta a 18 de maio é o apelo ao voto útil. Em seu entender, Luís Montenegro está a chantagear os eleitores ao dizer que não governará se não ficar à frente de Pedro Nuno Santos, pelo que concentrar os votos na AD é a única forma de evitar o regresso dos socialistas ao poder? Bom, é a estratégia política da AD. Não faço comentários sobre ela. Mas não é uma chantagem? É uma estratégia política, da mesma maneira que não é chantagem eu dizer aos portugueses que o único voto que, por um lado, afasta o PS do governo e traz as reformas e a mudança necessária ao país, é o voto na IL porque a AD esteve um ano no Governo, e não trouxe esse espírito reformista, apesar das promessas eleitorais. Digo aos portugueses que, se querem compromisso com a estabilidade governativa e uma solução governativa para Portugal, com mudança, com reformas, com ambição, com capacidade de trazer mais casas que a AD não trouxe para o mercado, com capacidade de baixar os impostos para as empresas e para as pessoas como a AD não fez, com a capacidade de discutir uma reforma do sistema eleitoral como a AD não fez até hoje, com a ideia de que temos que alterar o sistema nacional de saúde para que as pessoas tenham liberdade de escolha, como a AD não fez e nunca fará, se isto não acontecer pelo voto na IL, não vai acontecer. O voto na mudança é aquele que peço, e é o voto na IL, é a minha estratégia política.Mantém como plausível o cenário de entendimento pós-eleitoral com a AD em que entrem membros da IL num Governo de Luís Montenegro? Somos um partido responsável. Portugal não pode continuar a ter legislaturas curtas, porque é preciso mesmo transformar o país, e o nosso compromisso com os portugueses está assumido. Não somos um problema para o país, não fomos durante esta legislatura, estivemos sempre a interpretar os interesses dos portugueses, estivemos sempre à altura das circunstâncias e, no dia 19 de maio, voltaremos a estar. Mas este é o momento de salientar as diferenças e temos que dizer que o país só muda e as reformas são feitas com o reforço da votação na IL. E é isto que temos de dizer aos portugueses, pois se não será mais uma oportunidade perdida. Um entendimento só fará sentido se as bancadas do PSD, do CDS e da IL tiverem maioria absoluta no Parlamento ou bastará que tenham mais deputados do que a soma do PS com o resto da esquerda? Os dois cenários criam condições diferentes, mas creio que a avaliação tem que ser feita em função dos interesses do país. A governabilidade tem de prevalecer e é esse o compromisso da IL. Mas não para tudo continuar na mesma. É preciso dizer aos portugueses que as coisas têm mesmo que mudar e podemos mudá-las. O reforço da votação na IL é aquilo que concilia o interesse da governabilidade e o interesse reformista para o país. Agora, nos dois cenários, vejo como viável que haja uma solução governativa para o país. Mesmo que implique participar num Governo com o primeiro-ministro a quem apontou irresponsabilidade política na gestão do caso Spinumviva e falta de espírito reformista?O espírito reformista resolve-se pela presença reforçada da IL no Parlamento, para puxarmos o país para a dinâmica que até hoje não tivemos e que é absolutamente essencial. A IL entende que o país não pode ser prejudicado pela conduta de Luís Montenegro. São os eleitores portugueses que dirão qual é a composição do Parlamento e nós temos de aceitar isso, com humildade democrática. A partir daí, o nosso compromisso é fazer prevalecer, de acordo com a nossa força eleitoral, o reformismo que é absolutamente urgente para o país. . Ser parceiro de uma força partidária que terá mais deputados implica uma limitação no número de governantes que a IL possa vir a indicar. Perante esta escolha difícil, quais são as pastas em que ministros liberais fariam maior diferença para a transformação do país?A questão não é essa, na visão da IL. É mesmo de insistir na necessidade de termos um país diferente, com uma votação reforçada. Mas também creio que a IL fará muita diferença em pastas ligadas à Modernização do Estado, à Economia, às Infraestruturas e até a áreas de soberania, como pode ser a Administração Interna.Tendo em conta a diferença de ideias e discursos em relação à AD no que toca à centralidade do SNS na saúde pública, o Ministério da Saúde, cuja titular teve um mandato no mínimo conturbado, seria um fruto apetecível? Creio que a IL, no cenário ideal, teria como frutos apetecíveis todos os ministérios. Temos capacidade de transformação de todas as áreas de governação. Mas não faz sentido estarmos aqui num leilão de ministérios e de cargos, porque não é essa a nossa prioridade. A prioridade é que, por exemplo, na saúde, se dê passos claros no sentido de trazer liberdade de escolha aos utentes, que é absolutamente indispensável para que o acesso universal à saúde seja real. E a própria gestão do SNS deve ser melhorada. Creio que para os profissionais de saúde do SNS não há nada mais perturbador do que duas circunstâncias que hoje acontecem e têm de ser alteradas. Uma é não terem uma compensação da produtividade adequada, o que destrói a motivação. A outra é serem liderados muitas vezes por pessoas que não têm as competências certas, mas têm um cartão partidário.A promoção da competência e a eficiência do Estado, que são objetivos da IL, não terão ficado contaminados na opinião pública pelo que está a acontecer nos Estados Unidos?De todo. Isso é um objetivo primordial da IL, desde o seu primeiro programa eleitoral. Depois, creio que todos temos a experiência de olhar para diferentes serviços do Estado e sermos capazes de apontar inúmeras situações em que essa ineficiência é patente. Há uma enorme oportunidade em Portugal para termos um Estado mais eficiente e essa oportunidade está aqui. Não está nos Estados Unidos, nem na Alemanha, nem na Holanda, nem em África. Está em Portugal e temos que aproveitar para tornar melhor a vida dos portugueses. Partindo do princípio de que não ficaria fora de um Governo em que a IL participasse, gostaria de ver os seus antecessores Carlos Guimarães Pinto e João Cotrim de Figueiredo em pastas ministeriais?Seriam dois fantásticos governantes, mas as circunstâncias são diferentes. O João, neste momento, tem a sua missão no Parlamento Europeu. O Carlos, já o disse, seria um perfil extraordinário para uma área de Modernização e Digitalização do Estado.E a possibilidade de influenciar a governação do país valeria o sacrifício de abdicar de algumas promessas mais na linha "motoserra" do presidente argentino Javier Milei, como a privatização da RTP ou da CP? Os programas eleitorais traduzem uma intenção e um compromisso para a situação em que tenhamos a capacidade eleitoral de os executar. Mas é óbvio que, numa situação de negociação, há questões que são negociadas. Dentro do programa de privatizações, tenho de o reconhecer, para nós todas são importantes, todas fazem sentido na perspectiva da evolução do país que desejamos, mas é evidente que a TAP é uma prioridade absoluta. Deve ser realizada, obviamente salvaguardando os interesses do país e procurando fazer a melhor privatização possível. Aliás, estava também prevista no programa da AD. Foi mais um dos casos em que falhou na execução e houve um ziguezague. Estranhamente, parece que as intenções que António Costa tinha assumido sobre a TAP eram até mais determinadas do que aquelas que a AD veio depois a reconhecer, mudando de discurso ao longo do tempo. Como é que se estabelece a fronteira entre o pragmatismo e a cedência de princípios? Por exemplo, a redução do IRS para apenas dois escalões ou a existência de uma contratação por cada duas saídas de funcionários públicos são linhas vermelhas? Não falaria em nenhum caso de linhas vermelhas, porque assim parece que há uma ideia negativa sobre estas matérias. A presença da IL em qualquer tipo de solução, seja hoje, seja daqui por quatro anos, seja quando for, pressuporá sempre uma descida de impostos. Claro que se daqui por quatro anos, pelo caminho que seja feito, isso já não seja determinante, será bom sinal para os portugueses, é sinal que se concretizou, de facto, uma descida muito relevante de impostos. Mas hoje o esforço fiscal tem um enorme impacto na vida dos portugueses, que condiciona também a competitividade das nossas empresas, e tem que ser um fator determinante de qualquer tipo de solução, porque estamos absolutamente convencidos que é determinante para o futuro do país. Aliás, olhando para as propostas do PS em termos fiscais, temos uma divergência de estratégia. O PS foca-se na descida do IVA dos bens alimentares, e não quero ser demasiado crítico - seja bem-vindo o PS, finalmente, à ideia de descida de impostos, mas penso que com uma estratégia errada. A estratégia da IL é focada na descida de impostos nos pontos de criação de riqueza, que são o trabalho e as empresas. E isso é absolutamente determinante para que aquilo que hoje existe para distribuir, que é pouco, que é escasso, possa crescer. O PS foca-se, como sempre, numa distribuição do pouco que existe, e não em fazer crescer aquilo que há para distribuir.Bastante antes da convocação de eleições antecipadas, a IL começou a dedicar-se mais aos temas de segurança, incluindo a defesa de divulgação de dados que permitam apurar o impacto da imigração na criminalidade.Eu não diria imigração. Porque não se circunscreve a isso, não é esse o propósito, e há outros fenómenos de criminalidade que não têm nenhuma ligação com as questões da imigração. Não fazemos essa ligação.Acredita que essas preocupações podem resultar na conquista de votos de eleitores do Chega que estejam desiludidos com André Ventura?Olhando para o Parlamento, de um lado temos o PSD, que demonstrou a extrema facilidade com que se encosta ao PS e a medidas vincadamente da área socialista. Já percebemos que a capacidade reformista do PSD é muito pouca. Mas se olharmos para o lado do Chega percebe-se também que não há nenhum contributo útil para as soluções. É legítimo que as pessoas estejam zangadas, há muitas coisas que correram mal no país, mas o desafio é que tenham também o desejo de capitalizar esse descontentamento em soluções para o país. Em geral, a IL quer conquistar eleitorado onde quer que ele esteja. Eleitorado que se reveja, por um lado, neste inconformismo com a situação do país e, por outro lado, na capacidade reformista de trazer mudança ao país. No que diz respeito a medidas concretas, nenhuma é feita com um objetivo específico de conquistar este ou outro eleitorado. Trata-se de interpretar a realidade, e perceber que, do ponto de vista das políticas contra a criminalidade, é muito importante ter dados. E relembro que a questão da nacionalidade foi proposta pela IL nas estatísticas de criminalidade, quer do ponto de vista dos autores, quer do ponto de vista das vítimas. São dados absolutamente relevantes do ponto de vista da repressão do crime e da proteção das vítimas. Os factos não discriminam e é por isso que temos essa proposta, como outras em matéria de segurança. Pode dizer que a IL não integrará ou viabilizará um governo que dependa do Chega, mesmo que seja só com apoio parlamentar? Essa é a conclusão óbvia, porque há uma distância insuperável entre a IL e o Chega. Do ponto de vista do contributo para o país ter um deputado ou 50 deputados do Chega é absolutamente irrelevante. É a mesma coisa, porque o contributo para o país do Chega é o ruído que provoca. E um deputado ou 50 deputados do Chega provaram fazer o mesmo ruído. Ao contrário, o aumento do número de deputados da IL transforma mesmo o país. E há um conjunto de diferenças insuperáveis, que são filosóficas, programáticas, ideológicas e de programa económico. Já salientei num debate a diferença do programa económico do Chega, com uma enorme irresponsabilidade e totalmente inviável. No futuro André Ventura estaria ao lado de Sócrates em cartazes, os dois como autores de bancarrotas em Portugal, se alguma vez aquele programa fosse aplicado. Depois há uma diferença filosófica profunda. Nós, como partido liberal, defendemos a liberdade individual: as pessoas valem por si, pelas suas características, pelas suas opções, pelas suas decisões. E não por pertencerem a determinado grupo. Ora, isso é a natureza da proposta política do Chega. E estamos no outro lado dessa visão. E depois, ideologicamente, nós defendemos a iniciativa privada e a liberdade individual. E o Chega tem uma visão dirigista, de mais intervenção e mais presença do Estado. Estamos em pólos diametralmente opostos nessa matéria. Admite que essa posição de "nunca é nunca", que é da IL, e também do PSD Luís Montenegro, possa fazer com que a próxima legislatura seja uma repetição desta, em que 138 deputados à direita do PS não garantiram sequer um ano de governação?Podemos dizer que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para que esta legislatura continuasse, mesmo com as críticas que fizemos à gestão do processo da Spinumviva feita por Luís Montenegro. Pusemos nos momentos determinantes os interesses portugueses à frente de qualquer interesse político ou partidário. Sobre o resto terão outros que responder, e nomeadamente o Chega, na medida em que, em momentos determinantes da legislatura, se encostou ao PS, inclusivamente no seu momento final, derrubando uma solução de centro-direita. Neste caso concreto, é o Chega, assim como o PS, que agora, surpreendentemente, pela voz do seu secretário-geral, deixou algumas dúvidas sobre a pertinência e a utilidade futura de uma comissão parlamentar de inquérito, são esses partidos que, com irresponsabilidade - incluindo nas decisões irresponsáveis a própria AD e Luís Montenegro - que terão que responder perante os portugueses pela incapacidade que tiveram de prolongar a legislatura, num momento muito delicado do contexto geoestratégico.Impedir o regresso do PS ao poder é motivo suficiente para fazer uma geringonça à direita caso Pedro Nuno Santos saia vencedor das eleições? Vamos ser claros, Pedro Nuno Santos só voltará ao poder se a AD deixar. Não é a IL que terá qualquer contributo para isso. O país sofreu uma enorme estagnação durante muitos anos, fruto da governação do PS, e não viabilizaremos qualquer Governo do PS. Na solução parlamentar que sair destas eleições, teremos que encontrar esses princípios que permitam dar uma solução governativa ao país. É por isso que é tão importante votar na IL..Chega apresenta "programa pela família" e contra "paraíso de bandidagem".Raimundo não recusa nova geringonça, mas impõe condições. Inês Sousa Real diz ser "difícil" ter acordos com AD