Eleito Presidente da República, António José Seguro terá agora a missão de nomear para a Casa Civil especialistas que o possam ajudar em áreas tão diversas como a Segurança, Justiça, Saúde, Ambiente, Economia, Direito Laboral ou Relações Internacionais, nevrálgicas para o exercício da sua jurisdição. Ao longo do caminho, Seguro contou com apoios importantes do partido como João Soares, Duarte Cordeiro e Francisco Assis, nomes que ajudam a solidificar uma base política ao centro e que o agora Presidente elogiou publicamente. Mas na corrida a Belém, com oito meses de trabalho na candidatura, existiram muitos mais nomes menos mediáticos responsáveis pela definição de estratégia. Miguel Teixeira, importante figura na Concelhia de Lisboa desde 2007, acompanhou-o em cada ação; o três vezes deputado Miguel Laranjeiro, eleito pelo mesmo círculo de Seguro, em Braga, foi assessor de Guterres e avalia a Comunicação; António Galamba, presidente da Concelhia das Caldas da Rainha e com 15 anos de Comissão Política do PS, é outra figura importante das bases do partido.Na Saúde, onde apresentou um programa e sugestões ao Governo e restantes candidatos presidenciais, tem Adalberto Campos Fernandes e Ana Jorge, ex-ministros da tutela, como apoiantes e Álvaro Beleza, diretor do Serviço de Sangue do Hospital de Santa Maria, o principal relator das dificuldades do Serviço Nacional de Saúde e da emergência médica. Na Comissão de Honra entrou o médico Varandas Fernandes, ex-vice-presidente do CDS-PP, também figura influente na pasta e dos poucos que saem da esfera socialista.Apesar de ter sido secretário de Estado nessa mesma área da Saúde com José Sócrates, Óscar Gaspar será uma das principais figuras de aconselhamento na economia. Fora assessor económico de Sócrates de 2005 a 2009 e depois prosseguiu a tarefa ao lado de António José Seguro, sendo um dos braços direitos durante o tempo em que o natural de Penamacor foi secretário-geral do PS..Pontes com o Largo do RatoSe Francisco Assis tem hoje no Secretariado Nacional do PS as Relações Internacionais, Filipe Santos Costa, homem forte para a economia e transição digital de José Luís Carneiro neste mesmo órgão, também esteve ao lado de Seguro, o que ajudou a garantir posições concertadas em certos casos. Jamila Madeira, seis vezes eleita deputada, é, no mesmo sentido, uma ponte entre o secretário-geral do PS e Seguro, mas pelo trabalho desenvolvido na economia, direitos internacionais e turismo. Há pontes, como se vê, entre Belém e o Largo do Rato, apesar de ambos garantirem equidistância. Sem interferências diretas, mas com muitas consonâncias nas políticas.A influência do IPRISe na Saúde, onde foi vocal e a qual defendeu como prioridade do início de mandato, Seguro tem largo aconselhamento, na diplomacia não fica atrás. E nesta área o Instituto Português de Relações Internacionais tem três vultos maiores entre o círculo mais próximo do Presidente eleito. Carlos Gaspar é diretor no IPRI, professor catedrático convidado na Autónoma e figura central, dando sequência à assessoria que já fizera com Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio. Aconselhou na Casa Civil de 1976 a 2006. Tal como Gaspar, que investiga Trump e a realidade norte-americana, também com funções de coordenação está Nuno Severiano Teixeira, com trabalho recente, por exemplo, na questão da Gronelândia, identificando interesses e orientações globais de Trump para o efeito. É professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa, foi vice-reitor da mesma Instituição e preside à direção do Instituto Português de Relações Internacionais, tendo experiência como ministro da Defesa (Sócrates) e Administração Interna (Guterres). As valências na Defesa, mas também na resposta às crises no território, têm feito com que seja um dos inegociáveis nesta caminhada. Sónia Sénica é também investigadora no IPRI, professora auxiliar no departamento de Relações Internacionais da Universidade Autónoma de Lisboa e professora convidada na Universidade Nova de Lisboa, fazendo, até aqui, carreira em política externa e estudo da Federação russa. A compreensão global do fenómeno geopolítico, sabe o DN, foi uma das matérias de maior estudo para Seguro, visivelmente alarmado com a situação internacional, não só pelo período de conflito entre Rússia e Ucrânia, mas também pelo risco de a NATO ser ameaçada e, consequentemente, forçar a acordos europeus na Defesa. A estratégia discursiva de Seguro tem sido comedida neste capítulo, o que não significa que não tenha já apurado muitas das posições que entende vir a defender em termos de soberania. .Justiça, Ambiente e JuventudeNa Justiça, na qual pretende uma desburocratização de procedimentos e a importância de menos megaprocessos e maior proteção às investigações do Ministério Público, Alberto Martins teve papel relevante, enquanto ex-ministro. A intervenção junto do procurador-Geral da República será também uma das prioridades de Seguro nesta área, em Belém.Já Jorge Cristino tem pós-graduação em Direito do Ambiente, após mestrado em Relações Internacionais, e escreveu o livro: “A missão das cidades no combate às alterações climáticas: a governança multinível para o êxito da saúde planetária”. Ajuda Seguro num tema que ganhou redobrada importância depois das depressões climatéricas que assolaram Portugal. Reforçou, por isso, o peso político nos últimos dias.Seguro teve Rita Saias e Renato Daniel como mandatários jovens. A primeira com formação em Ciência Política, mas identificando a maior valência nas políticas públicas para a juventude. Renato Daniel é formado em bioquímica e criou a Associação Portuguesa do Cancro no Cérebro.Com o foco dos últimos dias a concentrar-se na eleição e em inteirar-se das condições de vida dos portugueses afetados pelas depressões Kristin e Leonardo, o novo Presidente da República ainda não comunicou aos visados as suas escolhas para a Casa Civil, segundo apurou o DN..Uma noite tão emotiva como rápida acabou com "20 anos de porrada".Dos pactos de regime à gestão do equilíbrio parlamentar. Seguro entra em Belém já com caderno de encargos .Presidenciais. Seguro quer menos megaprocessos judiciais e vai zelar pelo secretismo das investigações