O Partido Socialista (PS) teve uma dose grande de mudanças nas federações e concelhias socialistas, a maioria das alterações por final de mandato dos antigos presidentes. Na concelhia do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro, deputado e ex-candidato à Câmara Municipal desta cidade, tinha mais um mandato possível, mas afastou-se para dar lugar a Luís Catarino. O plano, como o DN anotou, é preparar as autárquicas de 2029 para uma câmara que o PS não vence desde 1997, última eleição de Fernando Gomes. Depois da terceira derrota eleitoral (2013, 2017, 2025) de Manuel Pizarro e de perder para Pedro Duarte por 2000 votos, está na hora de mudar de “protagonistas.” “Para mim, não faz sentido candidatar-se. Teve, durante estes 20 anos, a oportunidade, foi um trabalhador incansável no objetivo, mas esse ciclo está encerrado. Temos de ir para um novo ciclo com novos protagonistas e novos programas", garante Luís Catarino ao Diário de Notícias. "Procuramos um perfil diferente”, complementou.Dizendo que está “há 24 anos em ações de campanha”, logo desde o tempo em que o PS fez oposição, Catarino vê um “eleitorado diferente, mais qualificado”, com “novas formas de comunicar”. Aponta ainda um certo “desaparecimento dos jovens de 25 de Abril que tinham afinidade com o PS”. Por isso, projeta para os primeiros dois anos deste seu mandato o objetivo de “perceber o que correu mal e reorganizar o partido”, depois das várias eleições decorridas em 2024, 2025 e 2026. Ao mesmo tempo, está convicto de que em 2029 “não há razão para o PS não voltar a ganhar o Porto, uma cidade de trabalho.”Até lá não confirma se Pizarro irá sair da vereação, na oposição, do Porto. Porém, garante, que o PS “vai aprovar o que for bom para a cidade”, mas que “nunca será muleta do PSD”.Depois dos primeiros dois anos de avaliação e reorganização do PS local, Luís Catarino aponta que, “em 2028, é tempo de ter um perfil de candidato”. “Temos de ter”, vinca, descartando, por completo, nova candidatura do ex-ministro da Saúde: “Nos últimos 20 anos tivemos um candidato sistemático. Só não o foi num mandato, porque não quis ser. Se calhar, foi tempo a mais”, riposta Catarino. .E 2029?Quanto à passagem de Jorge Sobrado, independente eleito pela lista do PS, para vereador da Cultura da coligação, agora maioritária, liderada pelo social-democrata Pedro Duarte, diz que “é um problema da lista que foi feita no passado” e, “sem querer falar muito disso”, refere que quem escolheu o elenco foi Manuel Pizarro.Quanto a nomes de possíveis candidatos para 2029, João Torres e Luísa Salgueiro pertencem ao Secretariado Nacional e são hipóteses mencionadas nos círculos socialistas contactados pelo DN. À presidente em Matosinhos há 12 anos, Luís Catarino deixa elogios. “Fez trabalho notável em Matosinhos, tal como na direção da Associação Nacional de Municípios. É um excelente quadro, mas é prematuro definir o perfil do candidato. Mas também não estou preocupado, o PS tem muitos nomes”, afirma. Catarini classificou como “hipótese, mas ainda precoce” uma eventual coligação eleitoral, nomeadamente com o Livre.Catarino reconhece ser “um facto” a desunião anterior no partido, entre estruturas locais e nacionais, mas vinca “a relação atual de grande respeito entre direção, concelhia e federação distrital.” “Essas divergências acabaram no dia em que Pedro Nuno Santos saiu”, realça, aludindo ao facto de Nuno Araújo, líder da distrital, ter sido dos apoiantes mais conhecidos de Pedro Nuno.O engenheiro e empresário deixa elogios ao atual secretário-geral, José Luís Carneiro, a quem já apoiara na primeira candidatura ao cargo, contra Pedro Nuno Santos. “Está a fazer muito bem a oposição, com propostas. E acredito que vai ser primeiro-ministro. Respeita as decisões locais e os militantes do Porto também”, sublinha, considerando que “uma vitória nas legislativas também pode ajudar o PS no Porto” face a uma “dinâmica de vitória que se viu na eleição de Seguro nas presidenciais.”A Carneiro diz também ser “crucial lutar pela regionalização”. Compreendendo que “o PS não pode travar todas as lutas”, pede ao secretário-geral para “esgrimir bem argumentos para um acordo com o PSD”. “Há diferenças brutais no território”, detalha, pedindo o referendo sobre a matéria.Críticas à governação de Pedro DuartePor fim, o também avaliador da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, de 71 anos, garante que o PS não vai “chumbar orçamentos no Porto antes de os ver”, mas deixa críticas à governação de Pedro Duarte. “Estas medidas de gratuitidade dos transportes públicos têm estudos? Os outros municípios têm condições para isso? É presidente da Área Metropolitana do Porto, deveria pensar nisso”, começa por dizer.Luís Catarino Identifica ainda que as freguesias de “Ramalde e Campanhã precisam de mais polícias”, mas afasta a ideia de uma necessidade geral de reforço da segurança na cidade, “desmentida até pelo ministro da Administração Interna.” “Está a governar-se com base em perceções e Pedro Duarte, assim, nem ajuda ao turismo no Porto”, elenca, criticando a ainda deslocação da sala de consumo assistido de droga da Pasteleira para o Aleixo. Disse aprovar a medida de desvio de camiões da VCI, mas recordou que da reunião com Luís Montenegro "não saiu um plano de concreto" para a via..PS. Mudança na concelhia do Porto tem em vista ataque às autárquicas em 2029 .Porto tem aval do Governo para pesados saírem da VCI e quer limitar trânsito no centro.Pedro Duarte apresenta plano de reforço de segurança no Porto no 1.º trimestre do ano.Luís Catarino é candidato único à concelhia do PS no Porto