André Ventura
André VenturaANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA

PS acusa Ventura de “fugir da PJ”, líder do Chega associa socialistas à corrupção

Debate de urgência agendado pelo Chega forçou José Pedro Aguiar-Branco a várias interrupções, quase sempre para moderar excessos de linguagem ou gritarias nas bancadas.
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O líder parlamentar do PS acusou esta quinta-feira, 8 de outubro, o presidente do Chega de “fugir” a depor presencialmente na PJ pelo caso do assalto ao seu gabinete, e André Ventura desabafou que não vale a pena discutir com corruptos.

Este foi um dos momentos mais tensos do debate de urgência agendado pelo Chega sobre o tema da alegada proteção institucional ao ministro Luís Neves pelo PSD, PS e presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

Um debate que forçou José Pedro Aguiar-Branco a várias interrupções, quase sempre para moderar excessos de linguagem ou gritarias nas bancadas. E em que também se assistiu a uma cena insólita: No final do seu discurso de abertura, André Ventura atacou a atuação do presidente da Assembleia da República e pôs mesmo o dedo em riste.

Os ânimos exaltaram-se a seguir, na sequência de um uma intervenção do líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, que criticou o tema proposto pelo Chega para o debate de urgência no Parlamento. Defendeu que o tema do assalto ao gabinete de André Ventura no Parlamento merecia um debate de urgência proposto eventualmente pelo Chega e observou que André Ventura não optou por isso.

Fez então uma série de perguntas ao líder do Chega.

“Por que razão não vai à PJ, olhos nos olhos, dizer como testemunha o que aconteceu no assalto ao seu gabinete e qual a razão para preferir responder por escrito? Por que foge da PJ? Passaram-se mais de dois meses, está calado e nada diz”, completou o presidente do Grupo Parlamentar socialista.

A bancada do Chega reagiu de forma sonora às palavras de Eurico Brilhante Dias. André Ventura começou por contrapor que pediu para ser assistente nesse processo e, depois, virou a página da questão do assalto, procurando, em contrapartida, associar o fenómeno da corrupção ao PS.

“Acho que o senhor deputado Eurico Brilhante Dias se confundiu durante um ou dois minutos. É que nos últimos 50 anos quem tem estado a fugir é o PS. Se alguém tem historial de algemas é o PS. Onde estava Eurico Brilhante Dias quando os polícias encontraram na residência do [ex] primeiro-ministro [António Costa] notas nas garrafas e nos livros?”, questionou, aqui numa alusão ao caso de Vítor Escária, que foi chefe de gabinete do atual presidente do Conselho Europeu.

José Pedro Aguiar-Branco foi obrigado a interromper quando André Ventura, ainda quando se dirigiu à bancada do PS, disse: “Não vale a pena responder a corruptos”. Nesse momento, num ambiente de elevada gritaria no hemiciclo, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, levantou-se do seu lugar, assim como Rodrigo Saraiva da Iniciativa Liberal.

Em termos de substância política, na fase inicial deste debate, o presidente do Chega defendeu a tese sobre a existência de um conluio entre PSD e PS para travar uma comissão parlamentar de inquérito requerida ao abrigo do direito potestativo sobre a atuação do ministro Luís Neves enquanto ex-diretor nacional da PJ. Um conluio ao qual associou também o presidente da Assembleia da República.

“Isto é destruir e destituir de fundamento a regra constitucional e legal das comissões de inquérito potestativas. PS e PSD querem ganhar na secretaria. Não podemos aceitar que se ganhe na secretaria em Portugal. Em Portugal ganha-se nas urnas”, afirmou.

O presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Hugo Soares, pegou precisamente neste ponto sobre quem ganhou nas urnas: “O senhor presidente da Assembleia da República foi escolhido pelos representantes do povo em eleições livres”. Após criticar “o espalhafato” e o “triste espetáculo” público resultante daquele debate, perguntou à bancada do Chega se alguma vez recorreu das decisões de José Pedro Aguiar-Branco.

Tal como Eurico Brilhante Dias, também Hugo Soares se referiu ao caso do assalto ao gabinete do presidente do Chega no Parlamento.

“O truque do combate ao populismo não está em esconder o assalto feito ao gabinete de André Ventura. Sobre esse tema, nunca o Chega trouxe aqui um debate de urgência”. A seguir concluiu:

“Não há nada que motive o debate que hoje o Chega quis fazer, a não ser a sede de protagonismo de André Ventura, a obsessão de olhar para as câmaras e fazer mais um vídeo para o TikTok. Leve lá mais esse TikTok. Enquanto o senhor continua a degradar as instituições, nós continuamos a olhar pela vida dos portugueses”, acrescentou o líder parlamentar social-democrata.

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