Luísa Neto deverá responder nas próximas horas - ainda entre esta segunda-feira, 15 de junho, e o dia de amanhã (16) - se aceita recandidatar-se ao cargo de provedora de Justiça, depois de ter falhado a eleição no Parlamento na passada sexta-feira. Durante o fim de semana, foram várias as figuras do partido que contactaram a jurista procurando convencê-la a manter a disponibilidade para o cargo. Entre elas, naturalmente, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, e o secretário-geral do partido, José Luís Carneiro.Indicada pelo PS com o apoio do PSD, Luísa Neto obteve 131 votos favoráveis, 58 votos em branco e 18 nulos, num total de 207 votantes. Para ser eleita, precisava de alcançar 138 votos a favor, tendo ficado a sete da maioria qualificada necessária. A votação de sexta-feira foi seguida de uma advertência aos cinco deputados socialistas que faltaram. Um dos parlamentares encontrava-se internado; aos restantes, Eurico Brilhante Dias foi claro ao afirmar que a ausência “não pode voltar a acontecer”.O episódio contribuiu para aquilo que uma fonte socialista descreveu como um “dia negro” para o PS. No mesmo dia em que Luísa Neto falhou a eleição para provedora de Justiça, a Assembleia da República aprovou a versão final da proposta do Governo que modifica o mecanismo da perda alargada de bens, permitindo o confisco dos lucros do crime mesmo que o arguido não seja condenado, contando com o voto da direita parlamentar e apesar do voto contra socialista.Esta foi a segunda tentativa do PS para eleger uma personalidade para o cargo de provedor de Justiça. Antes de Luísa Neto, também Tiago Antunes, antigo secretário de Estado em governos liderados por António Costa, falhou a eleição. O jurista obteve 104 votos favoráveis, 86 votos em branco e 36 nulos.Luísa Neto é a atual presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Administração. Jurista e académica, é professora da Faculdade de Direito da Universidade do Porto e tem percurso nas áreas do Direito Constitucional, Direitos Fundamentais e Administração Pública.Noutros dossiês, o PS votará contra tanto a lei laboral como contra a proposta relativa à PSU, caso os diplomas sejam submetidos a votação no Parlamento nos termos em que estão neste momento. “Não há reuniões agendadas com o PSD ou com o primeiro-ministro sobre estas matérias”, diz ao DN fonte oficial do partido. .Luísa Neto falha eleição para o cargo de provedora da Justiça.Ferro Rodrigues: "Esperemos que, em nome da estabilidade, o PS não continue a colaborar para que a aliança PSD-Chega se fortaleça"