O candidato presidencial Jorge Pinto considerou este sábado, 29 de novembro, que “seria mau” o país ter um chefe de Estado do mesmo partido que o do Governo, com o adversário Marques Mendes a garantir que, se for eleito, será “rigorosamente independente”.No debate televisivo transmitido pela RTP, que decorreu num clima sereno e sem interrupções, o candidato apoiado pelo Livre defendeu que o Presidente da República deve ser “um contrapeso democrático” e salientou “o passado – legítimo – de décadas” de Marques Mendes no PSD, partido do qual foi líder.“Os portugueses não devem querer os ovos todos na mesma cesta, pôr os ovos todos no mesmo cesto é um mau serviço ao país”, afirmou.Luís Marques Mendes, apoiado por PSD e CDS-PP, respondeu que, se for eleito nas presidenciais de 18 de janeiro, será “rigorosamente independente” e evocou os exemplos dos seus antecessores em Belém.“Eu serei um Presidente da República igual a Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, todos vieram dos seus partidos e, concorde-se ou discorde-se, todos foram independentes”, disse.O deputado do Livre insistiu no tema, dizendo que nunca houve “uma hegemonia tão grande”, salientando que o PSD lidera o Governo da República, das duas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e as principais câmaras do país.Na resposta, Mendes deu um exemplo concreto que considerou “desmontar completamente” esta teoria: “Há 30 anos, em 1995 e nos anos seguintes, houve um Presidente socialista, Jorge Sampaio, e um primeiro-ministro socialista, António Guterres. Ninguém se queixou e não correu mal, não houve nenhum problema”.O combate à corrupção foi outro dos temas centrais no debate, com Luís Marques Mendes a reiterar que o primeiro Conselho de Estado que convocará será dedicado às reformas no setor da justiça e a acrescentar que chamaria, antes dessa reunião, três entidades a Belém: o presidente do Supremo Tribunal, o diretor da Polícia Judiciária e o Procurador-Geral da República.“Para lhes fazer uma pergunta muito concreta: em matéria de meios o que é que precisam mais? Em matéria de leis, o que é que é preciso?”, afirmou.Jorge Pinto contrapôs que preferia abordar o tema da corrupção do lado da prevenção, sugerindo uma comissão de acompanhamento para fiscalizar grandes projetos.Sobre a principal função que atribuem ao Presidente da República, o candidato apoiado pelo Livre considerou que é ser “a válvula de escape” que protege a democracia, propondo um estudo da “resiliência democrática” das instituições.Já Marques Mendes apontou que o seu grande objetivo será cultivar a ambição no país e “puxar Portugal para cima”, lamentando que existam ainda muitas desigualdades sociais.“Os pensionistas vão ter um aumento de 2,8% em 2026, é bom mas é muito curto”, considerou, mas rejeitando tratar-se de uma crítica ao Governo, que até se propõe ir “para lá da lei” com um suplemento extraordinário se possível.Os candidatos divergiram sobre a possibilidade de poder haver uma revisão constitucional feita apenas à direita – com Mendes convicto de que “não vai acontecer” nada dessa natureza – ou quanto a nomeação do juiz Carlos Alexandre para a comissão contra a fraude no Serviço Nacional de Saúde.Se Jorge Pinto a considerou apenas “uma jogada de marketing do Governo”, Luís Marques Mendes disse ter sido “uma boa decisão”, considerando que este juiz “incute respeito para não dizer medo”.No final, questionados sobre a situação na Venezuela, ambos concordaram que o Presidente deve estar informado sobre a situação e que o Governo deve ter um plano de emergência preparado, com Mendes a aproveitar os últimos minutos do debate para salientar a importância que pretende dar às comunidades portuguesas e alertar para a falta de investimento no ensino do português no estrangeiro..André Ventura e Catarina Martins entre risos e acusações no "debate que não teve nada a ver com presidenciais"