Os candidatos à Presidência da República comentaram esta quarta-feira, 7 de janeiro, a falha do socorro por parte do INEM a um homem de 78 anos, que acabou por morrer no Seixal, após ter aguardado cerca de três horas pela chegada de meios de emergência. Gouveia e Melo aproveitou a situação para criticar as nomeações de “boys” para lugares de competência técnica na administração pública e prometeu exigir responsabilidades e acabar com “desculpas” do poder político perante falhas no Estado.“Um Estado que falha consistentemente é um Estado que deve merecer a atenção do poder político. Não podemos continuamente falhar, falhar, falhar e acharmos que está tudo bem”, reagiu o ex-chefe do Estado-Maior da Armada no final de uma visita ao Porto de Leixões, antes de deixar um conjunto de perguntas sobre apuramento de responsabilidades face a casos graves ocorridos em várias áreas do Estado.“Quem é que são os responsáveis? Porquê é que falhou? Ninguém sabe. Já se sabe a razão de terem falhado os aviões que estavam no chão quando precisámos deles para combater incêndios? Parece-me que nunca há responsáveis para nada”, criticou.Neste contexto, fez uma alusão indireta ao que se está a passar no setor da saúde, falando então numa tática usada para não se assumirem responsabilidades.Gouveia e Melo afirmou então que “o poder político não pode andar a mudar os responsáveis de estruturas sempre que há um problema, como uma forma de se desculpar. Isso não pode acontecer. O Estado tem de mudar muito e a política portuguesa tem que mudar muito”, declarou.O almirante aceitou que algumas nomeações para cargos do Estado têm de possuir uma componente política.“Mas, abaixo dessa componente política, não deve haver administrações políticas, deve haver administrações profissionais”, sustentou. E deixou uma pergunta: “Queremos um Estado profissionalizado, capaz de nos dar respostas, ou queremos um Estado que basicamente serve para albergar um conjunto de clientelas dos partidos políticos?”Antes, ainda durante a visita ao Porto de Leixões, Gouveia e Melo elogiou a desburocratização introduzidas nos portos portugueses nos últimos 20 anos, sobretudo nas cargas e descargas de mercadorias, através da adoção de ‘software’ nacional.Porém, fez a seguir uma advertência: “É preciso não deixar que as estruturas políticas infiltrem lugares de alta competência técnica, totalmente baseadas no conhecimento”.“Não pode vir um ‘boy’ controlar uma coisa que não conhece só porque tem um cartão político. Infelizmente, isso acontece um pouco em toda a administração pública”, acrescentou.Se for eleito Presidente da República, Gouveia e Melo disse que uma das suas causas será a “missão de renovar o Estado, para que tenha um elevado nível de eficiência, com muito menor burocracia”.“O Estado precisa também de pagar melhor para reter talento e para que haja uma economia mais pujante em Portugal”, completou.Marques Mendes promete ajudar qualquer governo na saúdeLuís Marques Mendes prometeu, por sua vez, ajudar este ou outro qualquer governo a “tomar decisões para melhorar” a saúde, e sugeriu que as regras e estímulos das Parcerias Público-Privadas neste setor se possam aplicar aos hospitais públicos.“A primeira coisa que devo dizer é que lamento profundamente o que aconteceu e a morte dessa pessoa. Essa é que é a péssima notícia. Não conheço as circunstâncias do caso, portanto, não posso pronunciar-me”, disse no final de uma visita ao mercado do Livramento, em Setúbal.Sobre a situação da saúde, considerou que “as pessoas têm razão e há que fazer esforços e ajudar a que sejam tomadas as decisões para melhorar as outras”.Questionado se não é já é tarde para o Governo o fazer, respondeu: “Tarde nunca é, mas mais do que diagnósticos é, de facto, preciso ter soluções”, disse, recusando pronunciar-se se o executivo está a desiludir nesta área, afirmando já não ser comentador.“Eu não estou aqui agora para fazer análise ou comentário. Eu estou aqui para ser Presidente da República e ajudar o Governo, este ou qualquer outro, a governar o melhor possível”, disse.O candidato apoiado por PSD e CDS-PP considerou que o Presidente da República pode ajudar o executivo de duas formas, nesta área.“Primeiro garantir a estabilidade. Sem haver estabilidade não há soluções. E depois ser firme a exigir resultados. Acho que esse é o papel do Presidente da República e não aquele papel de criar dificuldades e de criar instabilidade”, afirmou.Mendes disse não temer que os problemas na saúde possam afetar a sua campanha para Belém e reiterou uma proposta concreta na área da saúde, que disse ser a sua maior preocupação, a par da habitação.“Qual é o padrão que eu quero ajudar a impor no domínio da saúde? Que as regras e estímulos que foram aplicadas nas parcerias público-privadas (PPP) possam ser aplicadas nos hospitais públicos”, disse.O candidato esclareceu que não está a defender que existam ou não PPP nos hospitais – uma decisão que caberá ao governo -, mas defendeu que “as regras das PPP na saúde provaram bem, provaram no domínio financeiro, provaram na confiança que os utentes tinham nesses hospitais”“Então porque é que essas regras não devem vir para os hospitais públicos? Provaram nos hospitais públicos com gestão privada, então passemos para os hospitais públicos”, afirmou, prometendo ser ativo na defesa de soluções como esta através da “magistratura de influência” que pode exercer em Belém.Catarina Martins fala em “mais um exemplo” de incompetênciaCatarina Martins considera tratar-se de “mais um exemplo” da incompetência do Governo que “corta primeiro e pensa depois”“O que este governo está a fazer é que corta primeiro e pensa depois. As alterações no INEM são mais um exemplo disso: primeiro corta e depois vê os resultados. Isto não se pode fazer em nenhuma área, mas se há área em que é mesmo criminoso fazê-lo, é na saúde”, afirmou durante uma visita à Boutique da Cultura, em Lisboa.Sem comentar o caso em concreto, Catarina Martins insistiu que o Governo “não tem a mínima estratégia” e considerou também que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, “não tem ajudado”.“Sendo certo que o Presidente não legisla nem governa, não pode deixar um Governo à rédea solta a cortar primeiro e a pensar depois na saúde. Precisa de exigir um plano, precisa de exigir uma proposta, precisa de exigir que a Constituição seja cumprida na garantia de acesso à saúde de toda a população”, justificou. .Atraso no socorro termina em morte no Seixal. "Não havia ambulâncias disponíveis", diz presidente do INEM.Gouveia e Melo elege "lentidão da justiça" e "problemas na segurança interna" entre desafios a vencer