Ex-presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues
Ex-presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro RodriguesGerardo Santos / Global Imagens

Presidenciais: Ferro Rodrigues apoia Seguro e afirma que esquerda e democracia estão sob ameaça

Antigo governante salienta ainda “os perigos” de uma segunda volta das eleições presidenciais sem qualquer candidato da esquerda democrática e com a presença deo presidente do Chega, André Ventura.
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O antigo secretário-geral do PS Ferro Rodrigues declarou esta quinta-feira, 1 de janeiro apoio à candidatura presidencial de António José Seguro, considerando que a esquerda e a democracia estão sob ameaça no atual quadro de “maioria da direita e extrema-direita”.

“Torno público que a 18 de janeiro votarei no candidato apoiado pelo PS, António José Seguro”, escreve o antigo presidente da Assembleia da República (2016/2022) e ministro dos governos de António Guterres (1995/2002) numa mensagem que enviou à agência Lusa.

Na sua mensagem, Ferro Rodrigues defende que a atual composição do parlamento surgido das eleições legislativas de maio passado “resultantes de dissolução presidencial tem demonstrado uma aliança política e cultural entre direita e extrema-direita”.

Em contraponto, assinala que o PS perdeu as duas últimas eleições legislativas “e teve nos últimos três anos três secretários-gerais”: António Costa, Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro.

“O PS está sob ameaça e com ele a esquerda e a democracia. Com a atual maioria da direita e extrema-direita, apesar de muitas vozes dissonantes no PSD e Iniciativa Liberal, os perigos desta maioria conjuntural impor uma revisão constitucional contra os valores e avanços sociais e culturais do 25 de Abril são cada vez maiores”, adverte.

Neste quadro político, segundo o antigo secretário-geral do PS (2002/2004), “um Presidente da República complacente perante estas ameaças contribuiria para o seu agravamento”.

Ferro Rodrigues indica a seguir que, desde 1980, sempre apoiou o candidato oficial do PS. E, a partir de 1986, após aderir ao PS, foi deputado, ministro, secretário-geral e presidente da Assembleia da República.

“Tenho especial responsabilidade em clarificar o sentido do meu voto nas presidenciais, até porque exprimi em devido tempo reservas sobre o processo de escolha e de apoio do PS nestas eleições”, refere.

Apesar dessas reservas que manifestou relativamente ao processo de escolha seguido pelo PS até apoiar António José Seguro, Ferro Rodrigues salienta sobretudo “os perigos” de uma segunda volta das eleições presidenciais sem qualquer candidato da esquerda democrática e com a presença deo presidente do Chega, André Ventura.

“Uma segunda volta com a presença do candidato fascistoide, perito no insulto, na mentira e na calúnia e sem qualquer protagonista que se reclame da esquerda democrática seria nova grande ameaça”, sustenta, acrescentando: “Por tudo isto, torno público que a 18 de janeiro votarei no candidato apoiado pelo PS, António José Seguro”.

Depois de Pedro Nuno Santos, Ferro Rodrigues é o segundo antigo líder socialista a manifestar apoio à candidatura presidencial de António José Seguro.

O atual secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, deu o seu apoio formal à candidatura de Seguro em outubro passado, logo após as eleições autárquicas.

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