Aníbal Cavaco Silva já havia deixado claramente traçado, num artigo publicado no Expresso, o perfil que entende dever presidir ao mais alto cargo da Nação. Fiel ao seu estilo, sempre cuidadoso na gestão do tempo e da forma das suas intervenções públicas, o antigo Presidente da República evita declarações explícitas de apoio. Ainda assim, segundo fonte do Partido Social Democrata, Cavaco Silva não terá dúvidas sobre quem irá apoiar na segunda volta das presidenciais, sendo dado como certo que esse apoio recairá sobre António José Seguro. Cavaco Silva “não terá dúvidas sobre quem irá apoiará. Irá apoiar naturalmente António José Seguro”, soube o DN junto de fonte do PSD. Porém, “senhor como sempre do seu timming”, o anúncio será feito apenas quando o antigo presidente da República “assim o entender”, acrescentou a mesma fonte.No artigo de opinião publicado no Expresso em Setembro de 2025, Cavaco Silva sublinha que a escolha presidencial é “muitíssimo importante para o futuro” do país e alerta para os riscos de uma eventual falta de qualificações específicas para o exercício do cargo, advertindo que tal poderia “lesar” o interesse nacional. Sem mencionar nomes, o ex-Presidente enumera um conjunto exigente de qualidades que considera indispensáveis num chefe de Estado: respeito pelas regras e procedimentos democráticos, conhecimento profundo do funcionamento das instituições, experiência da vida partidária e das tarefas da governação, bem como coragem e persistência. E deixa um aviso claro: “Falar é relativamente fácil, fazer bem é mais difícil.” Embora Cavaco Silva não identifique explicitamente quem fica fora desse perfil, os critérios que estabelece afastam, de forma quase inequívoca, candidaturas como as de André Ventura ou do almirante Gouveia e Melo. Ao recordar os princípios que orientaram a sua própria atuação em Belém — respeito pela Constituição, defesa da estabilidade política, isenção face às forças partidárias, sobriedade e rejeição de intrigas — o antigo Presidente reforça uma visão institucional da função presidencial que dificilmente se compagina com discursos de rutura ou de confrontação permanente. Entre as qualidades apontadas, a experiência de governação surge como um critério central. À data do artigo, esse requisito era preenchido apenas por Luís Marques Mendes, antigo governante nos executivos liderados por Cavaco Silva, e por António José Seguro, que integrou o Governo de António Guterres. O contexto, porém, alterou-se. No cenário de uma segunda volta presidencial, entre António José Seguro e André Ventura, apenas um dos candidatos satisfaz esse critério essencial reiteradamente sublinhado pelo antigo primeiro-ministro e antigo Presidente da República..PSD divide-se no apoio a Seguro e Luís Montenegro terá decisão a tomar.António Lobo Xavier vai apoiar António José Seguro e pondera participar na campanha