PCP vai abster-se na votação da moção de censura apresentada pelo Chega
O PCP vai abster-se na votação da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, adiantou à agência Lusa fonte do grupo parlamentar.
A moção de censura, que é debatida e votada na tarde desta terça-feira, 8 de setembro, no Parlamento, tem chumbo garantido, uma vez que só deverá contar com o voto favorável do proponente.
No fim de semana, durante a Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP considerou existirem várias razões para censurar o Governo, mas recusou alimentar a "agenda demagógica e mentirosa" do Chega.
Paulo Raimundo recusou anunciar o sentido de voto do partido durante o fim de semana, para não condicionar a rentrée do PCP “à agenda de outros”.
No domingo, no comício de encerramento da festa, o secretário-geral criticou a “política de desastre” do Governo, considerando que “merece censura”, mas considerou que também "são censuráveis" aqueles que a apoiam e viabilizam, nomeadamente Chega, PS e IL.
A moção intitula-se "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições" e é a primeira ao XXV Governo Constitucional.
Na apresentação da moção, na quarta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, disse ter "o objetivo claro de censurar o primeiro-ministro e o Governo pela manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna".
Luís Montenegro classificou a moção como "mero jogo político" sem sentido, considerou que o ministro da Administração Interna tem mostrado aptidão para resolver os problemas nos seus setores de responsabilidade, e assegurou estar tranquilo em relação a todos os membros da sua equipa governativa.
Para ser aprovada - o que implicaria a demissão do Governo -, a moção de censura teria de ter o voto favorável de 116 deputados, hipótese já afastada, uma vez que o PS anunciou que vai abster-se.
O Bloco de Esquerda também se irá abster, segundo apurou o DN. E o Livre anunciou já o seu voto contra.

