Parlamento vai ouvir com urgência secretária-geral do SSI sobre ameaças da extrema-direita armada
Foto: Leonardo Negrão

Parlamento vai ouvir com urgência secretária-geral do SSI sobre ameaças da extrema-direita armada

Audição vai decorrer à porta fechada e acontece, segundo deputados de todas bancadas, após serem conhecidas “falhas de segurança gravíssimas” contra o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, entre outras figuras políticas.
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A Comissão de Assuntos Constitucionais aprovou esta quarta-feira, 1 de julho, por unanimidade, um requerimento do Bloco de Esquerda para audição urgente à secretária-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI) sobre ameaças do Movimento Armilar Armado, de extrema-direita.

Esta audição com Patrícia Barão, centrada no funcionamento da Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT), vai decorrer à porta fechada e acontece, segundo deputados de todas bancadas, após serem conhecidas “falhas de segurança gravíssimas” contra o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, entre outras figuras políticas.

Na apresentação do seu requerimento, Fabian Figueiredo referiu que na lista de alvos do grupo de extrema-direita armado estavam deputados, sedes de partidos de esquerda, associações como o SOS Racismo ou a Casa do Brasil.

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“Queremos saber o que vai ser feito para futuro. Não se pode repetir o que aconteceu. Temos de acabar com a cultura de quintal entre as diferentes entidades responsáveis pela segurança”, declarou o deputado do Bloco de Esquerda, depois de ter lembrado que o primeiro-ministro e o seu corpo de segurança desconheciam as ameaças e que se assistiu depois a uma tentativa de desresponsabilização por parte de diferentes entidades na área da segurança.

O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD António Rodrigues subscreveu as declarações do deputado do Bloco de Esquerda, tal como o deputado do CDS João Almeida. Ambos consideraram que Fabian fez uma apresentação “limpa” sobre as razões inerentes ao requerimento que apresentara,

António Rodrigues fez questão de observar que Patrícia Barão não era secretária-geral do SSI quando ocorreu a investigação ao grupo armado de extrema-direita.

“Mas esta questão tem de ser esclarecida, dentro dos limites do segredo de justiça”, frisou.

A deputada socialista Isabel Moreira manifestou-se de acordo com o requerimento do Bloco de Esquerda e referiu que o atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, esteve envolvido na investigação a este grupo de extrema-direita enquanto ex-diretor nacional da PJ

“O ministro tem alertado para a existência de uma extrema-direita armada perigosa cujo objetivo é atentar contra o Estado de Direito democrático”, salientou.

Pelo Chega, o deputado Ricardo Lopes Reis disse concordar com a realização da audição urgente com a secretária-geral do SSI e defendeu que o seu partido “não tem afinidade com nenhum dos extremos”.

A única nota de polémica aconteceu quando o ex-presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, acusou as deputadas socialistas Eva Cruzeiro e Isabel Moreira de terem difundido nas redes sociais um vídeo manipulado. Um vídeo no qual se pretendia mostrar que Rui Rocha tinha ficado surpreendido quando o ministro da Administração Interna afirmou que a extrema-direita representa uma ameaça mais grave à segurança do que a extrema-esquerda.

Eva Cruzeiro, na resposta, rejeitou qualquer atitude de desrespeito por outros deputados e defendeu que o vídeo em causa sobre o ex-presidente da IL era sobretudo satírico.

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