OE2027. Ventura diz que abstenção do PS não surpreende porque está “a governar em conjunto” com o PSD
O líder do Chega disse esta quarta-feira, 30 de setembro, não ter ficado surpreendido com a provável abstenção do PS na votação do Orçamento do Estado para 2027, considerando que os socialistas "estão a governar em conjunto" com o PSD.
"Em relação às declarações que ouvi hoje do doutor José Luís Carneiro, elas não surpreendem, penso que já todos estávamos à espera. Acho que ficou claro e fica evidente que o PSD e o PS estão a governar em conjunto o país, e isso viu-se nomeadamente na descida do IVA dos combustíveis", afirmou André Ventura em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, anunciou esta quarta-feira que vai propor aos órgãos do partido a abstenção na votação do próximo Orçamento do Estado depois das garantias que foram deixadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Optámos pela abstenção, porque o primeiro-ministro deu um sinal muito positivo ao responder a todas as questões que tínhamos colocado, quer em relação à Constituição e os termos em que se referiu ao PS merecem o nosso apreço", disse numa entrevista ao jornal online Eco.
Caso os órgãos do partido aprovem esta abstenção do PS, a viabilização do documento fica assegurada, independentemente dos votos das restantes bancadas.
O presidente do Chega acusou o líder do PS de ter estabelecido que como uma "questão decisiva" e "uma linha vermelha" a descida dos impostos sobre os combustíveis e sobre o cabaz alimentar e agora "diz que vai viabilizar o orçamento do PSD, que não vai ter nem a descida do IVA dos combustíveis, nem a descida do IVA do cabaz alimentar".
"É o contexto que temos e que já o conhecíamos, de uma aliança entre o PS e o PSD, e vemos isso com naturalidade e com normalidade, apesar de alguma estranheza de uma força política anunciar um voto em relação ao orçamento antes de conhecer o próprio orçamento", criticou.
Ventura afirmou também que "o PS quer estar mais próximo do PSD do que os partidos da geringonça estavam do PS".
Nestas declarações à comunicação social, André Ventura voltou a insistir no tema das reparações históricas, adiantou que o Chega vai chamar de urgência ao Parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros para esclarecer se o Governo terá aceitado pagar algum valor às antigas colónias e questionou se o Presidente da República vai tomar “alguma diligência”.
O líder do Chega disse que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, país que nunca foi uma colónia portuguesa, terá falado na existência de “um acordo entre vários países da União Europeia para que se pagassem indemnizações às antigas colónias por causa da escravatura, do colonialismo, etc.”.
“Não haverá mais contacto com o Governo português se o Governo português decidir trair aqueles que combateram, decidir trair as suas Forças Armadas, decidir trair a sua história e pagar indemnizações a outros povos quando não temos dinheiro para a nossa saúde, para a nossa educação, para as nossas infraestruturas, para os nossos transportes, para baixar o IVA dos combustíveis”, disse André Ventura, que falava nos Passos Perdidos enquanto no plenário se debatiam projetos do seu partido, PCP e Livre sobre os antigos combatentes.
Na terça-feira, o Governo português já tinha negado esta informação, indicando que "Portugal não aceitou, não negociou e não assumiu qualquer compromisso relativo ao pagamento de quaisquer reparações ou indemnizações às antigas colónias".
"Não houve qualquer acordo, compromisso ou negociação sobre reparações", acrescenta, referindo que a posição do Governo português sobre este assunto "se mantém inalterada".
Através das redes sociais, o líder parlamentar do PSD também reagiu, acusando o Chega de mentir e voltou a chamar “aldrabão político” a André Ventura.
