OE2027: PS realça que Governo voltará a "incumprir" crescimento económico de 3%
O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, destacou que o Governo da AD vai voltar a "incumprir com o seu programa eleitoral", na medida em que as linhas gerais da proposta do Orçamento de Estado para 2027 apontam para um crescimento económico em torno dos 2%. "Mais uma vez se faz prova de que só um Governo do PS conseguiu fazer crescer a economia portuguesa a 3%", disse, no final da reunião com o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.
Tal como tinha sucedido na primeira reunião de apresentação das linhas gerais do Orçamento do Estado, realizada minutos antes, com o grupo parlamentar do Chega, os socialistas questionaram a sensibilidade do Governo em relação ao preço dos combustíveis e do cabaz alimentar. "Surpreendeu-nos que não apresenta mecanismos de apoio", disse Brilhante Dias, que teve consigo na reunião os deputados socialistas António Mendonça Mendes e Marina Gonçalves.
Revelando que a inflação estimada pelo Governo para 2027 estará em linha com a média deste ano, cifrada entre 3% e 3,4% em termos homólogos, Brilhante Dias confirmou que Miranda Sarmento garantiu a existência de uma dotação orçamental para projetos do PRR que ainda não estajam terminados.
O líder parlamentar do PS repetiu a crítica, proferida pelo seu homólogo do Chega, de que "o Governo, de forma insensível, não estará preparado para ajudar os portugueses", mas foi cáustico com Pedro Pinto quanto à sua referência a uma folga de 100 milhões de euros, supostamente destinada pelo Executivo da AD a "negócios com o PS". Reduziu-a a "uma confusão, habitual no partido em causa".
Quanto à orientação de voto do PS - um dos dois partidos da oposição que têm a capacidade de viabilizar o Orçamento do Estado na generalidade, desde que se abstenham -, Brilhante Dias disse que "esta reunião nem aproximou nem afastou" o seu partido do Governo, garantindo ainda que não foi abordada a Revisão Constitucional. A recusa de uma alteração do texto fundamental que aproveite a maioria de dois terços atualmente existente na Assembleia da República fora avançada pelo secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, como uma condição para a viabilização do terceiro Orçamento do Estado dos executivos de Luís Montenegro.
Joaquim Miranda Sarmento e Carlos Abreu Amorim prosseguem na terça-feira as reuniões com os partidos representados na Assembleia da República. Da parte da manhã haverá uma reunião conjunta com os grupos parlamentares do PSD e do CDS-PP, seguindo-se o Livre, o PCP e os deputados únicos do Bloco de Esquerda, do Juntos pelo Povo e do PAN. Para quarta-feira, por motivos de agenda, ficará a Iniciativa Liberal.

