Que Lula da Silva o Presidente da República António José Seguro e o primeiro-ministro Luís Montenegro vão encontrar esta terça-feira? Por um lado, um chefe de Estado do Brasil confiante e confortável na função que exerce há quatro anos, 12 anos no total da carreira política, mas, por outro, um candidato à reeleição em outubro deste ano frágil e vulnerável. As últimas sondagens mostram-no em empate técnico ou até ligeira desvantagem numérica para o principal concorrente, o senador Flávio Bolsonaro, em cenário de segunda volta.Em entrevista recente ao jornal alemão Der Spiegel, o presidente brasileiro falou até, pela primeira vez durante a pré-campanha, em “aceitar qualquer resultado…”. “Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou de centro, temos que aceitar esse resultado... Eu jamais imaginaria que um metalúrgico, que já foi chefe de um sindicato como eu, seria eleito presidente três vezes, mas aqui estou eu”. “Porém”, sublinhou, “essa ideologia de direita que domina o mundo não tem futuro, em vez de ideias, ela só espalha ódio e mentiras”.De dezembro até abril, Lula perdeu 10 pontos de avanço que tinha sobre Flávio, filho primogénito de Jair Bolsonaro, a cumprir pena por golpe de Estado e inelegível, e, com isso, o favoritismo claro que as sondagens, os observadores e os politólogos lhe concediam. Os motivos não são perfeitamente identificáveis nessas mesmas sondagens, por esses mesmos observadores e por esses mesmos politólogos, o que indicia “um conjunto de fatores”, como resumiu o cientista político Cristiano Noronha.“São problemas simultâneos, como o do Banco Master e o do desfile da escola de samba”, assinalou o académico no programa Mapa de Risco, do site Infomoney. Em causa, o escândalo em torno da falência de um banco que transcende o governo ou o Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula, mas que acaba respingando no presidente, e a homenagem ao político no carnaval carioca com menções religiosas que incomodaram o segmento evangélico.Acresce que os números razoáveis da economia não têm reflexo, pelo menos por enquanto, no bolso da população – “os números macro da economia são bons mas a percepção micro da população não, e é esse fator que tem prejudicado o desempenho de Lula face a Flávio”, opinou Felipe Nunes, CEO do instituto de pesquisas Genial/Quaest, no canal Globonews.Além disso, um outro escândalo à margem do do Banco Master, em torno de fraudes milionárias na Segurança Social, acabou envolvendo indiretamente Lulinha da Silva, o filho mais velho do presidente. Finalmente, o núcleo duro de Lula teme que se desenhe um cenário semelhante ao das eleições chilenas de dezembro em que Jeanette Jara, de esquerda, ganhou a primeira volta mas viu José Antonio Kast agregar o voto do terceiro, do quarto e da quinta classificados, todos da área da direita. Na eleição brasileira de outubro, os candidatos mais competitivos além de Lula e Flávio, também são de direita e próximos do bolsonarismo, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, este último cogitado até para vice do filho de Bolsonaro. Os pré-candidatos só em redor de junho se submeterão às convenções partidárias, tanto do PT como, no caso de Flávio, do Partido Liberal (PL), que os indicarão como escolhidos. E apenas em agosto a campanha arranca oficialmente. Entretanto, os dois principais competidores já se preparam para a defesa e para o ataque. Flávio vai usar Lulinha como arma de arremesso e Lula utilizará o caso das “rachadinhas’, desvio de salários de colaboradores fantasmas para o próprio bolso quando era vereador do Rio de Janeiro, em inserções mediáticas e debates. “Haverá uma convenção partidária onde o meu partido discutirá os candidatos mais importantes. Estou me preparando para isso. A minha mente e o meu corpo estão 100% em forma”, disse o candidato à reeleição ao Der Spiegel.Mas a luta já aqueceu: Flávio está a ser investigado por calúnia contra o presidente por o ter associado a tráfico de drogas e terrorismo aquando da prisão de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, pelos EUA.Por falar em EUA, na política externa Lula deverá trazer a Seguro e Montenegro os pontos de vista sobre o papel da ONU e o governo de Donald Trump, com quem vem mantendo coincidência em questões comerciais bilaterais mas não geopolíticas. “O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição Americana não garante isso e muito menos a carta da ONU". "Mas chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para retomarem a credibilidade, porque se não, Trump tem razão"..Imigração vai ser tema nas reuniões de Lula com Montenegro e Seguro