O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, voltou a manifestar-se contra a criação de um exército europeu, defendendo que a segurança do continente continua a depender da NATO e da participação dos Estados Unidos na Aliança Atlântica. Em entrevista ao Jornal de Notícias e à TSF, o governante sustentou que a NATO tem garantido décadas de estabilidade no espaço europeu e alertou para os riscos de enfraquecer a ligação transatlântica. “Uma defesa europeia não é igualmente eficaz com ou sem Estados Unidos”, afirmou.Melo lembra que o sucesso da NATO resulta também da sua natureza transatlântica, "juntando um lado e o outro do Atlântico com os Estados Unidos da América na equação”, afirmou. Questionado sobre as tensões entre os aliados europeus e a administração norte-americana de Donald Trump, o ministro da Defesa procurou desvalorizar o impacto de possíveis divergências políticas atuais e preferiu defender os laços históricos da aliança. “Eu não confundo a administração de um país com esse país e o seu povo. As administrações são transitórias”, declarou.O governante argumentou ainda que a NATO foi decisiva para garantir a estabilidade europeia desde a Segunda Guerra Mundial. “Nunca o espaço continental europeu teve tanto tempo permanente de paz como desde o final da Segunda Guerra Mundial, também por causa da NATO”, afirmou.Embora defenda a manutenção dessa ligação aos Estados Unidos, Nuno Melo reconheceu que a Europa tem de assumir maiores responsabilidades na sua própria defesa. “Nós vivemos demasiados anos sem investir na defesa, contando com o chapéu norte-americano para fazer tudo”, disse. Por isso, acfrescentou, os aliados europeus devem responder às novas ameaças geopolíticas através de um "reforço das suas capacidades militares" e de um maior "investimento no chamado pilar europeu da NATO".Essa estratégia, sustenta, não passa pela criação de um exército europeu. “Tendencialmente sou contra a ideia de um exército europeu”, reiterou, lembrando tratar-se de uma posição que mantém “há muitos anos”. Em vez disso, Melo defende uma maior articulação entre os países da União Europeia em matérias de defesa, sem substituir as forças armadas nacionais.Sobre a futura substituição dos caças F-16 da Força Aérea Portuguesa, o ministro, e líder do CDS, afirmou que a decisão ainda não está em curso. “Nós devemos ser muito racionais e ponderados, quer nos momentos, quer nas opções”, afirmou. Nuno Melo voltou a defender um princípio de preferência pela indústria europeia, explicando que Portugal deve investir “sempre que é possível” em capacidades produzidas no país e, quando isso não seja viável, na Europa. Ainda assim, apontou que a escolha dos futuros aviões de combate não poderá ser determinada apenas pela origem dos equipamentos. “Se um dia os nossos militares forem chamados a combater, nós devemos fazer tudo para que os equipamentos que utilizam tenham letalidade e lhes permitam sobreviver o maior tempo possível”, afirmou, considerando que a decisão será “certamente complexa” e terá de equilibrar fatores estratégicos, industriais e operacionais..Paulo Rangel defende que é "totalmente inviável" a criação de um exército europeu.Nuno Melo nega apontar substitutos dos F-16: "Não quero passar os próximos 30 anos em comissões de inquérito"