O presidente do CDS-PP, Nuno Melo, associou este sábado (24) o posicionamento político do Chega ao socialismo e estabeleceu um paralelismo entre André Ventura e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, deixando um apelo ao voto “em consciência” na segunda volta das eleições presidenciais, no próximo dia 8 de fevereiro.Na intervenção de encerramento da convenção autárquica do CDS-PP, realizada no Porto, Nuno Melo afirmou querer “explicar um bocadinho melhor” a posição do partido relativamente à segunda volta das presidenciais. Para o líder centrista, importa recordar que o Chega tem defendido que, a 8 de fevereiro, estará em causa escolher entre quem está “do lado do socialismo ou do lado de quem combate o socialismo”.“Não se é de Direita ou de Esquerda porque se diz que é de Direita ou de Esquerda, e o Chega realmente defende aumentos de impostos e um Estado a dar tudo a todos, o que normalmente só acontece com o dinheiro que é dos contribuintes, logo com a tal mão metida no bolso de quem trabalha, e eu consta-me que mais socialismo do que isto não há”, afirmou Nuno Melo, citado pela agência Lusa.O dirigente reiterou ainda a posição já assumida pela Comissão Executiva durante a semana, sublinhando que o CDS-PP “não terá nenhum empenho orgânico, nem nenhum empenho institucional” na segunda volta das eleições presidenciais. Nesse sentido, garantiu que o partido não dará “nenhum apoio formal” nem a António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, nem ao líder do Chega, André Ventura.Nuno Melo recordou depois o momento em que assumiu a liderança do partido, em 2023, quando “um dos candidatos hoje à segunda volta das eleições presidenciais [André Ventura] chamou a imprensa com supostamente sete milhões no bolso, saídos não se sabe bem de onde, dizendo que ia comprar” a sede nacional do CDS-PP, localizada “num largo que não é por qualquer razão que se chama Adelino Amaro da Costa”, antigo ministro centrista que morreu no acidente aéreo que vitimou também Francisco Sá Carneiro.Segundo o líder do CDS-PP, André Ventura teve esse comportamento “com a mesma ligeireza” com que, por exemplo, “um líder de um país do mundo livre hoje diz que vai comprar um território no Ártico contra a vontade dos seus nacionais e da sua população”, numa alusão às declarações de Donald Trump sobre a Gronelândia.“Nós não somos a tal Direita que a Esquerda gosta, mas também não somos aquela Direita que os populistas se aproveitam”, afirmou ainda o também ministro da Defesa Nacional. Nuno Melo alertou para o facto de qualquer “dinâmica das redes sociais” poder gerar “grandes apoios e muitos ‘likes’ do PS ou do Chega”, mas sublinhou que isso não “acrescenta um voto ao CDS”.O presidente do CDS-PP considerou igualmente “normal” que o partido não apoie “um candidato socialista”, referindo-se a António José Seguro. A este propósito, lembrou que se encontra “naquele ponto em que estava o doutor Paulo Portas, em 1998, quando no 16.º Congresso” afirmou que “o adversário ideológico do CDS é o socialismo e o adversário político do CDS é o PS”.Ainda assim, reconheceu que “o mundo mudou e a reconfiguração política ou partidária” exige também “adaptar aquilo que é uma nova realidade”.Recusando dar qualquer tipo de “indicações de voto” para o dia 8, Nuno Melo concluiu apelando aos militantes e simpatizantes para que votem “em consciência”, “em quem achem menos mal” ou, “se for caso disso, em quem achem razoavelmente bom”, ou mesmo “de qualquer uma das outras formas que em democracia também são permitidas, porque expressas em voto e em urna”.“Façam como queiram, mas nunca esqueçam, nenhum de nós que está neste partido é maior do que o nosso partido, é maior do que o CDS. É por isso que cá estamos e é pelo CDS que lutamos todos os dias”, afirmou.No final da intervenção, o líder centrista optou por não prestar declarações aos jornalistas..Presidenciais: CDS decide não apoiar nenhum candidato na segunda volta