A Iniciativa Liberal pede ao Governo que regulamente a lei aplicável à gestação de substituição e propõe a isenção fiscal das pensões de alimentos.No Dia da Mãe, a IL anuncia um pacote de seis iniciativas -- duas resoluções (sem força de lei) e quatro projetos de lei - que vai entregar no parlamento, com o objetivo de criar "mais confiança nas famílias" e "menos obstáculos".Neste pacote de medidas, enviado à Lusa, o partido propõe a isenção fiscal das pensões de alimentos para quem as recebe, bem como a reintrodução dos dependentes no quociente familiar em sede de Imposto sobre o Rendimento Singular (IRS), "ajustando a carga fiscal das famílias de acordo com o número de dependentes e reconhecendo fiscalmente os encargos de quem tem mais filhos a cargo".Os liberais defendem que, "mais do que um benefício fiscal", está em causa "uma medida de justiça fiscal, integrada numa resposta mais ampla aos desafios demográficos do país".A IL pede igualmente ao Governo que regulamente, "com caráter de urgência" a lei da gestação de substituição e assegure as condições para que seja efetivamente implementada. Esta lei, que alterou o regime jurídico aplicável à gestação de substituição, foi aprovada, promulgada e publicada em Diário da República em 2021, mas até agora ainda não houve regulamentação.Num dos projetos de lei que apresenta, a IL propõe a unificação dos vales infância e vales educação, através da criação de um "regime único e coerente" que o partido denomina como "vale ensino", por forma a garantir "um tratamento fiscal uniforme e mais favorável".No seu entendimento, deve "ser possível que as empresas apoiem os seus trabalhadores no pagamento de despesas de educação dos seus filhos desde a creche até ao ensino superior, incluindo propinas universitárias, hoje excluídas, materiais escolares, livros e outros encargos educativos associados"."Ao mesmo tempo, assegura-se que estes apoios não são penalizados fiscalmente do lado dos trabalhadores, sendo excluídos de tributação em IRS, e que as empresas continuam a beneficiar de incentivos claros, através da majoração dos custos em sede de IRC [Imposto sobre o Rendimento Coletivo]", indicam.Na exposição de motivos deste projeto de lei, os deputados liberais assinalam que os "chamados 'vales infância', destinados a despesas até ao pré-escolar, beneficiam de um enquadramento fiscal favorável: são excluídos de tributação em IRS para os trabalhadores e permitem às empresas a majoração dos custos em sede de IRC", enquanto os "vales educação" têm "um enquadramento fiscal menos claro e menos favorável, desde logo porque não beneficiam da [mesma] exclusão de tributação em IRS".Na opinião da IL, este sistema "cria uma barreira artificial no percurso educativo das crianças - apoia-se a primeira infância, mas penaliza-se o apoio nos anos seguintes".Os liberais recomendam ainda ao Governo que os pais com filhos até aos 12 anos possam pedir, através da linha SNS 24, a declaração para justificar faltas ao trabalho quando estes fiquem doentes. A solução seria aplicável em casos em que as crianças tenham doença ligeira e precisem de ficar em casa, mas não seja necessária uma consulta médica.Outra das propostas é que "o apuramento do rendimento relevante para a atribuição do abono de família passe a ter como base o agregado familiar definido para efeitos fiscais".No comunicado, o partido afirma que ter filhos em Portugal se tornou num "ato de coragem". "Entre burocracias que complicam o que devia ser simples, custos elevados que pesam sobre quem cuida e um Estado que demasiadas vezes é parte do problema em vez da solução, milhares de famílias enfrentam diariamente um sistema desajustado da sua realidade", refere.O partido liderado por Mariana Leitão defende que, "num país com uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa, valorizar a parentalidade não é apenas uma questão social, é uma escolha política sobre o futuro do país"..Licença parental inicial paga a seis meses volta a ser aprovada no Parlamento, mas só vale a partir de 2027