Luís Montenegro.
Luís Montenegro.ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Montenegro responde a Passos: "PSD não deve estar acorrentado ao partido que está à nossa direita"

Primeiro-ministro e líder dos sociais-democratas assegurou não deixar "de ouvir" a "visão diferente" que "aqui e acolá" por vezes é apresentada no PSD, mas garantiu que o Governo tem "uma linha, um rumo e uma convicção". E deixou uma alfinetada ao antigo líder: "Não governamos o país na base das birras, das cismas, dos complexos de ninguém"
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Luís Montenegro respondeu esta segunda-feira, 12 de outubro, ao antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, reiterando que o PSD "não precisa e não deve estar acorrentado" ao Chega.

Numa intervenção durante o jantar de comemoração da vitória autárquica de Pedro Duarte à Câmara Municipal do Porto, o líder dos sociais-democratas assegurou não deixar "de ouvir" a "visão diferente" que "aqui e acolá" por vezes é apresentada no PSD, mas que o Governo tem "uma linha, um rumo e uma convicção".

"Não somos daqueles que se acham mais inteligentes do que os outros, mais dotados do que os outros e que acham que têm sempre razão. Mas somos dos que temos uma linha, um rumo e uma convicção. É precisamente por isso que, quando no PSD se apresenta aqui e acolá, por vezes reiterada, uma visão diferente, não deixaremos de ouvir. Mas, quando no início deste ano, se quis apresentar essa visão como alternativa, fizemos o que se impunha e desafiámos o partido a ser claro. Temos sempre de ser claros, mas quando estamos no Governo temos ainda de ser mais claros, porque temos a confiança acrescida do povo. Portanto, venham de onde vierem, se há alternativas de pensamento, elas devem ser analisadas e decididas. Foi isso que fizemos no PSD. Tivemos uma eleição no Congresso e temos agora um duplo compromisso: com o povo e com os militantes do PSD. Esse compromisso é para cumprir. Não vamos andar de mês a mês, de trimestre a trimestre, de semestre a semestre, repetir as decisões. As decisões estão tomadas e são para levar até ao fim. Não tenho dúvidas: este PSD não precisa e não deve estar acorrentado ao partido que está à nossa direita e que é hoje o partido com segunda maior representação parlamentar", afirmou Luís Montenegro.

O primeiro-ministro afirmou que "o país quer, quis e precisa de um Governo que governe e dialogue, e é isso que tem", explicando que esse diálogo é feito "matéria a matéria, com quem é capaz de ceder e aproximar".

"Não governamos o país na base das birras, das cismas, dos complexos de ninguém. Governamos o país na base do interesse dos cidadãos, das instituições e da sociedade portuguesa. Foi assim que Amândio de Azevedo e Francisco Sá Carneiro fundaram o PPD, e é assim que Luís Montenegro e Pedro Duarte governam nos dias de hoje", acrescentou.

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Passos abriu porta a regresso à vida política ativa

O antigo primeiro-ministro Passos Coelho admitiu no domingo ponderar um regresso à vida política se o PSD “não for bem-sucedido” na governação, insistindo que partido “tinha obrigação” de explorar um acordo de legislatura com Chega e IL.

“Se eu tivesse de equacionar um regresso à política ativa, tinha de corresponder à ideia de que eu tinha a obrigação e a possibilidade de fazer alguma coisa de diferente que não está a ser feito”, afirmou Pedro Passos Coelho em entrevista à SIC-Notícias, conduzida por Maria João Avillez.

O antigo primeiro-ministro disse ainda ter a expectativa de que o PSD possa vir a ser “bem-sucedido” na governação e que possa sair do que classificou como “armadilha política imensa” de fazer acordos ora com o PS com o Chega, considerando que tal impede o executivo de fazer reformas mais profundas.

“Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório, de fazer aquilo que o país precisa e eu achar que o poderia fazer. E se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei a iniciativa, se for caso disso”, assegurou.

Na entrevista, reiterou que “nesta altura, não está candidato a nada”, e insistiu na ideia de que, no início da legislatura, o PSD “tinha a obrigação” de ter tentado um acordo com Chega e IL para governar durante quatro anos, salientando que os três partidos somaram mais de 60% dos votos nas últimas eleições.

“Se no fim de todo este período não for possível a estas três forças políticas apresentarem um suporte mínimo para reformas importantes que o país precisa de fazer, eu julgo que todos eles serão penalizados. Uns mais do que outros, mas todos eles serão penalizados”, alertou, defendendo que a iniciativa deveria caber ao PSD, o partido mais votado.

Questionado sobre o líder do Chega, Passos Coelho considerou que André Ventura tem “bastante mérito” e tem demonstrado uma “iniciativa notável” e, apesar de criticar ideias deste partido como a baixa da idade da reforma, avisou para os perigos de o desresponsabilizar.

“Quanto mais se deixe o Chega fora de qualquer solução, mais provável é que o Chega se sinta muito à vontade para não ser testado nas ideias que está a defender. E para ganhar as eleições”, alertou.

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