Montenegro diz que não será "o pai da austeridade", mas exclui medidas que tornem o dinheiro mais caro
Fonte: Hugo Delgado/Lusa

Montenegro diz que não será "o pai da austeridade", mas exclui medidas que tornem o dinheiro mais caro

Primeiro-ministro foi confrontado com os preços mais baixos dos combustíveis em Espanha e reagiu apontando para situação económica e financeira de Portugal mais favorável. "Não troco isso por nada".
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O primeiro-ministro foi confrontado por um jornalista esta tarde em Esposende, no final de uma homenagem aos antigos ministros Couto dos Santos e Oliveira Martins, sobre os impostos que recaem sobre os combustíveis, que fazem com que seja mais barato abastecer o depósito na vizinha Espanha.

Na resposta, o primeiro-ministro apontou para uma situação macroeconómica em Portugal mais favorável do que em Espanha. "Em Portugal, temos uma situação económica e financeira que, no global de todos os indicadores, é mais favorável. E eu não troco isso por nada. Sabe porquê? Porque se eu trocasse isso por uma medalha destinada a premiar uma grande ajuda que eu pudesse dar hoje às famílias e às empresas portuguesas, significaria no futuro sacrifícios, cortes, aquilo que o país conheceu lá atrás como políticas de austeridade. E há uma coisa que eu prometo aos portugueses. Eu não vou ser o pai da austeridade. Não vou mesmo. De nenhuma maneira. Eu estou aqui para cuidar do dia de hoje, mas também do dia de amanhã. Com equilíbrio", disse o Luís Montenegro.

Nesta comparação com Espanha, o primeiro-ministro foi ainda mais longe. "Pergunte aos cidadãos do lado lá da fronteira, o que é que acham sobre a fiscalidade sobre os rendimentos do trabalho? O que é que acham sobre a fiscalidade do rendimento das empresas? O que é que acham sobre a perspetiva de terem de pagar a dívida e o déficit que estão a acumular? Eu eu não estou com isto a entrar numa polémica com o meu colega do lado de lá. Do lado de lá faz-se o equilíbrio que se considera mais adequado. E do lado de cá faço este. Não troco o meu pelo outro".

Luís Montenegro diz que não tomará medidas que possam levar a que Portugal seja castigado nos mercados de dívida e venha a pagar juros mais elevados. “Se nós desequilibrarmos as contas, se nós formos demasiado voluntaristas e facilitistas, o dinheiro vai ficar mais caro. E se o dinheiro ficar mais caro, é preciso pagá-lo, é preciso pagar o preço do dinheiro também. É uma equação que é sempre complexa, é sempre difícil, mas, como tive ocasião de dizer na quinta-feira aos portugueses, e vou aqui repetir, nós não trocamos esta política por nenhuma outra”, disse o chefe de governo.

Na passada quinta-feira, Montenegro apresentou medidas aprovadas em Conselho de Ministros para fazer face ao aumento do custo de vida, nomeadamente a redução do IRS até ao 6.º escalão e bónus para os pensionistas em dezembro.

Quanto aos preços dos combustíveis, o discurso foi na mesma linha das declarações desta tarde em Esposende. “Não troco mais cêntimos de desconto do ISP por mais impostos, por mais défice, por mais dívida que teríamos de pagar no futuro”.

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