Marcelo diz que vai reatar militância do PSD mas sem expressar posições políticas
EPA/OLIVIER MATTHYS

Marcelo diz que vai reatar militância do PSD mas sem expressar posições políticas

O Presidente da República ressalvou que “pode-se ser de um partido, ter ideias, mas não andar a exprimir politicamente o que quer que seja”.
Publicado a
Atualizado a

O Presidente da República afirmou esta sexta-feira, 27 de fevereiro, que vai reatar a sua militância no PSD, que suspendeu quando tomou posse em 2016, mas frisou que não vai expressar qualquer posição política ou fazer intervenções partidárias.

“Eu suspendi a militância até ao fim do meu mandato. Suspender a militância até ao fim do mandato significa que, terminado o mandato, eu reato aquilo que tive de ligação partidária desde a fundação”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em declarações aos jornalistas em Bruxelas, no final de uma receção a funcionários das instituições europeias na Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia (UE).

O Presidente da República ressalvou, contudo, que “pode-se ser de um partido, ter ideias, mas não andar a exprimir politicamente o que quer que seja”.

“É isso que eu entendo que devo fazer como antigo Presidente da República”, salientou, afirmando que vê “com alguma dificuldade que se queira acabar a vida política e depois se vá reuniões partidárias e intervenções partidárias”.

Questionado sobre quanto tempo é que acha que vai conseguir manter-se em silêncio após cessar funções, Marcelo reconheceu que tem amigos que queriam “fazer apostas de jantares ou almoços” precisamente sobre esse tema.

“Eu recusei isso, mas garantiam que isto seria sol de pouca dura. Mas eu acho que vai durar, porque acho que é aquilo que, por um lado, corresponde à minha visão do que tem de ser um ex-presidente da República e, segundo lugar, porque eu estive na cena política, mesmo quando não estive, estive como comentador desde 1965”, afirmou.

O Presidente da República frisou que isso significa que está há 61 anos a expor o seu ponto de vista, “primeiro de quando em quando, depois todas as semanas, nos jornais, na rádio e na televisão e, depois, entretanto, como protagonista político”.

“E deve ceder-se o lugar a outros. Agora é a altura de outros”, afirmou.

Sobre o que é que tenciona em 10 de março, o dia a seguir a cessar funções, Marcelo Rebelo de Sousa disse que nesse dia quer ir a um concerto, para o qual os bilhetes são grátis.

“Tenho de ir para a fila, porque quem aparecer em primeiro lugar fica com os bilhetes. Portanto, o que eu vou fazer provavelmente no dia 10 de março, ao fim da tarde, senão mesmo mais cedo, é ir para a fila para ver se consigo bilhetes para esse concerto, porque é uma peça muito interessante”, disse, antes de gracejar para os jornalistas: “Não vos digo qual, senão ainda aparecem”.

No dia em que tomou posse como Presidente da República, em 09 de março, Marcelo Rebelo de Sousa decidiu suspender a militância do PSD, partido que fundou em 1974.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt