Nem todos são jovens, havendo até um septuagenário, e nem todos têm falta de experiência política, pois existem antigos governantes nesse grupo, mas mais de metade dos atuais deputados estão há tão pouco tempo na Assembleia da República que não tiveram outro primeiro-ministro a não ser Luís Montenegro. Ao todo, 130 dos 230 eleitos sentaram-se no hemiciclo pela primeira vez nas últimas duas legislaturas, dos quais 61 naquela que está em curso.Entre os que se estrearam desde as legislativas de 2024 estão 51 do PSD, 45 do Chega e 21 do PS , tal como cinco da Iniciativa Liberal, cinco do Livre, um do PCP, um do CDS-PP e um do Juntos pelo Povo, que entrou para a Assembleia da República no ano passado. Representam mais de metade do grupo parlamentar social-democrata, precisamente três quartos da bancada do partido de André Ventura e acima de um terço dos eleitos socialistas. .130 estrearam-se com Luís MontenegroMudanças de cinclo no PSD e PS, bem como a multiplicação dos eleitos do Chega, levam a que os 'novatos' dominem o hemiciclo. Desde jovens a septuagenários..61 estrearam-se com António CostaAlém dos primeiros eleitos do Chega, da Iniciativa Liberal, do Livre e do PAN, desde 2015 entraram deputados como Alexandre Poço e Hugo Carneiro (PSD) ou Eurico Brilhante Dias e Miguel Costa Matos (PS)..39 estrearam-se antes da GeringonçaRaros foram deputados de forma ininterrupta, mas os 'veteranos' incluem Hugo Soares (PSD), Isabel Moreira (PS), Paula Santos (PCP), João Pinho de Almeida (CDS-PP) e o próprio José Pedro Aguiar-Branco..Entre os rostos da renovação há atuais ou antigos membros de juventudes partidárias, como Ana Gabriela Cabilhas, Eva Brás Pinto, João Pedro Louro e Martim Syder (PSD), Rui Cardoso, Ricardo Lopes Reis, Madalena Cordeiro e Daniel Teixeira (Chega), ou Miguel Costa Matos e Sofia Pereira (PS). Mas também quem tenha um perfil inverso, como Manuel Magno, eleito pelo Chega no círculo de Fora da Europa, que aos 78 anos é o deputado mais velho, ou o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, que antes de ser deputado foi secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, tal como António Mendonça Mendes, que passou a figura de relevo no grupo parlamentar do PS depois de terminar o ciclo de oito anos de governação socialista. E ainda, desde o início da atual legislatura, o social-democrata Paulo Lopes Marcelo, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros no primeiro Governo da AD. Também eleitos apenas nas duas últimas legislaturas foram a presidente (Mariana Leitão) e o líder parlamentar (Mário Amorim Lopes) da Iniciativa Liberal, toda a bancada do Livre, tirando Rui Tavares, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo.O reverso da renovação da Assembleia da República consiste na falta de referências parlamentares, nomeadamente nos partidos que habitualmente monopolizavam o hemiciclo. Entre os deputados do PSD, aquele que está há mais legislaturas consecutivas (apenas seis) é Pedro Roque, ligado aos Trabalhadores Sociais Democratas, enquanto Cristóvão Norte, Emídio Guerreiro, Pedro Alves e Teresa Morais - tal como o líder parlamentar Hugo Soares e o próprio presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco - estiveram longos anos ausentes do Palácio de São Bento. Já o grupo parlamentar do PS tem mais casos de longevidade parlamentar, mas alguns com perfis mais discretos - casos de Eurídice Pereira, Luís Graça ou Pedro Coimbra - do que outros, como Isabel Alves Moreira e Marcos Perestrello, ou o antigo presidente da Comissão de Orçamento e Finanças, Filipe Neto Brandão.Alterações de lideranças partidárias costumam ser associadas à saída de deputados experientes, sendo que no PSD Rui Rio foi acusado de retirar desalinhados das listas, e mais tarde viu os seus próximos excluídos, mas o grande aumento do número de eleitos dos novos partidos, com o Chega a ter mais 48 deputados do que há pouco mais de dois anos, também contribui decisivamente para o fenómeno.No entanto, o social-democrata José Cesário, que é o decano da Assembleia da República, tendo sido eleito pela primeira vez em 1983, aos 24 anos, tem outras explicações. Em sua opinião, o regime de incompatibilidades contribui para faltarem referências como as “figuras de altíssimo quilate”, que conheceu, incluindo Almeida Santos, Barbosa de Melo, Helena Roseta e Natália Correia.Realçando que a ida do PSD para o poder levou muitos dos que seriam deputados para o Governo, Cesário ainda assim diz-se otimista quanto à realidade parlamentar. Mesmo que haja “menos experiência de vida e menos ligações a instituições de grande gabarito na sociedade”, encontra na nova geração “gente com muito valor”, ainda que “com uma experiência diferente da que tínhamos antigamente”..Ventura já é um dos deputados que estão há mais tempo em São Bento.Eleito deputado único nas legislativas de 2019, André Ventura tornou-se um dos protagonistas da Assembleia da República muito antes de elevar o Chega a maior partido da oposição. E a redução do peso dos partidos fundadores do regime democrático, aliada à renovação acelerada das suas listas de candidatos, ajuda a que também já seja um dos deputados mais experientes. Embora 57 dos 230 deputados em funções no final desta sessão legislativa tenham tomado posse antes de Ventura - incluindo três do Chega, pois Eduardo Teixeira, Francisco Gomes e Manuela Tender já foram deputados do PSD -, bastante mais raros são os que fizeram mais legislaturas consecutivas do que ele.Apenas 17 deputados batem o líder do Chega - que desde 2019 só teve duas breves suspensões de mandato, devido às campanhas presidenciais de 2021 e de 2026 - no que toca a presença constante no hemiciclo. Assim sucede com a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, com os sociais-democratas Germana Rocha e Pedro Roque, e ainda com 14 socialistas, incluindo figuras destacadas da Assembleia da República, como Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves, ou o secretário-geral José Luís Carneiro, que exerceu cargos governativos em grande parte desse período..Nos casos raros de longevidade há quem tenha começado no século XX.De regresso ao hemiciclo, depois de deixar a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário é o decano dos deputados em funções. O social-democrata estreou-se em 1983, com o Bloco Central, que tinha Mário Soares a primeiro-ministro, a suceder à primeira Aliança Democrática, e desde então só não foi eleito para a legislatura iniciada em 2022.É um dos seis deputados em funções que o foi pela primeira vez no século XX, seguido de perto por Edite Estrela, do PS, que teve um percurso mais intermitente, pois falhou cinco legislaturas desde a estreia, em 1987, visto que foi presidente da Câmara de Sintra e esteve no Parlamento Europeu.Os outros quatro “resistentes” do século passado são todos do grupo parlamentar do PSD, dos quais Francisco José Martins foi o único a integrar uma das maiorias absolutas de Cavaco Silva, pois António Rodrigues, Bruno Vitorino e Pedro Alves estrearam-se nas legislaturas correspondentes aos executivos socialistas de António Guterres.Dos que tomaram posse em 2002, João Pinho de Almeida só não é o deputado com mais legislaturas consecutivas por o CDS-PP ter ficado sem representação parlamentar na hecatombe eleitoral de 2022. .Derrota da esquerda leva partidos a perder nomes experientes no Parlamento.Parlamento aprovou 49 das 70 propostas de lei apresentadas pelo Governo.Governo e PS lideram nos diplomas aprovados pela Assembleia da República