Álvaro Beleza é membro da Comissão Politica Nacional do PS
Álvaro Beleza é membro da Comissão Politica Nacional do PSFOTOS: Gerardo Santos

Álvaro Beleza elogia lealdade de Pedro Nuno Santos em defesa da liderança de José Luís Carneiro: "Foi cavalheiro, camarada e solidário"

O dirigente socialista interpreta as críticas de Pedro Nuno Santos aos “taticistas” como uma “cortesia” e uma defesa do atual líder do PS, num momento em que, diz, “não faz sentido discutir lideranças”. Por outro lado, critica Pedro Delgado Alves, considerando “infeliz e contraditório" o gesto de virar as costas ao discurso de Aguiar-Branco na comemoração do 25 de Abril.
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Álvaro Beleza, membro da Comissão Política Nacional do PS, defende e elogia as declarações de Pedro Nuno Santos sobre a atual liderança socialista, proferidas no dia em que retomou o mandato de deputado e que muito brado deram já entre os próprios socialistas. 

“Tenho muito mais respeito pelo José Luís Carneiro do que pelos taticistas que se escondem atrás da porta à espera que o vento mude a favor do PS ou da esquerda para avançarem para a liderança do partido”, referiu então o ex-secretário-geral do partido. Para Beleza, Pedro Nuno teve uma atitude de camaradagem em defesa de José Luís Carneiro. “Uma cortesia” que visou “defender o líder perante aquilo que tem sido a discussão sobre possíveis lideranças, quando o atual está tão bem visto pelos portugueses”. E insiste: “Não faz sentido discutir lideranças quando o partido está de boa saúde.”

Em declarações ao DN, Álvaro Beleza considera que a intervenção de Pedro Nuno Santos, de quem foi mandatário nacional nas legislativas de 2024, se inscreve numa atitude de lealdade para com José Luís Carneiro. Não escondendo ter “uma relação especial” com Pedro Nuno Santos - "apesar de discordarmos em quase tudo” -, lembra que “o caráter é uma questão importante na política”.

Para o dirigente socialista, a frontalidade é uma marca de Pedro Nuno Santos. “Independentemente de concordarmos ou não com ele, sempre foi frontal”, afirma, considerando natural o regresso do antigo secretário-geral socialista ao Parlamento. “Pedro Nuno Santos tem todo o direito de voltar ao seu lugar de deputado”, afirmou, sublinhando que o ex-secretário-geral “gosta de política” e “faz política desde jovem”.

Ainda assim, Álvaro Beleza rejeita que a posição de outros dirigentes socialistas, como Duarte Cordeiro, seja ilegítima. O antigo ministro do Ambiente recusou o convite de José Luís Carneiro para integrar a Comissão Política Nacional, mantendo-se numa posição de reserva para a liderança. Opção que Beleza considera “perfeitamente legítima e natural”. “O Duarte é muito novo e tem muitas qualidades políticas. Poderá um dia aspirar a ser líder do Partido Socialista”, admite.

Contudo, afirma o médico e também presidente da SEDES, o atual momento político não justifica uma discussão interna sobre lideranças. “O PS tem muitos quadros que podem ser líderes”, reconheceu, “mas neste momento, o Partido Socialista está com ótimas sondagens” porque “o líder do partido inspira confiança nas pessoas”. Para o dirigente socialista, “sem confiança não se ganham eleições” e, por isso, “numa altura em que há boas sondagens, não faz sentido discutir lideranças”.

É nesse contexto que Beleza interpreta a intervenção de Pedro Nuno Santos como um gesto de lealdade para com José Luís Carneiro. “Foi simpático para o líder”, afirma. “O Pedro Nuno foi cavalheiro com o líder com quem disputou a liderança. É bom não esquecer que tem divergências com ele, mas foi cavalheiro, camarada e solidário. Acho isso bonito.”

O socialista associa essa atitude à tradição política de Mário Soares, figura que diz ter sido determinante para a sua entrada no PS. “É muito essa atitude à Soares: ser solidário com o líder do partido, independentemente de ele ser ou não da minha sensibilidade política.”

Gesto de Pedro Delgado Alves foi “infeliz”

Álvaro Beleza criticou ainda a atitude do deputado socialista Pedro Delgado Alves, que virou as costas ao discurso do presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco, nas cerimónias do 25 de Abril. Para o dirigente, tratou-se de “um gesto infeliz”, de “más maneiras” e em contradição com as “críticas justas” que o próprio deputado tem feito  “à falta de educação e saber estar dos deputados da direita radical”.

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