“Fez aquilo que faz melhor, propaganda, ilusão, venda de promessas e uma linha concreta", criticou.
“Fez aquilo que faz melhor, propaganda, ilusão, venda de promessas e uma linha concreta", criticou. Foto: José Sena Goulão

Líder do PCP vê ataque aos professores escondido nas promessas de Montenegro

"A questão grossa é a alteração da carreira docente dos professores, tal e como nós sempre alertámos”, sublinhou Raimundo.
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O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, criticou hoje a “propaganda” e “venda de ilusões” do primeiro-ministro na Universidade de Verão do PSD, alertando que "nas entrelinhas" Luís Montenegro preparar-se para “atacar os professores e a sua carreira docente”.

“O primeiro-ministro fez hoje o que faz melhor, muita propaganda, muita venda de ilusões, muitas promessas. Tenho que ser justo, não bateu o ‘hit’ deste verão”, disse o líder comunista, em Grândola.

Em declarações aos jornalistas, durante uma visita à Feira de Agosto desta sede de concelho alentejana, no distrito de Setúbal, Paulo Raimundo lembrou que “o ‘hit’ deste verão” foi quando o chefe do Governo, Luís Montenegro, “disse que [o país] ia entrar na REN e que os preços de eletricidade iam baixar”.

No seu discurso de hoje, no encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, no distrito de Portalegre, Montenegro “não conseguiu ir tão longe, não conseguiu bater esse seu ‘hit’ de verão”, ironizou o líder do PCP.

Mas, “no meio de todas aquelas promessas, daquela propaganda, a questão grossa que ficou nas entrelinhas chama-se a alteração da carreira docente dos professores”, acusou Paulo Raimundo.

“Essa é que é a questão, o resto é para coisas que vão para o teto, são promessas, ideias. A questão grossa é a alteração da carreira docente dos professores, tal e como nós sempre alertámos”, sublinhou.

Questionado sobre se o primeiro-ministro deveria ter falado de outros assuntos, o secretário-geral do PCP respondeu que Montenegro “falou daquilo que entendeu” e que, como o próprio chefe do Governo aludiu no discurso, “é tão democrático falar de uma maneira como falar de outra”.

“Fez aquilo que faz melhor, propaganda, ilusão, venda de promessas e uma linha concreta, neste caso, de atacar diretamente os professores e a sua carreira docente”, argumentou.

De acordo com Paulo Raimundo, o “esquema do Governo era primeiro o Código de Trabalho, alteração à legislação laboral, a seguir vinha a alteração às leis de legislação laboral na administração pública, está aí, e depois a seguir era a Segurança Social”.

Tal como no passado domingo, em Fronteira, no distrito de Portalegre, em que desafiou o Governo fazer alterações à Segurança Social, também hoje o líder do PCP deixou o mesmo repto no que respeita aos professores e respetiva carreira docente.

“O Governo que se atreva, eu volto a dizer, que se atreva”, disse, lembrando que o Governo “já foi derrotado” no pacote laboral.

E o primeiro-ministro, avisou o líder comunista, “tem a responsabilidade de se lembrar bem o que é que aconteceu ao governo em 2015, quando tentou fazer a redução de taxa social única para as entidades empregadoras”.

“Começou a cavar a sua derrota política e social e vai fazer o mesmo”, afiançou Raimundo, considerando que o atual Governo PSD/CDS-PP “está com muita pressa, mas vai dar um passo maior que a perna se tentar fazer isso”.

O secretário-geral do PCP afirmou que “o problema não é apenas o Governo”, mas também a sua política, que também é responsabilidade da oposição, nomeadamente do PS, que viabilizou o anterior Orçamento do Estado (OE) “e, pelos vistos, parece que está disponível para voltar a fazer o mesmo”.

Questionado sobre a moção de censura ao Governo anunciada pelo Chega caso o primeiro-ministro não resolva a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, o líder comunista considerou que o partido liderado por André Ventura “é só conversa” e “muita demagogia” e “acha que o único problema que o Governo tem é um ministro em concreto, tudo o resto está bem”.

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