Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra
Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de CoimbraFoto: Reinaldo Rodrigues

"É inaceitável". IL/Coimbra acusa Abrunhosa de ameaçar liberdade de imprensa e exige que se retrate

Em reunião camarária, "a resposta da presidente Ana Abrunhosa foi atacar publicamente o jornalista" da Lusa e "retirar-lhe a confiança", lamentam os liberais. Em causa uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual é referido que o executivo municipal foi questionado, mas não foi obtida resposta.
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A Iniciativa Liberal de Coimbra (IL/Coimbra) condenou este sábado, 11 de abril, o comportamento da presidente da câmara, exigindo a Ana Abrunhosa que se retrate pelo ataque público a um jornalista da Lusa e que “cesse qualquer tentativa de condicionamento da comunicação social”.

“Este comportamento é inaceitável, intimidatório e representa uma ameaça direta à liberdade de imprensa e ao livre exercício do jornalismo”, acusou a IL/Coimbra, em comunicado, defendendo que “numa democracia saudável, os eleitos são escrutinados, não o contrário”.

Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.

Na reunião camarária, Ana Abrunhosa afirmou: "(...) Se o jornalista que fazer política deve entregar a carteira de jornalista. E se tem uma agenda própria deve torná-la pública como nós o fazemos. (...) Dizemos aqui publicamente a falta de confiança que temos doravante neste jornalista que não reporta a verdade, que enviesa os nossos comentários".

A IL/Coimbra assinalou que “a resposta da presidente Ana Abrunhosa foi atacar publicamente o jornalista, acusá-lo de ‘falhar à verdade’ e de cometer ‘uma falha deontológica grave’, retirar-lhe a confiança e sugerir que, se quer fazer política, que entregue a carteira de jornalista’”.

Os liberais defenderam que “um jornalista não precisa da confiança política de ninguém para desempenhar as suas funções” e salientaram que “o jornalismo existe para escrutinar o poder e não para o validar”.

Realçando que o jornalista enviou perguntas ao município a 1 de abril, aguardou mais de uma semana, tentou obter esclarecimentos adicionais junto da direção de comunicação da câmara e, não obtendo resposta, avançou com a publicação da notícia, a IL/Coimbra solidarizou-se com João Gaspar, considerando que fez “o seu trabalho com rigor e dentro das regras deontológicas”, e com os outros jornalistas que abandonaram a sala em protesto.

“Quando um executivo municipal opta pelo silêncio perante pedidos de esclarecimento, a responsabilidade pela ausência de resposta na notícia é exclusivamente do executivo, e não do jornalista que cumpre o seu dever de informar”, vincou.

Ana Abrunhosa, presidente da Câmara de Coimbra
“Traços de prepotência”. PCP acusa autarca de Coimbra de tentar condicionar jornalista da agência Lusa

Também o PCP acusou hoje a presidente da Câmara de Coimbra de tentar condicionar o livre exercício do jornalismo ao fazer acusações ao jornalista João Gaspar que evidenciaram “traços de prepotência”.

Na sexta-feira, na sequência deste episódio, a Direção de Informação (DI) da agência Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra “repudiando acusações” que a autarca dirigiu ao jornalista João Gaspar, durante uma reunião pública do executivo camarário.

Numa nota depois emitida, a DI da Lusa considera que as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra foram “descabidas, infundadas e difamatórias”.

A DI reiterou a sua confiança no jornalista João Gaspar, “cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível”.

Na mesma nota, a direção acentua que João Gaspar se limitou a fazer uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, dando conta das preocupações do coordenador do espaço.

“Mais, procurou fazer o contraditório, pedindo esclarecimentos à Câmara. Só ao fim de nove dias publicou a noticia e mesmo assim só após ter instado pessoalmente a responsável pela comunicação daquele órgão”, acrescenta-se na mesma nota.

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