O debate parlamentar de várias iniciativas legislativas sobre restrições ao acesso de estrangeiros não residentes ao Serviço Nacional de Saúde, no que foi designado por “turismo de saíde”, que serão votadas na manhã desta sexta-feira, resultou num choque ideológico entre partidos de direita e de esquerda, com os primeiros a apontarem responsabilidades à política de imigração na governação socialista, e os segundos a lançarem acusações de empolamento de algo insignificante face aos problemas do sector.Logo na abertura, a cargo de Marta Silva, do Chega, o bloquista Fabian Figueiredo perguntou o impacto anual do atendimento de estrangeiros não-residentes, desvalorizando a estimativa de 15 milhões de euros anuais avançada pela deputada.De seguida, o social-democrata Alberto Machado defendeu a iniciativa conjunta dos partidos da AD que visa alterar a “solução profundamente errada e socialmente injusta” na atual Lei de Bases da Saúde, ouvindo críticas da bancada socialista, que rebateu com as conclusões da Comissão de Revisão presidida por Maria de Belém Roseira. No resto do debate houve críticas da líder parlamentar do PCP, Paula Santos, à “retórica reacionária, racista e xenófoba” dos partidos da direita, enquanto o centrista João Pinho de Almeida ironizou que as urgências dos hospitais Amadora-Sintra e Garcia de Orta “estão cheias de suecos e de noruegueses”.