O porta-voz do Livre, Rui Tavares
O porta-voz do Livre, Rui TavaresTIAGO PETINGA/LUSA

Congresso do Livre. Rui Tavares nega afastamento e defende necessidade de novas “caras e vozes”

Saída "não significa um afastamento", mas sim "uma redistribuição do jogo dentro da equipa e a assunção de funções e de responsabilidades que são novas”, defende Rui Tavares.
Publicado a
Atualizado a

O porta-voz do Livre Rui Tavares negou esta sexta-feira, 26 de junho, que a saída do cargo signifique um afastamento, acreditando que será “mais útil” ao partido na estratégia e “formação de lideranças” e realçando a necessidade de surgirem novas “caras e vozes”.

“[A saída do cargo de porta-voz] não significa um afastamento, significa uma redistribuição do jogo dentro da equipa e a assunção de funções e de responsabilidades que são novas, mas que não deixam de ser centrais”, defendeu Rui Tavares, em entrevista à agência Lusa, a primeira desde que foi noticiada a sua saída do cargo de porta-voz do partido.

Depois de um período de quatro anos à frente do Livre como co-porta-voz, numa liderança partilhada primeiro com Teresa Mota e depois com Isabel Mendes Lopes, Rui Tavares deixará o cargo na 17.ª reunião magna do partido, agendada para julho, em Sintra, continuando como deputado no Parlamento.

Isabel Mendes Lopes recandidata-se ao cargo, mas desta vez propõe-se a partilhá-lo com Jorge Pinto, deputado e candidato às eleições presidenciais de janeiro.

Na lista ao Grupo de Contacto (direção), Rui Tavares surge em terceiro lugar, mantendo-se no órgão, mas com o pelouro da “estratégia, comunicação e formação”.

O porta-voz do Livre, Rui Tavares
Jorge Pinto candidata-se ao lugar de Rui Tavares no cargo de porta-voz do Livre

Depois de assinalar que não queria deixar de ser porta-voz por imposição de limite de mandatos na direção – uma vez que vai desempenhar o seu terceiro mandato neste órgão, número máximo definido pelos estatutos do partido – Tavares disse ter manifestado internamente a sua preferência por outras funções, que ajudassem a pensar o Livre, “não só nos próximos dois anos, mas também nos próximos 10 ou 20”.

“O campo progressista em Portugal, e o Livre em particular, vai precisar que as pessoas conheçam várias caras, conheçam várias vozes e mantenham a confiança de que há um alinhamento, em termos ideológicos, e que há uma consistência naquilo que estamos a fazer”, sublinhou.

O fundador disse acreditar que será “mais útil” ao partido num cargo de definição de estratégia a longo prazo e “formação de lideranças”, com vários objetivos, desde logo “fazer crescer o Livre para que possa haver uma governação progressista em Portugal”.

“Aquilo que o Livre pode e tem que fazer é a formação de lideranças e de protagonismos que permitam à esquerda crescer e que nos permitam derrotar a deriva para uma direita radicalizada que temos vindo a ver nos últimos tempos”, afirmou.

Rui Tavares realçou que a liderança do partido continua a ser “coletiva” e que a novidade na lista apresentada é a da atribuição de “pelouros”, nos quais se inclui a criação do cargo de “secretário-geral”, ao qual se candidata Tomás Cardoso Pereira.

Apesar de reconhecer que “visto de fora” é tido em conta como a figura central do partido, o deputado lembrou que tanto Isabel Mendes Lopes como Jorge Pinto estão no Livre desde a sua fundação e integraram direções em momentos nos quais foi preciso afirmar o partido – como na polémica com Joacine Katar Moreira, que passou a deputada não inscrita em 2020.

Questionado sobre as expectativas que tem numa liderança partilhada entre Jorge Pinto e Isabel Mendes Lopes, o historiador começou por sublinhar que a também líder parlamentar é “uma pessoa extraordinária” com “enorme dedicação à causa pública”.

Já sobre Jorge Pinto, Rui Tavares destacou a sua “cultura política”, “grande capacidade comunicacional” e “enorme generosidade”.

Nos últimos quatro anos, Rui Tavares foi eleito deputado único pelo Livre em 2022, marcando o regresso do partido ao parlamento depois da estreia com Joacine Katar Moreira, e desde então o partido foi aumentando a sua representação parlamentar e ganhando mais espaço à esquerda.

Atualmente, conta com uma bancada de seis deputados e registou o seu melhor resultado de sempre em legislativas no ano passado.

Com 53 anos, Rui Tavares nasceu em Lisboa, é historiador e já desempenhou funções como eurodeputado entre 2009 e 2014, eleito como independente pelas listas do BE.

Diário de Notícias
www.dn.pt