André Ventura, presidente do Chega.
André Ventura, presidente do Chega.Foto: JOSÉ COELHO/LUSA

Chega quer dados a nível nacional sobre casas públicas vazias e "milhões por cobrar em rendas"

Grupo parlamentar do partido de André Ventura avança com iniciativa para uma "radiografia da habitação pública municipal", com ênfase naquilo que as autarquias fazem para cobrar os valores em falta.
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O grupo parlamentar do Chega anunciou, nesta segunda-feira, que vai avançar com um pedido de informação sobre o parque habitacional público municipal, o que deve suceder no âmbito da Comissão de Poder Local da Assembleia da República. O partido liderado por André Ventura pretende, com esta iniciativa, "obter uma radiografia" que permita "perceber não apenas quantas casas existem e quantas estão vazias, mas também quanto dinheiro público está por recuperar em rendas não pagas e o que estão as autarquias efetivamente a fazer para o cobrar".

"O Chega considera que o património habitacional municipal municipal, enquanto recurso público escasso destinado a responder a situações de necessidade, deve estar sujeito a critérios exigentes de transparência, rigor e responsabilidade na sua gestão", defendem os deputados do principal partido da oposição, que estarão a solicitar às 308 câmaras municipais informação sobre o número de fogos públicos existentes a 31 de dezembro de 2025, bem como quantos estavam vazios e "quantos milhões estão por cobrar em rendas".

Também com o argumento da "transparência na gestão de um património público cada vez mais decisivo em plena crise de habitação", o Chega pretende conhecer o valor médio mensal das rendas cobradas pelas autarquias e o montante global de rendas vencidas que se encontram por pagar, tal como as medidas que cada município tem para "prevenir, regularizar e recuperar essas dívidas".

"Estes números assumem particular relevância numa altura em que comprar ou arrendar casa se tornou incomportável para muitas famílias e em que milhares de jovens continuam a adiar a saída de casa dos pais, a constituição de família e outros projetos de vida devido aos elevados custos da habitação", defende o grupo parlamentar liderado por Pedro Pinto.

O Chega detém a presidência de três câmaras municipais (Albufeira, Entroncamento e São Vicente) desde as eleições autárquicas de 2025, tendo Rui Cristina, responsável pela primeira dessas autarquias, sido acusado pelo Ministério Público de discriminação e incitamento ao ódio e à violência. Em causa estiveram declarações do autarca, antigo deputado do PSD e do Chega, numa reunião da Assembleia Municipal de Albufeira, onde terá dito que o município "não iria gastar dinheiro, no âmbito da habitação, com um determinado grupo de cidadãos locais pertencentes a determinada etnia minoritária", acusada de não pagar impostos.

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