Aviões americanos nas Lajes
Aviões americanos nas LajesEPA / ANTÓNIO ARAÚJO

Carneiro não acompanha comissão de inquérito sobre Lajes e acusa Rangel de nervosismo

“No nosso entender, não é necessária uma comissão de inquérito, porque é normal, é regular que o MNE responda às perguntas que lhe são feitas pelos deputados”, disse sobre a comissão de inquérito que PCP e BE já pediram.
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O líder do PS rejeitou na terça-feira, 19 de maio, uma comissão de inquérito sobre a Base das Lajes, mas quer explicações no parlamento do ministro dos Negócios Estrangeiros, que acusa de nervosismo, para esclarecer as declarações do secretário de Estado norte-americano.

“Considerando que países aliados de Portugal - o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Itália - atuaram de forma diferente daquela que foi a atuação do Governo português, o PS tem um dever porque aquilo que nos foi transmitido não corresponde àquilo que foi transmitido pelo Secretário de Estado norte-americano”, respondeu José Luís Carneiro, em entrevista ao NOW, sobre a polémica em torno do uso da Base das Lajes.

Na perspetiva do secretário-geral do PS, o dever do seu partido é exigir “o escrutínio no Parlamento, nomeadamente na Comissão dos Negócios Estrangeiros”, audição do ministro Paulo Rangel que os socialistas já pediram no parlamento.

“No nosso entender, não é necessária uma comissão de inquérito, porque é normal, é regular que o ministro dos Negócios Estrangeiros responda às perguntas que lhe são feitas pelos deputados”, disse, quando questionado sobre a comissão de inquérito que PCP e BE já pediram.

Para José Luís Carneiro, a “pergunta é simples”.

“Se aquilo que disse o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, não corresponde à verdade daquilo que se passou, o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros transmite essa mensagem em sede própria e com certeza que as questões ficam esclarecidas”, desafiou.

Sobre Paulo Rangel, o líder do PS disse compreender “o desconforto”, mas considerou que “não justifica tanto nervosismo”. 

“O primeiro-ministro contactou-me no dia 27 de fevereiro para perguntar a posição do PS sobre o uso da Base das Lajes. (…)  E aquilo que eu disse foi que nós éramos contrários a uma intervenção militar feita à margem das Nações Unidas” e do direito internacional, referiu, enfatizando que já tinha dito o mesmo no parlamento perante Luís Montenegro.

Segundo o secretário-geral do PS, o Governo transmitiu que “colocou três condições em relação ao uso da base das lajes” e os socialistas consideraram que “essa justificação era uma justificação válida”.

“O uso da Base das Lajes seria feito não para atos de guerra, mas para operações de logística e para apoio logístico a ações de retaliação, desde que fundamentadas, justificadas e proporcionais e nunca contra alvos civis. Nós concordamos com estas condições que o Governo colocou e dissemo-lo na Assembleia da República”, disse.

No entanto, de acordo com Carneiro, aquilo que Marco Rubio veio “afirmar, para todo o mundo, é que Portugal disponibilizou a utilização sem perguntar para que efeito”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros escusou-se na terça-feira a “falar mais” sobre o uso da base das Lajes pelos Estados Unidos nos ataques ao Irão, argumentando que já foi “muito claro” e “o tempo da clareza agora é para outros”.

Rangel insistiu que não vai “falar mais sobre isso”, convidando a fazê-lo “quem lançou a confusão”, sem nunca mencionar explicitamente o PS, cuja posição sobre esta matéria o ministro condenou “veementemente” na véspera.

Os pedidos do PS para audição de Rangel e do PCP e BE para uma comissão de inquérito surgiram na sequência de declarações do secretário de Estado norte-americano na quinta-feira, quando elogiou Portugal por aceitar o pedido dos Estados Unidos para utilizar a base das Lajes no conflito com o Irão.

Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse que essa autorização foi dada ainda antes de Portugal saber qual seria o pedido.

No mesmo dia, o ministério esclareceu em comunicado que “o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”.

Segunda-feira, Rangel condenou a posição do PS sobre este tema, garantindo que o partido foi “informado e consultado previamente”.

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