Carneiro justifica luz verde ao Orçamento com crises interna e externa
O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, defendeu esta sexta-feira (23 de outubro) a viabilização do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), sustentando que uma crise política agravaria as dificuldades económicas sentidas pelas famílias portuguesas num contexto de forte instabilidade geopolítica.
O dirigente comentou ainda a polémica em torno do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), considerando "infelizes" as palavras do seu presidente sobre a necessidade de sacrifício dos jovens, embora tenha remetido qualquer decisão de demissão para o primeiro-ministro.
Em declarações prestadas em Ermesinde, no concelho de Valongo, à entrada para um plenário de esclarecimento sobre o OE2027, o líder socialista rejeitou qualquer precipitação na posição adotada pelo partido e assinalou que o país enfrenta "uma crise muito expressiva no custo de vida", visível na alimentação, energia, combustíveis e acesso à habitação.
"Imaginem que eu votava contra o orçamento e que criávamos com isso uma crise política no país. Essa crise política iria agudizar, iria tornar mais aguda a dificuldade que as pessoas já estavam a passar, num momento em que o mundo está perigoso", alertou.
Carneiro enumerou conflitos armados e tensões institucionais no plano internacional — destacando Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos e Brasil —, para insistir que a prioridade socialista passa por evitar um novo ciclo eleitoral consecutivo e apresentar propostas de alteração em sede de especialidade.
Recusa em pedir a saída do líder do IHRU
O tema da habitação marcou também a intervenção de José Luís Carneiro, motivado pela recente controvérsia protagonizada por Benjamim Pereira.
O presidente do IHRU questionara se as novas gerações estariam dispostas a realizar os mesmos sacrifícios que as anteriores, evocando a emigração da sua família para conseguir comprar casa — declarações que o próprio responsável e o ministro da tutela, Miguel Pinto Luz, já tinham entretanto classificado como infelizes.
Questionado sobre a continuidade do dirigente, ao contrário do Bloco de Esquerda — que exigiu a saída imediata —, o líder do PS optou por não reivindicar formalmente a demissão: "Ele próprio se retratou dando conta de que eram palavras infelizes. Já nos tinha chegado aquela frase relativa ao egoísmo dos jovens da responsabilidade do primeiro-ministro. Temos agora o responsável do IHRU, que em vez de se concentrar naquilo que tem de se concentrar, vem considerar que os mais jovens têm de fazer sacrifícios."
Carneiro contrapôs, sublinhando que os jovens já enfrentam constrangimentos graves, retardando a saída de casa dos pais ou recorrendo a habitação partilhada devido à subida acelerada das rendas e dos preços no setor.
O dirigente socialista apontou números recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) para criticar a gestão governamental da crise habitacional e garantiu que o PS levará a debate medidas destinadas a reforçar a confiança entre proprietários e inquilinos, designadamente através de um programa de habitação acessível.
