O secretário-geral do PS considerou esta quinta-feira, 19 de fevereiro, “um erro” que o primeiro-ministro não tenha aceitado a sua proposta de prorrogar a situação de calamidade devido ao mau tempo nem de a alargar a municípios não abrangidos.À entrada para a primeira sessão de uma ronda que vai fazer, enquanto recandidato à liderança do PS, pelo país para ouvir a sociedade civil e os militantes do PS, José Luís Carneiro foi questionado pelos jornalistas sobre o debate quinzenal desta tarde.“Em primeiro lugar, [Luís Montenegro] não respondeu afirmativamente a uma proposta que fiz que era muito útil aos municípios portugueses, nomeadamente prorrogar o tempo da calamidade e, por outro lado, incluir vários municípios que tinham necessidade de estar na declaração de calamidade para efeitos de apoio e de investimento público”, referiu.Para o líder socialista, “é um erro que o Governo não tenha aceitado essa proposta”. “Hoje fomos contactados pelo gabinete do primeiro-ministro, ao fim do dia, para uma reunião na próxima quarta-feira. Devo dizer que nós ainda não tínhamos verificado se era possível ou não, mas já vi que foi noticiado o facto de termos sido convocados. Eu gostaria que o Governo não fizesse ao PS aquilo que fez também à UGT, que é marcar as reuniões e sem que nós confirmemos a presença, anunciar a nossa presença”, criticou.De acordo com Carneiro, “é bom que as pessoas tenham, por um lado, respeito para o diálogo que deve existir do ponto de vista institucional”.“Estou disponível para que assim aconteça, mas não pode ser também com um modelo de imposição da parte do Governo”, avisou.O Governo vai reunir-se na quarta-feira com todos os partidos políticos com assento parlamentar para discutir o programa “Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR), cujas linhas gerais vão ser aprovadas na sexta-feira em Conselho de Ministros.As reuniões vão realizar-se na residência oficial do primeiro-ministro e começarão às 10:00, com o JPP, e prosseguem ao longo do dia com os partidos por ordem crescente de representatividade na Assembleia da República, estando a última marcada para as 17:00, com o Chega, disse à Lusa fonte do gabinete de Luís Montenegro.O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou hoje o desafio do líder do PS, José Luís Carneiro, para prorrogar a situação de calamidade devido ao mau tempo, assegurando que os mecanismos de recuperação serão para todo o território.PS dá luz verde a ‘lay-off’ a 100% O líder socialista anunciou ainda a concordância com a apreciação parlamentar de Livre, PCP e BE para que o lay-off na resposta ao mau tempo seja pago a 100%, medida que será aprovada porque o Chega também votará a favor.“A proposta que trazem os partidos à nossa esquerda [Livre, PCP e BE] naturalmente só pode ter a concordância do PS na medida em que o PS foi o primeiro partido, nas propostas que enviou ao primeiro-ministro e que apresentou também esta semana, a defender que o ‘lay-off’ deveria ser assumido na sua integralidade por parte do Estado”, disse.O secretário-geral do PS foi questionado sobre a apreciação parlamentar, apresentada por Livre, PCP e BE, do decreto do Governo que cria o regime de 'lay-off' simplificado após o temporal que assolou o país, propondo que o salário dos trabalhadores abrangidos por este instrumento seja pago a 100% e não a dois terços, como está definido.“Nós fomos mesmo o primeiro partido que veio defender o ‘lay-off’ a 100%, como aliás tinha acontecido durante a pandemia. Voltamos a reiterar nas propostas que apresentei que o ‘lay-off’ deveria ser assegurado pelo Estado, nomeadamente a percentagem de 33% que não está assegurado naquilo que é a aplicação regular da lei”, enfatizou.A proposta de Livre, PCP e BE deverá ser assim viabilizada já que, na quarta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, já tinha anunciado que o seu partido iria aprovar esta apreciação parlamentar.