No encerramento das jornadas parlamentares do CDS-PP, esta terça-feira (24), os discursos tiveram uma nota dominantes: as críticas contundentes ao Partido Socialista, quer pela sua posição em relação às eleições para órgãos externos ao parlamento, quer pela recente deslocação do seu secretário-geral, José Luís Carneiro, à Venezuela. No seu discurso de encerramento, o líder centrista, Nuno Melo, acusou o PS de “sequestrar a democracia” e não aceitar os resultados das últimas eleições legislativas, apontando o bloqueio no funcionamento de instituições como o Tribunal Constitucional.“A democracia não pode ficar sequestrada porque o PS não aceita resultados eleitorais”, afirmou o também ministro da Defesa, afirmando que o "regular funcionamento das instituições" deve ser "respeitado por todos os partidos com responsabilidades governativas". Segundo o presidente do CDS, o atual impasse demonstra que os socialistas "ainda não aceitaram" a nova correlação de forças saída das urnas.Nuno Melo sublinhou ainda que o PS “já não é a segunda força política”, apelando a que o partido reconheça o seu novo estatuto parlamentar. “A democracia é a expressão do povo livre”, frisou, lembrando que o próprio CDS já esteve fora do parlamento e regressou através do voto: "O CDS pode dar-se a si próprio como exemplo, porque quando os resultados na democracia não são os que nós desejamos, o que temos a fazer é lutar e trabalhar para sermos maiores, para crescermos, para vencermos as nossas eleições, não é bloquear a democracia em modo de contestação à vontade popular."Centristas dizem que viagem de Carneiro à Venezuela foi "irresponsável"Outro dos temas dominantes foi a visita de José Luís Carneiro à Venezuela, também criticada pelo deputado João Almeida ao longo das jornadas. Nuno Melo considerou que o secretário-geral do PS “não esteve num dos seus melhores momentos” e acusou-o de legitimar instituições venezuelanas que, disse, excluem a oposição. "O Parlamento Europeu tem condenado há anos o que se passa na Venezuela, e nós devemos estar alinhados com essas posições”, afirmou o líder centrista, defendendo que há matérias em que “a pequena política não pode transigir”.Nuno Melo reforçou ainda que Portugal deve manter uma posição “clara e coerente” na defesa dos direitos humanos, alertando para a necessidade de uma política externa alinhada com os valores democráticos europeus. E garantiu que "o CDS fica do lado dos jovens que também na Venezuela são detidos em universidades por delitos de opinião, e do lado daqueles que também na Venezuela lutam todos os dias porque querem ser livres e querem viver em democracia".Também o deputado João Almeida foi particularmente duro, numa intervenção anterior dedicada aos casos da Venezuela e do Irão, classificando a deslocação de Carneiro como “extemporânea, imprudente e irresponsável”, descreve o Expresso. Almeida alertou para os riscos de uma “diplomacia paralela”, sublinhando que a condução da política externa cabe ao Governo e deve seguir os canais institucionais próprios.Segundo João Almeida, a visita pode ter consequências negativas para a comunidade portuguesa e luso-descendente naquele país, além de poder ser instrumentalizada por um regime que considera ilegítimo. O centrista criticou ainda encontros com responsáveis governamentais venezuelanos e declarações elogiosas de Carneiro sobre universidade venezuelanas que, acusa o deputado, ignoram que "nessas universidades foram presos professores e presos alunos só porque tinham uma opinião diferente".com Lusa.Ministro acusa PS de querer “manter omnipresença nos órgãos do Estado”.Assunção Cristas sem bala mágica para a natalidade