José Manuel Pureza, líder do Bloco de Esquerda.
José Manuel Pureza, líder do Bloco de Esquerda.FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

BE quer mais meios e sanções para garantir declarações de património de políticos

José Manuel Pureza estranha que a extrema-direita e os partidos que compõem o Governo "nada digam" sobre as dificuldades da Entidade da Transparência no acompanhamento do cumprimento destas obrigações legais.
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O coordenador do Bloco de Esquerda defendeu esta quarta-feira, 16 de setembro, o reforço dos meios da Entidade para a Transparência e a criação de sanções quando há incumprimento das obrigações de declaração de rendimentos e património de titulares de cargos políticos.

“Entrámos ontem [terça-feira] com iniciativas legislativas que dizem respeito precisamente à dotação da Entidade para a Transparência de meios para fiscalizar, à fixação da obrigação de declarar com coimas se isso não acontecer e, enfim, a um outro conjunto de disposições que permita que a lei seja aplicada, ou seja, que haja uma fiscalização efetiva”, destacou José Manuel Pureza.

À entrada de uma visita à Escola EB 2, 3 Martim de Freitas, na cidade de Coimbra, o líder do BE recordou que havia questionado recentemente o Tribunal Constitucional e a Entidade para a Transparência sobre a forma como está a ser efetuado o controlo das declarações de rendimentos e património dos titulares de cargos políticos.

“Essa obrigação existe na lei, há já muitos anos, e o Bloco de Esquerda perguntou a estas duas entidades o que é que estava a ser feito. E ontem [terça-feira] veio a resposta, por parte do Tribunal Constitucional e da Entidade para a Transparência, dizendo que a situação é extremamente preocupante, muitíssimo grave”, referiu.

Segundo o dirigente bloquista, as respostas recebidas revelam dificuldades no acompanhamento do cumprimento destas obrigações legais, que exigem a apresentação de declarações patrimoniais no início e no final do exercício de funções.

“O Tribunal Constitucional diz que nós não temos nenhuma lista dos titulares de cargos políticos a quem incumbe essa obrigação e a Entidade para a Transparência diz que os eleitos têm a obrigação de declarar o seu património à entrada para o desempenho dessas funções e à saída para ver se não há nenhum enriquecimento indevido em virtude do exercício desse cargo”, afirmou.

De acordo com José Manuel Pureza, a entidade responsável pelo controlo das declarações dispõe atualmente de uma estrutura reduzida e não tem acesso a informação sistematizada que permita identificar todos os responsáveis obrigados a apresentar declarações de património e rendimentos.

Aos jornalistas disse ainda estar surpreendido com o facto de "a extrema-direita, que está sempre tão ansiosa por dizer coisas sobre corrupção, nada diz sobre este assunto".

"Os partidos do Governo nada dizem sobre este assunto. O Bloco de Esquerda o que fez foi primeiro perguntar, obtendo uma resposta", indicou.

A Entidade para a Transparência reconheceu que não concluiu a verificação de todas as declarações únicas de interesses e rendimentos do atual Governo, sublinhando que há processos a aguardar decisões do Tribunal Constitucional sobre que informação declarar.

A informação consta de uma resposta escrita, datada de 28 de agosto, do órgão responsável por fiscalizar a declaração única de rendimentos, património e interesses dos titulares de cargos políticos a perguntas feitas pelo Bloco de Esquerda, no final de julho, na sequência das notícias que davam contam de que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, não entregou declarações únicas enquanto esteve à frente da Polícia Judiciária (PJ).

José Manuel Pureza, líder do Bloco de Esquerda.
Transparência não verificou todas as declarações de interesses e rendimentos do atual Governo
José Manuel Pureza, líder do Bloco de Esquerda.
Caso Luís Neves. Rendimentos não declarados, comissão de inquérito e... "ainda bem"
José Manuel Pureza, líder do Bloco de Esquerda.
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