André Ventura propôs nesta quinta-feira, a três dias de os portugueses serem chamados às urnas para escolherem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que a segunda volta das eleições presidenciais seja adiada para o domingo seguinte, 15 de fevereiro."A segunda volta já estava prevista no calendário, mas isto é que não estava previsto. O que eu noto no país é que a última preocupação das pessoas no terreno são as eleições. As pessoas estão sem casa, sem bens, estão a passar mal. Acho que não é injusto nem desproporcional dizer que temos uma grande parte do país em estado de calamidade, que é uma evidência e a noite passada veio reforçar isso, francamente não temos condições para termos eleições marcadas e disputadas neste momento. Isto tem um grande risco e uma grande dose de incerteza, mas acho que não devemos perder o sentido de dizer ao país que neste momento estamos ao lado das pessoas", afirmou esta quinta-feira, num almoço com autarcas do Chega, em São Bartolomeu de Messines, no concelho algarvio de Silves."Há zonas em que não vai ser possível votar. Como é que podemos votar tranquilamente nas nossas zonas sabendo que em Leiria ou em Alcácer do Sal as pessoas estão sem casa? Vou propor ao Presidente da República e aos vários presidentes de Câmara adiar o ato eleitoral por uma semana", acrescentou."Neste momento a prioridade é estar ao lado das pessoas. É o último apelo que faço, aqui desde o Algarve, e espero que seja ouvido, porque o nosso país merece mais", reiterou.O sufrágio, no qual o candidato apoiado pelo Chega concorre com o socialista António José Seguro, está marcado para este domingo, 8 de fevereiro..Chega vai propor regime penal especial para assaltos "nesta tragédia" .O candidato presidencial anunciou ainda que o grupo parlamentar do Chega, fortemente representado no almoço de campanha - Pedro Pinto, Rui Paulo Sousa, Pedro Frazão, Patrícia Carvalho, Rita Matias, Madalena Cordeiro, Rui Cardoso e Ricardo Reis deslocaram-se a São Bartolomeu de Messines - irá propor um regime penal especial em resposta "aos assaltos, roubos e destruição" que estão a ocorrer na sequência dos fenómenos meteorológicos que afetaram o território nacional."Quem, no meio desta crise, desta tragédia, anda a roubar as pessoas tem mesmo de ir para a prisão", disse Ventura, que garantiu ir procurar um consenso entre todos os partidos para que haja um regime que descreveu como equivalente ao que sucedeu durante a pandemia de covid-19. Disse, a propósito, que irá contactar o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na qualidade de líder do PSD.Mas o candidato presidencial também retomou críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, feitas quando o Presidente da República em final de mandato se deslocou ao Vaticano, para uma audiência papal. Nesse sentido, Ventura apelou a que, "mesmo que o adiamento das eleições ocorra, todos percebam que temos de estar ao lado das populações". E salientou que o Chefe de Estado tem uma viagem marcada para Espanha no próximo sábado, "para estar com o rei de Espanha ou com a rainha de Espanha". .Marcelo admite adiamento das eleições em zonas afetadas e diz que situação em Alcácer é "a mais grave" do país.No domingo, realiza-se, em todo o território nacional, o segundo sufrágio da eleição do Presidente da República, mas a Comissão Nacional de Eleições (CNE) indica que, na sequência das recentes intempéries, foi necessário ajustar alguns locais de voto em determinados concelhos ou freguesias, para garantir o normal funcionamento das mesas de voto.Em comunicado, a CNE recomenda que os eleitores confirmem o seu local de voto através do número 3838 ou em www.recenseamento.mai.gov.pt.