O líder do Chega recusou esta quarta-feira, 6 de maio, que a proposta de redução da idade da reforma seja absurda ou irrealista, como considerou o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, e voltou a colocar esta medida como condição para aprovar as alterações laborais.Em declarações no parlamento, André Ventura defendeu que as pessoas não estão contentes com a idade da reforma e afirmou que “as coisas mais saudáveis da história foram feitas por pessoas que acreditavam que aquilo que não parecia possível, se torna possível”. .CIP deixa cair alterações na não reintegração após despedimento ilícito e cede no 'outsourcing'.Questionado se a redução da idade da reforma é uma condição para aprovar as alterações à lei laboral e se votará contra caso não seja aceite, respondeu: “É evidente, senão não estava aqui agora a falar-vos sobre isto”, depois de ter dito também que “não é questão de votar contra ou a favor”.“É evidente que isto é um ponto importante e é evidente que isto é uma questão relevante, porque ninguém quer discutir, porque é tabu, todos acham, todos estão sempre preocupados se vão ganhar votos ou perder votos. Vocês já se habituaram a perceber que eu não quero saber, eu acredito que isto tem de ser levado até ao fim”, indicou também.Sobre as críticas de Pedro Passos Coelho, que classificou como absurda e irrealista a proposta do Chega de baixar a idade da reforma, o presidente do Chega começou por desvalorizá-las, afirmando que o antigo primeiro-ministro “tem todo o direito de defender que não se deve baixar a idade da reforma”..Pedro Passos Coelho considera absurda e irrealista proposta do Chega de baixar idade da reforma. “É legítimo. Já discordámos no passado, certamente discordaremos no futuro em muitas matérias”, afirmou, acrescentando: “O que eu acho absurdo e irrealista é as pessoas pagarem os impostos que pagam hoje em Portugal, terem uma carga de impostos indiretos das mais elevadas, pagarem 23% de IVA, pagarem 11% de Segurança Social, as empresas pagarem TSU e termos que trabalhar cada vez mais antes e sabendo que vamos receber cada vez menos”.André Ventura considerou que “os portugueses trabalham tempo demais” e que “é preciso começar gradualmente a inverter este ciclo”.O líder do Chega defendeu a sustentabilidade da sua proposta, mas não adiantou o impacto que poderá ter.Na véspera da apresentação da proposta do partido para alterar a Constituição, André Ventura voltou a manifestar esperança que os outros partidos vão a jogo, mesmo depois de o PSD ter remetido “para uma segunda fase da legislatura".“Pelo que ouço dos outros líderes partidários vamos ter mesmo pelo menos um processo de revisão constitucional, depois vamos ver se o processo vai avante, se não vai avante, se conseguimos concretizar algumas mudanças. Mas acho que é legítimo dizer que neste momento, seja agora em 2026, seja no prolongar dos trabalhos para 2027, temos condições mesmo de mudar a Constituição ao longo desta legislatura”, afirmou.Ventura disse esperar uma revisão feita “pelo menos à direita e ao centro-direita”, mas considerou também que o PS “não poderá dar-se à luz de ficar fora e terá que se juntar também ao processo” que vai ser desencadeado pelo seu partido.Quanto às propostas que vão o partido vai entregar, o presidente do Chega indicou que serão aquelas que o partido tem defendido e que fizeram parte do programa com que se apresentou a votos, como a redução do número de deputados e titulares de cargos públicos, ou a prisão perpétua, apesar de admitir ter “pouca esperança” de que algumas propostas sejam aprovadas.André Ventura indicou também que o seu partido quer fazer alterações no âmbito da Justiça, na “despartidarização do Estado”, e quer a criminalização do enriquecimento ilícito dos titulares de cargos públicos, “o plasmar da estrutura económica na Constituição” ou introduzir os direitos dos animais na Lei Fundamental.