Alexandra Leitão defende que o PS não deve colocar-se de fora do atual processo de revisão constitucional, iniciado pelo Chega e sem adesão do PSD. “O Partido Socialista não deve apresentar um projeto de revisão constitucional neste momento. Noutro momento se verá”, afirmou a antiga ministra.Para Alexandra Leitão, membro da comissão política nacional, a Constituição não está na origem dos problemas do país. “Não há nenhum problema no país relativamente ao qual a Constituição seja a causadora”, disse. A dirigente socialista acrescentou que a lei fundamental deve é ser “integralmente cumprida”, recordou, remetendo para as declarações de António José Seguro. A antiga governante rejeita também que a Constituição funcione como travão ao desenvolvimento. “Não creio que haja algum problema em que a Constituição seja, neste momento, um entrave ao nosso desenvolvimento enquanto país”, afirmou. Sem consenso político para avançar, o PS deve ficar fora do processo: “Acho que não há consenso algum em torno da revisão da Constituição” e, por isso, “o Partido Socialista não deve apresentar projetos”.Questionada sobre as matérias que poderiam integrar uma eventual proposta socialista, tendo em conta o trabalho feito há dois anos na comissão parlamentar de revisão constitucional e a intenção do PSD de remeter o tema para 2027, Alexandra Leitão apontou temas já identificados pelo PS no projeto apresentado em 2022.Entre eles estão a digitalização e a inteligência artificial, “uma vez que o artigo da Constituição nesta matéria está um pouco desatualizado”. Outra área é a dos metadados, depois de a lei que permitia o acesso a estes dados no âmbito da investigação criminal ter sido posta em causa por acórdãos do Tribunal de Justiça da União Europeia e do Tribunal Constitucional. Essa matéria, defendeu, “mereceria um acerto na Constituição”.A dirigente socialista referiu ainda a figura do recurso de amparo, ponderada pelo PS em 2022, isto é, a possibilidade de os cidadãos se dirigirem diretamente ao Tribunal Constitucional.Apesar de admitir a existência de temas para uma eventual revisão, Alexandra Leitão insiste que este não é o momento para abrir o processo. “Há alguns aspetos. Mas, repito, não tem neste momento de acontecer no contexto de uma revisão iniciada pelo Chega, à qual o PSD já disse que não irá aderir”, afirmou.A antiga ministra alertou também para “o contexto das maiorias que se formam neste momento na Assembleia da República”, para concluir que um novo projeto de revisão constitucional “não seria necessário” e “provavelmente útil”..Chega avança com revisão constitucional em ‘timing’ que PSD possa vir a aceitar