Presidente do Governo regional da Madeira, o social-democrata Miguel Albuquerque
Presidente do Governo regional da Madeira, o social-democrata Miguel AlbuquerqueHOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Albuquerque avisa que deputados do PSD eleitos pela Madeira poderão passar a “grupo independente”

“Se os deputados da Madeira começam a ser sancionados por defender os interesses da região, nós temos outras opções no quadro parlamentar para podermos tomar”, avisou líder da estrutura regional.
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Os três deputados do PSD/Madeira na Assembleia da República poderão passar a “grupo independente” se forem sancionados pela direção nacional do partido por defender os interesses da região, avisou esta quinta-feira, 19 de fevereiro, o líder da estrutura regional, Miguel Albuquerque.

“Se os deputados da Madeira começam a ser sancionados por defender os interesses da região, nós temos outras opções no quadro parlamentar para podermos tomar”, afirmou, realçando que “o PSD/Madeira não se verga a ninguém e muito menos quando estão em causa os interesses da região”.

Miguel Albuquerque, que falava à margem da inauguração das novas instalações do Instituto de Mobilidade e Transportes da região, no Funchal, onde se deslocou na qualidade de presidente do Governo Regional (PSD/CDS-PP), reagia à aprovação das propostas de alteração ao subsídio social de mobilidade, na quarta-feira, na Assembleia da República.

Os diplomas foram viabilizados com os votos contra das bancadas do PSD e do CDS-PP (partidos que suportam o Governo), com a exceção dos seis deputados sociais-democratas eleitos pelas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, que votaram a favor.

Os deputados do PSD Paulo Moniz, Francisco Pimentel e Nuna Menezes, eleitos pelo círculo dos Açores, e Pedro Coelho, Vânia Jesus e Paulo Neves, eleitos pelo círculo da Madeira, exerceram o direito de liberdade de voto que tinha sido anunciado previamente pelo líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, mas não intervieram na discussão.

“Se os deputados da Madeira forem sancionados ou voltarem a ser condicionados no uso da palavra em defesa dos interesses da região, nós vamos tomar uma atitude. É isso que tenho apenas para dizer”, afirmou Miguel Albuquerque, avisando que os três eleitos poderão passar a “grupo independente”.

O chefe do executivo madeirense e líder do PSD regional considerou, por outro lado, que o Governo e a direção nacional do partido sofreram uma “pesada derrota no parlamento nacional”, com a aprovação dos diplomas para alterar o novo regime do subsídio de mobilidade.

Albuquerque classificou também como “lamentável” a discurso da direção da bancada parlamentar do PSD sobre a matéria.

“Foi um discurso arrogante, centralista e apatetado, de certa maneira, porque, no fundo, veio atacar de forma acintosa os direitos dos madeirenses e dos açorianos, como se o direito à mobilidade fosse uma dádiva da República, ou um favor que estivessem a fazer aos residentes das ilhas”, sustentou.

O líder social-democrata madeirense sublinhou que os eleitos pela região “estiveram do lado certo, do lado da autonomia, do povo da Madeira e dos interesses dos madeirenses e porto-santenses”, reiterando que, se continuarem sujeitos à “lei da rolha”, a direção regional do partido vai “repensar” a relação com a estrutura nacional.

“O Governo foi derrotado e bem derrotado numa questão que quis teimar contra os madeirenses e contra os açorianos. Isto é um disparate, tudo o que se está a passar”, afirmou, reforçando: “Foram tocar num assunto e manter uma posição que é insustentável do ponto de vista constitucional.”

Albuquerque considerou ser fundamental que o Governo e a direção nacional do PSD “emendem a mão” e voltem a “tratar dos assuntos da região que têm de ser resolvidos”, como a revisão da Lei das Finanças Regionais, o segundo meio aéreo de combate a incêndios, as dívidas dos subsistemas de saúde e a reabilitação das esquadras da PSP degradadas.

“Neste momento, resta saber se o governo central vai seguir esta deriva centralista, ou se vai emendar a mão, no sentido de tentarmos resolver os problemas que têm de ser resolvidos entre a região e a República e que tardam em ser resolvidos”, reforçou.

A Assembleia da República aprovou quarta-feira, na generalidade, duas propostas de lei dos parlamentos regionais dos Açores e da Madeira que dispensam a exigência de situação contributiva regularizada no acesso ao subsídio social de mobilidade (SSM) nas viagens aéreas.

Foi ainda aprovado um diploma do Chega, com os votos contra de PSD, CDS-PP e IL, e a abstenção de Livre e PCP, que defende a simplificação do SSM, propondo que a designação seja substituída por “Direito à Compensação por Continuidade Territorial” e que a atribuição deste subsídio “implica a compra e a utilização efetiva do bilhete corresponde ao pagamento de um valor variável sem um limite máximo”.

Com a aprovação na generalidade, estes três diplomas baixam à 14.ª Comissão das Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, para discussão na especialidade.

As apreciações parlamentares querem alterar a portaria do Governo PSD/CDS-PP que define o modo de apurar o valor do subsídio social de mobilidade, que introduziu como critério para acesso ao reembolso das passagens a “regularidade da situação contributiva e tributária do beneficiário, perante a Segurança Social e a Autoridade Tributária e Aduaneira”.

A medida, entretanto suspensa até 31 de março, gerou contestação dos executivos regionais e dos partidos políticos dos Açores e da Madeira, que acusaram o Governo da República de discriminar os cidadãos das regiões autónomas.

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