O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, com o homólogo ucraniano, Ruslan Stefanchuk.
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, com o homólogo ucraniano, Ruslan Stefanchuk.FOTO: Reinaldo Rodrigues

Aguiar-Branco diz ao seu homólogo Stefanchuk que o povo ucraniano sabe que não há paz sem liberdade

Presidente do parlamento da Ucrânia recebido no hemiciclo com palmas e de pé, por deputados de todas as bancadas, desde o Chega ao Bloco de Esquerda, mas o PCP não se fez representar nesta cerimónia.
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O presidente da Assembleia da República salientou esta quarta-feira, 6 de maio, que o povo ucraniano sabe que não há paz sem liberdade e que os valores pelos quais luta dizem respeito “a todos”, porque correspondem ao cerne do projeto europeu.

Esta foi uma das principais mensagens transmitidas por José Pedro Aguiar-Branco no discurso que proferiu na cerimónia de boas-vindas ao presidente do parlamento da Ucrânia, Ruslan Stefanchuk, na Assembleia da República. Uma sessão em que o Governo português se fez representar pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim.

Na abertura da sessão, Ruslan Stefanchuk foi recebido no hemiciclo com palmas e de pé, por deputados de todas as bancadas, desde o Chega ao Bloco de Esquerda, mas o PCP não se fez representar nesta cerimónia, tal como aconteceu esta manhã, quando o presidente do parlamento ucraniano se reuniu com representantes dos partidos.

Após o discurso do presidente do parlamento ucraniano, José Pedro Aguiar-Branco usou da palavra e sustentou que as palavras que escutada por parte do seu homólogo, Ruslan Stefanchuk, permitiram uma conclusão: “Tudo o que fizermos, ou não fizermos, enquanto europeus, nesta fase, em relação à Ucrânia, terá consequências diretas no futuro do próprio projeto europeu”.

“Porque o projeto europeu é uma construção de paz, não uma construção contra alguém. É uma construção baseada na ideia de respeito pela integridade territorial, pelo Estado de direito, pela liberdade dos povos de se exprimirem e de fazerem as suas escolhas”, advogou.

Segundo o presidente da Assembleia da República, “a força do projeto europeu reside, precisamente, nos ideais que encarna: democracia e liberdade”.

“O povo ucraniano luta pela sua democracia e pela sua liberdade, pelo direito à soberania do seu país e à integridade do seu território, pela possibilidade de escolherem o seu futuro, em liberdade, sem o medo da ameaça das armas”, afirmou.

José Pedro Aguiar-Branco defendeu depois que a Ucrânia “não quis esta guerra, não é a agressora, é a agredida”.

“A Ucrânia luta pelo seu futuro, em liberdade. A Ucrânia quer paz, mas sabe que não há paz sem liberdade”, acentuou.

Na sua intervenção, o presidente da Assembleia da República realçou ainda que, ao fim de quatro anos de intervenção militar russa, o povo ucraniano “continua a lutar pela liberdade, a resistir ao sofrimento causado pela violência das armas, à desumanidade do rapto das suas crianças e aos horrores provocados pela política de desinformação com o objetivo de distorcer os factos”.

“A luta do povo ucraniano permanece hoje no cerne do projeto europeu. O que está em causa são os fundamentos desta construção. E, por isso, o que se passa na Ucrânia diz respeito a todos nós, a todos os que defendem os valores da liberdade e da democracia e querem uma ordem internacional baseada em regras, não na chantagem e no uso da força”, frisou.

Na parte final da sua intervenção, José Pedro Aguiar-Branco referiu hoje foi assinado um memorando de entendimento entre os secretários-gerais dos dois parlamentos.

“Um instrumento que prevê a realização de ações de cooperação a nível técnico, com um impacto muito concreto na aproximação do parlamento ucraniano aos valores europeus que são os nossos. Mais do que um documento formal, é um sinal claro de compromisso e da vontade de construirmos, juntos, um futuro assente na liberdade, na democracia e no respeito pela dignidade humana”, acrescentou o presidente da Assembleia da República.

PSD e CDS-PP acusam PCP de “envergonhar Portugal e os portugueses"

PSD, Chega, IL, CDS-PP e PAN criticaram a ausência do PCP da sessão solene com o presidente do Parlamento da Ucrânia, com sociais-democratas e democratas-cristãos a acusarem este partido de “envergonhar Portugal e os portugueses”.

Depois de a bancada comunista ter estado ausente na cerimónia de boas-vindas ao presidente do Parlamento da Ucrânia, Ruslan Stefanchuk, na Assembleia da República, a líder parlamentar do PCP, Paula Santos, foi recebida com protestos quando entrou no hemiciclo para proferir a sua declaração política, centrada na situação social e económica do país.

Nos seis pedidos de esclarecimento que se seguiram, apenas o PS falou nesse tema, com as restantes bancadas a preferirem criticar o posicionamento do PCP na guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Pelo PSD, o deputado João Antunes dos Santos considerou que “um partido que nega que foi a Rússia que invadiu a Ucrânia e se nega a receber o presidente do parlamento ucraniano” está “desfasado do que pensam os portugueses”.

“Os portugueses hoje, mais uma vez, estarão envergonhados com a vossa atitude. O PCP envergonha os portugueses e envergonha Portugal”, acusou.

Na mesma linha, o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, pediu desculpa à Ucrânia pela posição do PCP.

“A vossa declaração política foi a vossa vergonhosa ausência. O PCP é uma vergonha e envergonhou uma vez mais Portugal”, criticou.

Também o líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, acusou o PCP de ter estar “de costas voltas para a Ucrânia por estar ajoelhado perante a Rússia”, enquanto o deputado do Chega Ricardo Reis acusou o PCP de estar do lado errado da história e de já não representar a maioria dos trabalhadores.

A deputada única do PAN, Inês Sousa Real, quis começar o pedido de esclarecimento saudando o presidente do parlamento da Ucrânia e deixou uma pergunta a Paula Santos.

“De hoje para amanha, se a Rússia invadisse Portugal de que lado é que o PCP estaria?”, questionou, recebendo aplausos de deputados do PSD.

Na resposta, a líder parlamentar do PCP acusou os partidos à direita de quererem desviar o debate sobre as condições de vida dos portugueses, “que se agravaram nos últimos meses”, e de representarem os interesses dos grandes grupos económicos, considerando que estão mais próximos do que o PCP da atual Rússia capitalista.

“Empurrar as pessoas para a pobreza, isso é que é uma vergonha”, considerou.

Depois de Paula Santos ter destacado a importância da luta dos trabalhadores contra o pacote laboral, quer no 1.ª de Maio quer na greve geral já convocada pela CGTP para 03 de junho, apenas o deputado do Luís Testa se cingiu ao tema trazido pelo PCP ao plenário.

“O país vive momentos de dificuldade, o país e empresas vivem momentos de dificuldades, já nos habituámos ao Governo não ter respostas”, disse, criticando o deputado do PSD João Antunes dos Santos, eleito por Leiria, por nem sequer ter perguntas sobre os problemas que afetam a sua região.

O PCP manifestou-se hoje contra a visita do presidente do Parlamento ucraniano à Assembleia da República, acusando-o de liderar uma assembleia “antidemocrática que é expressão de um poder suportado por forças xenófobas, belicistas, fascizantes e nazis”.

Num comunicado enviado à hora do início da sessão plenária desta tarde, na Assembleia da República, em que o presidente do Parlamento da Ucrânia, Ruslan Stefanchuk, discursou, o Grupo Parlamentar do PCP acusou o dirigente político ucraniano de representar “um regime suportado por forças de extrema-direita, que ilegalizou 12 partidos políticos e que aprovou a cessação dos mandatos de deputados opositores, eleitos pelo povo ucraniano”.

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