O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, não irá reagir à atitude de Pedro Delgado Alves, que lhe virou as costas no final do discurso na sessão comemorativa dos 52 anos do 25 de Abril. O deputado do PS demonstrou assim o seu descontentamento com os reparos aos excessos nos regimes de incompatibilidades que contribuem para uma presunção de culpabilidade dos titulares de cargos públicos. “Tornamos tantas vezes a política um reality show”, disse Aguiar-Branco.O facto de o deputado se ter levantado do seu lugar, na penúltima fila da bancada socialista, ficando virado de costas para Aguiar-Branco, de braços cruzados e em silêncio, pode constituir uma violação ao Código de Conduta dos Deputados da Assembleia da República, nomeadamente no que toca aos artigos sobre urbanidade e lealdade institucional e sobre os deveres dos deputados, lendo-se numa das suas alíneas que cabe aos eleitos “absterem-se de comportamentos que não prestigiem a instituição”. No entanto, ao que o DN apurou, o presidente da Assembleia da República não irá solicitar um inquérito à Comissão de Ética e Transparência. Algo que só acontecerá se algum partido fizer uma participação, o que se afigura improvável.Por seu lado, Delgado Alves defendeu o protesto. “Não interrompi, nem insultei, não pateei, nem bati na mobília, não fiz apartes ruidosos, nem perturbei a sessão: protestei silenciosa e simbolicamente, durante os mesmos dez segundos que durou o aplauso, numa sessão em que não há interpelações à mesa, contraditório, pedidos de distribuição ou qualquer meio que permitiria representar as pessoas que se têm batido há anos pela transparência da vida pública”, escreveu o socialista, nas suas redes sociais.Apesar do apoio de alguns colegas de bancada, como Isabel Moreira e Miguel Costa Matos, enquanto o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, preferiu criticar o “excesso de caricatura” na intervenção de Aguiar-Branco, o virar de costas de Delgado Alves foi considerado “um gesto vergonhoso” por Ascenso Simões. O ex-deputado socialista perguntou mesmo “por que é que esta gente mimada e mal-educada não vai de vez para a extrema-esquerda”. .Pedro Delgado Alves explica porque virou as costas a Aguiar-Branco na sessão solene do 25 de Abril .Apelo à transparência nos donativos aos partidos e ataques aos "donos de Abril" marcam sessão solene