Ventura apresenta-se como única opção antissistema e contra socialismo

O candidato presidencial do Chega posicionou-se ao longo da campanha eleitoral como a única opção "antissistema" e rotulou como "socialistas" aqueles que considera como os principais adversários: Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes, João Ferreira e Marisa Matias.

André Ventura falou "contra tudo e contra todos", em contexto de pandemia de covid-19 e debaixo de coros de ativistas antifascistas, antirracistas e feministas e de várias comunidades como a dos cidadãos portugueses de etnia cigana ou a LGBT, de sul a norte, do interior ao litoral do país.

"Esta campanha é marcada pelos protestos e pela covid-19, tristemente. Mas é algo com que temos de viver. Qualquer sítio onde vá há protestos e isso desvia sempre a mensagem. (...) Desfoca um bocadinho, mas temos tentado passar a mensagem", disse à agência Lusa.

Seguindo a velha máxima de que não há má publicidade, o líder do recém-formado partido da extrema-direita parlamentar esteve no epicentro da campanha do batom vermelho, que surgiu nas redes sociais em apoio à candidata bloquista após insultos de Ventura.

Até agora, o ex-professor de Direito, antigo inspetor da Autoridade Tributária e também consultor jurídico de empresas, além de comentador desportivo, tinha sido cabeça-de-lista pela coligação PSD/PPM em Loures, nas eleições autárquicas de 2017, nas quais terminou em terceiro lugar, com 22%.

Já com o Chega legalizado, o concorrente ao Palácio de Belém disputou como "Número 1" por Lisboa as legislativas de 2019, tendo conquistado um mandato no parlamento, com 1,29% dos votos (67 826).

"Há aqui três candidatos que estão a disputar o campeonato: Marcelo, com uma grande vantagem, Ana Gomes e eu. Não é uma 'final-four', mas uma 'final-three' (final a três), apesar de acreditar que a Marisa vai ter mais do que o valor residual que lhe é atribuído e o João Ferreira um bocadinho menos", prognosticou.

Num ensaio do partido da extrema-direita parlamentar para as eleições autárquicas de 2021, daqui a cerca de oito meses, "facho", "racista" e "xenófobo" foram alguns dos insultos que Ventura ouviu estrada fora, na medida do seu discurso radical.

Com 11 dos 13 dias de campanha oficial atrás das costas, os conta-quilómetros da comitiva do Chega registam um total de 2 257 quilómetros, com uma média diária de 200 quilómetros.

Ventura voltou a veicular a ideia de que é o herdeiro natural do capital político do histórico líder do PPD (PSD), Sá Carneiro, e até se comparou ao "general sem medo", Humberto Delgado, definindo-se como o futuro "Presidente dos portugueses de bem", após ter tido o apoio da líder da extrema-direita francesa e Europeia, Marine Le Pen, que se deslocou a Lisboa para o efeito.

Na ronda pelos 18 distritos de Portugal continental, o líder do Chega, sempre acompanhado de três elementos de uma empresa privada de segurança pessoal. Foi ainda protegido pelas forças de segurança: PSP, GNR e até Polícia Marítima, conforme as jurisdições.

Perante plateias esmagadoramente constituídas por homens de meia-idade, Ventura recorreu a pausas dramáticas, encenadas coreografias para as televisões e chavões gritados com convicção, que cativam os seus admiradores.

Esta quinta-feira, a caravana da campanha "Venturiana", com um orçamento previsto de 160 mil euros, dirige-se a Évora, retomando uma ação de campanha cancelada na semana passada, após a suspeita de infeção de Marcelo Rebelo de Sousa, com quem Ventura tinha estado dias antes em debate.

O derradeiro dia de apelo ao voto, sexta-feira, vai ser dedicado à Grande Lisboa, num comício de encerramento noturno previsto para a Linha de Sintra, de onde Ventura é natural.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG