Troca de pastas em curso. Medina sai para "facilitar" próximo mandato

Fernando Medina apresentou esta terça-feira a renúncia ao cargo de vereador. Volta ao lugar profissional de origem, na AICEP. Número dois e quatro da lista socialista também renunciaram.

A solução que "melhor serve" a cidade, o funcionamento da câmara e o trabalho da oposição. Foi com esta justificação que Fernando Medina apresentou ontem a renúncia ao cargo de vereador no executivo municipal de Lisboa - uma decisão que já era esperada quer entre os socialistas, quer entre os sociais-democratas. Com este desfecho na autarquia o presidente cessante volta agora ao seu lugar profissional de origem na AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal).

Numa carta enviada ao presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Medina defende que sua saída é a "solução que melhor serve os interesses da cidade, o funcionamento das reuniões do executivo da autarquia e a capacidade de a oposição camarária se concentrar no futuro e não no passado". "A minha saída da câmara municipal facilita a vida aos futuros órgãos da autarquia, reduzindo o nível de pessoalização do debate e concentrando a discussão política na procura de soluções para os desafios do futuro", refere o ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que na próxima segunda-feira dará lugar ao social-democrata Carlos Moedas.

Mas Fernando Medina diz também que não deixará de acompanhar os temas da cidade e faz questão de assinalar, na carta de renúncia, que deixa a autarquia com saúde financeira e projetos no terreno. "Não preciso de exercer qualquer cargo para continuar atento ao desenvolvimento de Lisboa - hoje com uma sólida situação económico-financeira e um vasto conjunto de projetos em curso - continuando sempre civicamente ativo e empenhado no que julgo ser o melhor para a capital do país", escreve o autarca, garantindo que não deixará "nunca de ter uma profunda ligação à cidade".

Com a renúncia do ainda presidente ao cargo de vereador entra no executivo municipal Inês Drummond, que foi presidente da junta de freguesia de Benfica entre 2009 e 2020, quando passou a assessorar a presidência da câmara. Foi ainda deputada municipal.

Também Inês Lobo (arquiteta e número dois da lista, que seria a vereadora do urbanismo em caso de vitória socialista) e Inês Ucha (presidente da Lisboa Ocidental SRU, a empresa municipal de obras públicas, que avançou em quarto na lista) renunciaram ao cargo. Não serão substituídas pelos dois nomes imediatos na lista, que também não ficam na vereação, mas por Pedro Anastácio (líder da Juventude Socialista de Lisboa) e Cátia Rosas (engenheira do Ambiente e que era vogal da junta de freguesia dos Olivais) - o 11º e 12º nomes apresentados por Medina.

Uma transição "tranquila"

As equipas de Fernando Medina e de Carlos Moedas devem encerrar nos próximos dois dias a troca de pastas na Câmara Municipal de Lisboa. Uma troca que fontes ouvidas pelo DN garantem estar a ser "muito tranquila".

Fernando Medina assumiu em pleno a derrota no dia das eleições e garantiu que em nada obstaculizaria a transição de poder. Comprometeu-se a tratar pessoalmente da "transição de todos os dossiers" para Carlos Moedas e a nova equipa. "A democracia expressa-se pelo voto do povo, que decide quem governa, mas faz-se também nos gestos de festejo e nos gestos de concessão", disse.

E deu o primeiro sinal quando convidou o presidente eleito para as cerimónias do 5 de Outubro. Carlos Moedas esteve presente e reconheceu o gesto: "É muito importante estar aqui, é importante, e é importante que as transições sejam feitas com toda esta dignidade que estamos a fazer entre o presidente da câmara e o presidente eleito, é importante para todos nós e para democracia".

No dia 18, além do presidente, tomam posse os restantes 16 vereadores que vão integrar o executivo municipal. Pela coligação Novos Tempos assumem o mandato Filipe Anacoreta Correia (do CDS), Joana Castro Almeida (independente que assumirá a pasta do urbanismo), Filipa Roseta (PSD), Diogo Moura (do CDS, deputado municipal no mandato que agora termina), Ângelo Pereira (presidente da distrital de Lisboa do PSD) e Laurinda Alves (independente). A distribuição de pelouros ainda não é conhecida, mas espera-se que a vice-presidência venha a ser dada ao CDS e no caso a Filipe Anacoreta Correia.

Pelas listas da coligação Mais Lisboa (que juntou o PS, o Livre e as associações Cidadãos por Lisboa e Lisboa é Muita Gente), além dos nomes já referidos, ficam na vereação João Paulo Saraiva (até agora vice-presidente e vereador das Finanças), Rui Tavares (do Livre), Paula Marques (vereadora do Habitação no presente mandato) e Miguel Gaspar (até agora o vereador da Mobilidade). Assumem também funções os dois vereadores eleitos pela CDU - João Ferreira e Ana Jara - e a eleita pelo BE, Beatriz Gomes Dias.

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