Terrorismo e pandemias. Isolados, todos perdem. Exige-se "visão global"

Presidente da República defende na Assembleia Geral da ONU que o combate a fenómenos com a pandemia e o terrorismo implicam "dar mais peso às Nações Unidas".

O Presidente da República discursa esta terça-feira em Nova Iorque, na 76ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Porém, encontrando-se desde sábado nos EUA, Marcelo Rebelo de Sousa já foi antecipando o que dirá.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, acontecimentos como a pandemia covid-19, ou até a forma como os EUA enfrentaram o terrorismo depois do 11 de Setembro de 2001, não podem ser combatidos isoladamente por cada país, ou em "coligação limitada", antes têm de merecer uma resposta "conjunta" e "à escala global".

O Presidente falava com jornalistas no final de uma visita ao centenário Sport Club Português, em Newark, Nova Jérsia. Questionado sobre a intervenção que fará na Assembleia Geral, respondeu que tenciona "chamar a atenção para os problemas que hoje se vivem no mundo: a pandemia, por um lado, a crise económica e social, por outro, e a situação geopolítica". "Veja-se o que aconteceu na sequência da saída do Afeganistão e as movimentações que há geoestratégicas", referiu. Segundo acrescentou, "tudo isso implica um reforço das organizações internacionais, uma capacidade de diálogo". "Isso hoje é urgente, porque temos de prevenir novas pandemias com um tratado global contra as pandemias, temos de reforçar e reformar a OMS, o que significa dar mais peso às Nações Unidas e organizações mundiais. Temos, em termos de clima, de ir mais longe, porque tudo está ligado com tudo."

Dito de outra forma: "Isto necessita de uma resposta global, não pode ser esta resposta país a país, nunca mais resolvemos o problema." "É uma lição que se tirou de tudo, da pandemia, do Afeganistão e da crise: nenhuma potência, mesmo as mais fortes, e os EUA são a potência mais forte no mundo neste momento, mas há outras potências a nível global e regional, consegue sozinha resolver problemas dessa dimensão. Isso implica haver organizações internacionais que funcionem e prevenir antes de remediar."

O Presidente defendeu que também o terrorismo não pode ser vencido por "nenhuma potência, nenhum país, nem nenhuma coligação limitada", exigindo-se antes "abertura a uma visão global" e "o reforço das organizações internacionais". "Isto é, um esforço acrescido, em que Portugal está naturalmente empenhado, em que a UE está empenhada, em que os nossos aliados entre os quais os EUA e no quadro da NATO estamos empenhados, mas tem de ser mais vasta. O terrorismo, o clima, as migrações, as pandemias, as crises económicas e sociais, sendo fenómenos globais, exigem respostas globais", explicou.

"Não podemos esquecer"

Ontem o Presidente visitou em Nova Iorque o memorial do 11 de Setembro, homenageando as vítimas e encontrando-se com portugueses que participaram nas operações de socorro e com uma sobrevivente portuguesa. "Não podemos esquecer", disse.

À sua espera estavam Jimmy Paulo, na ocasião paramédico e estudante de medicina, David Simões, bombeiro, Manny Oliveira, presidente de uma organização de bombeiros voluntários de Newark, e Elizabeth Alves, que sobreviveu aos atentados de há vinte anos. A todos o Presidente da República abraçou.

De mão dada com Elizabeth, que também veio com o filho, o Presidente da República agradeceu a presença de todos: "Muito obrigado por terem vindo. É uma homenagem que tem de ser feita. Foi feita há dez anos pelo Presidente português [Cavaco Silva]. É feita aos vinte anos".

Na altura dos atentados terroristas de 2001, que no total mataram quase três mil pessoas, Elizabeth Alves tinha 27 anos e trabalhava no escritório de um restaurante no World Trade Center. Salvou-se porque na manhã de 11 de Setembro decidiu esperar pela carruagem de metro seguinte. À saída, pelas 8.50, deparou-se com a torre norte já em chamas, segundo contou à Lusa.

Guterres: "Homem certo no lugar certo"

Marcelo falou do encontro que iria ter com António Guterres ainda ontem. Segundo garantiu, Portugal continuará a apoiar as prioridades do secretário-geral da ONU no seu novo mandato, que começa "cheio de esperança". "Vamos ajudar e estamos a ajudar, permanentemente, em tudo: No clima, nas migrações, no combate ao terrorismo, nas missões humanitárias."

Segundo disse, o encontro de hoje será "um encontro de esperança", porque acontece no "começo de um novo mandato de cinco anos cheio de esperança quanto ao papel do secretário-geral e ao papel das Nações Unidas na construção de um mundo melhor". "O secretário-geral acaba de ser reeleito, está a começar um novo mandato e tem as prioridades certas. É o homem certo no lugar certo no momento certo. E essas prioridades são todas apoiadas por Portugal."

joao.p.henriques@dn.pt

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