Rio. "Vou dedicar-me só a ações políticas de oposição ao PS"

O recandidato à liderança do PSD anunciou que não vai fazer campanha interna para as diretas de 27 de novembro. Vai antes organizar programa eleitoral e a campanha para as legislativas.

Rui Rio assumiu o seu papel de líder do PSD em exercício, num mandato que só terminaria em fevereiro, para dizer que não irá fazer campanha interna no PSD contra Paulo Rangel. O recandidato à liderança do partido afirmou que "é prioritário preparar o partido para eleições legislativas" porque, disse, "não podemos desperdiçar esta oportunidade de ganhar as eleições ao PS".

"Vou dedicar-me só a ações políticas de oposição ao PS", garantiu esta terça-feira, na sede nacional do PSD/Porto.

Para vencer as eleições, sustentou, "é preciso fazer um programa de governo, um programa eleitoral que seja exequível". Pelo que irá ouvir pessoas e instituições, preparar a campanha "eficaz" e o marketing para as legislativas.

Como o DN escreveu, embora ainda na perspetiva de Rui Rio ir fazer campanha interna, toda a estratégia do recandidato seria falar para o país, o que faz agora em pleno tendo desistido de ir ao encontro das bases do PSD. Rio argumentou, aliás, que no PSD todos o conhecem e não é por duas ou três semanas de campanha que essa imagem se irá alterar.

Remeteu as iniciativas de campanha interna - com a exceção da deslocação que fará à Madeira e em que tenciona encontrar-se com militantes - para a direção da sua candidatura, que é liderada por Salvador Malheiro, vice-presidente do PSD e líder da distrital de Aveiro.

Rui Rio tentou sempre reforçar a ideia de que o seu papel enquanto líder é "preparar o partido" para as eleições já em janeiro, dia 27, pelo que não se deverá enredar num confronto com o adversário na disputa pela liderança. Sublinhou a ideia de que está em causa a escolha de um primeiro-ministro e daquele que pode "mais facilmente conquistar o voto dos portugueses".​

"Responsabilidade" é uma palavra que usou várias vezes e sem o dizer claramente deu a entender que Paulo Rangel, que nunca nomeou, não terá tempo para preparar devidamente o PSD para o desafio das legislativas antecipadas caso vença as diretas de 27 de novembro.

Usou, aliás, uma pergunta dos jornalistas sobre a entrevista de António Costa, na segunda-feira à RTP, para justificar a sua posição de entrar já em campanha para o país. Alegou que o primeiro-ministro usou aquele espaço para "campanha". "Tenho de proceder da mesma maneira, falar para o país, organizar o programa eleitoral, é isso que o país espera do PSD".

Além disso, acrescentou, "dizer que se quer governar Portugal é de uma enorme responsabilidade e exige concentração". Foi neste sentido também que considerou que seria prejudicial debates televisivos com Paulo Rangel. "Não é uma grande ideia de defesa do PSD", frisou e mostrou-se irónico quando questionado se essa rejeição não podia ser lida como "medo" do confronto com o adversário.

Ou seja, o grande trunfo que o recandidato à liderança joga nesta disputa interna é o facto de estar no exercício das funções e de as ir exercer em pleno. Tem a vantagem competitiva sobre Rangel de ter andado recentemente um mês e meio pelo país e nas estruturas do PSD em campanha para as autárquicas.

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