Rio garante: "É impossível haver uma coligação com o Chega"

Líderes do PSD e do Chega enfrentaram-se esta noite na SIC. Política de alianças à direita dominou a conversa. Rio categórico a recusar governar com o partido de Ventura.

O presidente do PSD recusou esta segunda-feira à noite liminarmente a possibilidade de governar coligado com o Chega. A recusa foi expressa pelo líder do PSD no frente-a-frente que teve com o líder do Chega, André Ventura, na SIC. "É impossível haver uma coligação com o Chega", disse Rio.

No debate, moderado pela jornalista Clara de Sousa, Rio salientou que há "coisas graves" no programa do Chega, "divergências de fundo", nomeadamente o facto de o partido de Ventura se assumir "contra o regime".

Além disso, argumentou, o Chega tem-se revelado "instável" - e deu como exemplo as ameaças de chumbo ao orçamento dos Açores por parte do deputado regional do Chega (que tem um acordo de governação com o governo do PSD) ou o facto de ser "ora contra o SNS ora a favor" ou "ora contra a escola pública, ora a favor".

André Ventura, por outro lado, "não tem mão" no seu partido, como, segundo também referiu, se tem vindo a ver em várias autarquias, onde vereadores do Chega têm viabilizado governações locais do PS e até do PCP.

Assim, disse o presidente do PSD, se chegar o momento de o seu partido apresentar um programa de Governo, o Chega terá apenas de decidir se o viabiliza ou se, chumbando-o, entrega a governação ao PS. "André Ventura tem de decidir se chumba o programa governo do PSD e abre as portas ao PS", afirmou.

Para Ventura, a nega de Rio a uma coligação de governo com o Chega significa que o presidente social-democrata só quer ser "vice-primeiro-ministro" de um governo liderado por António Costa - ou seja, "mete-se nos braços" do PS. Quanto aos partidos à sua direita, confronta-se agora com o facto de o Chega não ser um "partido muleta", como, segundo disse, o CDS sempre foi.

André Ventura não respondeu à questão sobre o que fará se tiver de viabilizar um governo do PSD e não estiver incluído nesse governo. Devolveu a bola a Rio e disse apenas que, ao ser recusado para integrar um governo social-democrata, Rio estará assim a entregar a governação a António Costa.

Segundo afirmou, de qualquer forma o seu partido nunca cederá em questões como a castração química de pedófilos. E o que seu partido quer, para estar no Governo, é ter a capacidade de fazer "uma reforma a sério da subsidiodependência" que passe, por exemplo, pelo fim da possibilidade de os políticos reclusos continuarem a receber as suas pensões vitalícias. "Ninguém vota no Chega para ser muleta do PSD, para nós é preciso conversar para haver um Governo que afaste António Costa, o Chega está disponível para conversar no pós 30 de janeiro", assegurou ainda - mas não sem, pelo meio, estar permanentemente a acusar o PSD de ter sido o principal aliado da governação do PS na legislatura que agora se encerra.

Neste aspeto, das prestações sociais, Rui Rio voltou a repetir - num discurso que se aproxima do do Chega - que é preciso uma "moralização" que impeça alguém que recebe uma prestação de se manter nessa prestação recusando empregos. Mas, seja como for, essa reforma "nunca dará milhões" à Segurança Social - é a tal "moralização" e não tanto um caminho de reequilíbrio financeiro.

Mantendo-se o debate quase sempre dentro da agenda do Chega - a política de alianças, a "subsidiodependência" - teria de inevitavelmente chegar à proposta de Ventura que recupera a prisão perpétua. Aqui Rio pareceu flexível, reconhecendo que há vários regimes na Europa e que aliás até são poucos aqueles, como Portugal, onde é absolutamente proibida. Assim, ficou a frase: "Se estamos a falar na prisão perpétua ponto final paragrafo, isso nós somos contra". Só não se percebeu o que pensa se não for a "prisão perpétua ponto final parágrafo" - nem sequer o que quis dizer com isso.

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