Rangel recusa "tabuleiro de xadrez" na política e só fala em vitória do PSD

Eurodeputado formalizou esta segunda-feira a sua candidatura à liderança ao PSD, com a entrega de 2.600 assinaturas. E quer apresentar programa eleitoral dentro de um mês.

O candidato à liderança do PSD Paulo Rangel recusou esta segunda-feira uma visão da política como "um tabuleiro de xadrez", e só respondeu a cenários de vitória dos sociais-democratas nas próximas legislativas.

Na apresentação da sua moção de estratégia, o eurodeputado foi, por várias vezes, questionado se admite viabilizar um Governo minoritário do PS, se for esse o resultado das legislativas de 30 de janeiro, e, a uma das perguntas, respondeu com um dado estatístico.

"Já houve vários casos ao longo da história constitucional portuguesa desde 1976 em que o PSD viabilizou governos minoritários do PS ou orçamentos, nunca sucedeu o contrário até hoje", salientou.

Ainda assim, Rangel nunca recusou nem admitiu essa possibilidade, mas rejeitou que lhe possa ser apontada qualquer ambiguidade, dizendo que vai trabalhar "num cenário, numa visão, num rumo" que passa por uma "maioria estável do PSD", "de preferência absoluta".

"A política, para quem realmente a leva a sério, não é um tabuleiro de xadrez, onde andamos a fazer cálculos matemáticos para saber quem fica no Governo, temos de fazer uma proposta clara", afirmou.

Ainda assim, ao contrário do seu opositor interno Rui Rio, cuja moção diz querer construir "uma nova maioria sem linhas vermelhas", Rangel traça as suas em relação ao Chega, mas também ao PCP e BE, sem se referir ao Partido Socialista.

Candidato quer apresentar programa eleitoral dentro de um mês

Paulo Rangel disse querer apresentar o programa eleitoral às legislativas dentro de cerca de um mês, no qual pretende detalhar e concretizar "a visão" apresentada esta segunda-feira na moção de estratégia.

Paulo Rangel formalizou esta segunda-feira a sua candidatura à liderança ao PSD, com a entrega de 2.600 assinaturas - muito acima do que as 1.500 necessárias e mais do que as 1.700/1.800 apresentadas por Rui Rio -, numa iniciativa em que esteve acompanhado de apoiantes como Miguel Pinto Luz, António Leitão Amaro ou Margarida Balseiro Lopes, bem como do diretor de campanha, Pedro Esteves, e do mandatário financeiro, Gonçalo Reis.

Na mesma ocasião, foi também entregue o orçamento de campanha, que rondará os 70 mil euros, contra os 31 mil euros apresentados pela candidatura de Rui Rio, que não fez volta nacional paras as eleições internas do próximo sábado com o argumento de se concentrar na oposição ao Governo de António Costa.

Rangel apresentou, de forma detalhada, a moção "Portugal: Ambição e Esperança", que parte de "um diagnóstico muito negativo" da governação socialista, que considera ter "anestesiado e estagnado o país".

O eurodeputado apontou as demissões hoje conhecidas dos diretores de serviço do Hospital de Santa Maria e as notícias de que cerca de 20 mil alunos não têm professor como exemplos de que "o Governo socialista foi incapaz de programar o período pós-pandemia".

Entre as apostas fundamentais da sua moção, Rangel destacou a criação de uma agência especializada anticorrupção com poderes de investigação para reforçar a qualidade da democracia ou o alívio da "opressão fiscal", centrada sobretudo no IRC, mas também em "algumas soluções do IRS", que ainda não estão detalhadas no documento.

O eurodeputado salientou que, na área da justiça, a sua moção se distingue das propostas de Rui Rio por se centrar no combate à atual morosidade dos processos judiciais, em particular fiscais ou administrativos.

Na área educativa, destacou a necessidade de aproveitar os fundos europeus para apostar na formação profissional e técnico-profissional, considerando existir "uma falta de correspondência entre o mercado de trabalho e a procura de empregos" em Portugal.

Para concretizar uma das bandeiras da candidatura, o restabelecer do elevador social, apontou como fundamental uma "cobertura integral, universal e gratuita" do ensino pré-escolar dos três aos cinco anos, que diz não abranger atualmente parte das camadas mais desfavorecidas da sociedade.

Para concretizar uma maior descentralização, Rangel elegeu a cobertura universal no território da rede móvel e do 5G como um fator que pode atrair mais empresas para o interior e destacou a proposta contida na moção de ter representantes das cinco CCDR nas principais estruturas de decisão económica (como a AICEP ou o programa Compete) e de realizar, mensalmente, Conselhos de Ministros territoriais.

O coordenador da moção e do programa eleitoral, o ex-ministro Miguel Poiares Maduro - que integrou o Conselho Consultivo do Conselho Estratégico Nacional da direção de Rui Rio - apontou Paulo Rangel como "a pessoa certa" para "oferecer a esperança que os portugueses necessitam e têm direito".

Mais de 46.000 militantes do PSD vão poder votar, no próximo sábado, nas eleições diretas para escolher o presidente do partido. Além do eurodeputado Paulo Rangel, recandidata-se o atual líder, Rui Rio, que já divulgou no domingo a sua moção de estratégia, intitulada "Governar Portugal".

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