Rangel quer antecipar congresso e cria task force. Rio pede legislativas rápidas

Paulo Rangel vai constituir uma equipa para escrever um programa eleitoral já a preparar-se para a liderança do PSD. Rui ​​​​​​​Rio atacou encontro do adversário com o Presidente da República.

Paulo Rangel vai pedir a antecipação do congresso do PSD, previsto para 14 e 15 de janeiro, por causa da crise política e da provável antecipação das eleições legislativas, que deverão decorrer precisamente no primeiro mês do ano. O candidato à liderança do partido teve um conjunto de conselheiros nacionais que o apoiam a recolher as 70 assinaturas para essa convocação, soube o DN. E vai constituir uma task force para escrever um programa eleitoral, de forma a estar preparado caso vença as diretas de 4 de dezembro.

Mas fontes ligadas à direção do PSD admitem que o próprio líder do partido que também é recandidato nas diretas marcadas, convoque um Conselho Nacional antecipado para debater a crise política. Crise que já adivinhava e que o fez pedir um adiamento das eleições internas, rejeitado pelos conselheiros nacionais.

E deve ter sido precisamente essa necessidade de antecipar o congresso do PSD, para o conjugar com o tempo de marcação das legislativas pelo Presidente, que marcou o encontro entre Paulo Rangel e Marcelo Rebelo de Sousa na terça-feira. Encontro que apanhou Rui Rio de surpresa e foi interpretado pelo próprio como uma afronta.

"Obviamente acho muito estranho que o Presidente da República receba um putativo candidato à liderança de um partido. Se for verdade o que vem nos jornais, que ainda por cima o que lá foram tratar foi a data das legislativas e tendo em vista a data das diretas do PSD, significa que vamos condicionar o país às diretas do PSD", criticou.

Rio, que quer legislativas "rápidas" salientou que nem sequer os partidos foram ainda ouvidos sobre eventuais prazos para as eleições antecipadas, caso se confirme o chumbo do Orçamento do Estado hoje à tarde. "Se assim foi, peço desculpa, tenho o máximo respeito pela figura do Presidente da República, pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa, mas tenho de discordar frontalmente", disse.

Não é, disse, "minimamente aceitável num país qualquer, neste caso um país europeu, que um chefe de Estado receba e possa combinar uma coisas com um líder da oposição", disse, acrescentando rapidamente "líder da oposição interna". Rio até admitiu que Paulo Rangel "estará no papel dele a pedir o que interessa". "O Presidente da República, se quer aceder a uma coisa dessas, não está na mesma sintonia de pensamento que eu, eu ponho o interesse nacional à frente", referiu.

Marcelo desvalorizou as críticas do líder do PSD, justificando que recebe "toda a gente" e que se tratou de uma audiência de cortesia.

"Eu não tenciono formar nenhum partido. Não tenciono organizar nenhum congresso para influenciar a oposição ou a situação. Não tenciono preferir um candidato ou outro candidato na vida dos partidos. Quem os partidos escolherem para líder está bem escolhido", referiu, acrescentando que o Presidente da República "exerce as suas funções com quem está na roda política e social".

"Eu não tenciono formar nenhum partido. Não tenciono organizar nenhum congresso para influenciar a oposição ou a situação. Não tenciono preferir um candidato ou outro candidato na vida dos partidos. Quem os partidos escolherem para líder está bem escolhido"

Fontes próximas de Rio dizem, no entanto, que esta foi mais uma "facada" de Marcelo a Rio, depois de já na anterior corrida à liderança ter recebido o adversário, Luís Montenegro. "É uma ingerência partidária, ainda pior por ser interna", frisa a mesma fonte, que considera que esta atitude cai mal nas bases do partido e que favorece Rui Rio. "A militância de base está a ver a queda do governo e não quer o partido em rebuliço, como a ida ao Presidente e o frenesim para antecipar o congresso, e quer um líder com um partido organizado e preparado para eleições".

Do lado da barricada de Rangel, pelo contrário, argumenta-se que "um novo líder, capaz de unir e mobilizar o partido, fará toda a diferença". Quanto à antecipação do congresso para dezembro, dizem que "é bom para o PSD" porque será "um palco de afirmação da liderança social-democrata, que poderá já dali mostrar ao país que há uma alternativa ao PS e às suas falhadas alianças à esquerda". O líder que vier a ser eleito poderá já apresentar os cabeças-de-lista "e depois tem um ou dois meses para campanha a sério".

paulasa@dn.pt

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