Rangel quer Conselho Nacional extraordinário para antecipar congresso

O candidato à liderança do PSD está a recolher assinaturas para pedir um Conselho Nacional extraordinário do partido para antecipar o congresso previsto para 14 e 15 de janeiro.

Caso se conforme o chumbo do Orçamento do Estado para 2022, Paulo Rangel vai avançar com um pedido para um Conselho Nacional extraordinário do partido no prazo de cinco dias. A recolha de assinaturas está a ser feita por um conjunto de conselheiros nacionais pró-Rangel. Isto para tentar antecipar o congresso previsto para 14 e 15 de janeiro, sendo que as diretas se realizam dia 4 de dezembro e a reunião magna poderá ser feita quinze dias depois.

Paulo Rangel foi recebido na terça-feira pelo Presidente da República, precisamente para falar das eleições internas no PSD. E já na apresentação da sua candidatura, na semana passada, tinha sinalizado a necessidade de antecipar o congresso caso se viesse a concretizar a crise política com o chumbo do OE2022.

Quem reagiu muito mal ao encontro entre Marcelo e Rangel foi o líder do PSD. À margem do debate do Orçamento, no Parlamento, Rui Rio considerou "muito estranho" que o Presidente da República tenha recebido um candidato partidário e que, se o encontro serviu para falar de prazos eleitorais, discorda e "não é minimamente aceitável".

"Obviamente que acho muito estranho que o Presidente da República receba um putativo candidato à liderança de um partido. Se for verdade o que vem nos jornais, que ainda por cima o que lá foram tratar foi a data das legislativas e tendo em vista a data das diretas do PSD, significa que vamos condicionar o país às diretas do PSD", criticou.

Rio salientou que nem sequer os partidos foram ainda ouvidos sobre eventuais prazos para as legislativas antecipadas, caso se confirme o chumbo do Orçamento do Estado hoje à tarde.

"Se assim foi, peço desculpa, tenho o máximo respeito pela figura do Presidente da República, pelo professor Marcelo Rebelo de Sousa, mas tenho de discordar frontalmente", disse.

E acrescentou: "Não é minimamente aceitável num país qualquer, neste caso um país europeu, que um chefe de Estado receba e possa combinar uma coisas com um líder da oposição", disse, acrescentando rapidamente "líder da oposição interna".

Rio até admitiu que Paulo Rangel "estará no papel dele a pedir o que interessa".

"O Presidente da República, se quer aceder a uma coisa dessas, não está na mesma sintonia de pensamento que eu, eu ponho o interesse nacional à frente", referiu.

Rio recordou que, no último Conselho Nacional do PSD, em 14 de outubro, alertou que poderia existir uma crise política e propôs que o partido adiasse a marcação do seu calendário interno, o que foi 'chumbado', tendo sido convocadas diretas para 4 de dezembro e congresso para entre 14 e 16 de janeiro.

Com Lusa

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