Com Pedro Nuno Santos a anunciar na noite de quinta-feira a viabilização do Orçamento do Estado para 2025, com a abstenção do PS, o 42.º Congresso do PSD, que decorre neste fim de semana, viu desaparecer o “elefante na sala” que iria condicionar os trabalhos no Fórum Braga. E, sendo certo que haverá Governo para lá do Orçamento, com as Eleições Autárquicas do final do verão de 2025 e as Presidenciais do início de 2026 no horizonte, ganha relevância a renovação da equipa dirigente, empossada em 2022, quando o recém-eleito Luís Montenegro estava destinado a ser líder da Oposição ao Governo de António Costa, que levara o PS à maioria absoluta meses antes..A alteração de circunstâncias criada pela Operação Influencer, com a demissão de António Costa, a convocação de Legislativas antecipadas e a vitória da Aliança Democrática, leva a que entre os 12 membros (efetivos e inerentes) da Comissão Permanente estejam, além de Montenegro, seis ministros (os vice-presidentes António Leitão Amaro, Margarida Balseiro Lopes, Miguel Pinto Luz e Paulo Rangel, o coordenador do Conselho Estratégico Nacional, Pedro Duarte, e o coordenador do Movimento Acreditar, Pedro Reis) e o líder parlamentar Hugo Soares, igualmente secretário-geral..Após o vice-presidente Paulo Cunha ser eleito para o Parlamento Europeu, tornando-se coordenador da delegação do PSD, só estão focados em funções partidárias a vice-presidente Inês Palma Ramalho (jurista, que é filha da ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho), e o coordenador da Academia de Formação, Carlos Coelho. Pedro Alves, coordenador para as Autárquicas, voltou à Assembleia da República nesta legislatura..Sendo voz corrente no PSD que as listas para os órgãos nacionais, que têm de ser entregues até às 18.00 horas deste sábado, e votadas na manhã de domingo, procurarão retomar um maior distanciamento entre partido e Governo, esse impulso pode esbarrar na dificuldade de recrutamento e existência de alguns dirigentes com aura de insubstituíveis..O principal caso é o de Hugo Soares, um dos mais próximos de Montenegro. Apesar da provável manutenção da acumulação da liderança do grupo parlamentar com o cargo de secretário-geral não ser habitual no partido, na medida em que um secretário-geral tem funções executivas, administrativas e logísticas pesadas, entre os dirigentes sociais-democratas ouvidos pelo DN prevalece a ideia de que continuará enquanto Hugo Soares “tiver energia”. As circunstâncias da legislatura tornam mais premente a necessidade de o PSD ter à frente da bancada alguém “agressivo, repentino e experiente”. E mesmo que a opção fosse libertá-lo da Secretaria-geral, eventualmente juntando-se ao núcleo de vice-presidentes, a aproximação das Eleições Autárquicas desaconselha prescindir de quem se distingue pela “lealdade e eficácia” e tem um conhecimento do terreno imprescindível, não obstante o papel de Pedro Alves..Quanto aos ministros que têm altos cargos partidários, só estará garantida a saída do titular da pasta dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, que foi eleito presidente da distrital portuense e é visto como possível candidato à Câmara do Porto. E a lógica de equilíbrios internos dificulta mexidas nas peças, apesar de o afastamento geográfico de Paulo Cunha e de o low profile de Inês Palma Ramalho os colocarem como candidatos à substituição entre os vice-presidentes..Mais simbólica, mas nem por isso menos complicada, é a manutenção de Miguel Albuquerque na presidência do Mesa do Congresso. Apesar de o presidente do Governo Regional da Madeira estar muito pressionado pelo estatuto de arguido, para o presidente do PSD será bastante claro que o afastamento, mesmo que por troca com o homólogo açoriano José Manuel Bolieiro, seria considerado como “uma sentença” que fragilizaria ainda mais o líder do PSD-Madeira..Para o Conselho Nacional, apesar da tentativa de “federar ao máximo” levada a cabo pela direção nacional, além da lista que lhe é afeta, e que deve voltar a ser encabeçada pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, os congressistas poderão optar por pelo menos outras três listas, lideradas por Rogério Pires e pelos atuais conselheiros nacionais André Pardal e Luís Rodrigues. Ao DN, André Pardal garante que os “militantes de todo o país” da sua lista pretendem “contribuir para o partido”, negando ser oposição interna. Consigo estarão o ex-deputado Firmino Pereira, os presidente das concelhias de Aveiro e Setúbal, Simão Santana e Paulo Calado, e o ex-líder concelhio de Lisboa, Paulo Ribeiro..Ao contrário do que sucedeu no último congresso, a 25 de novembro de 2023, em Almada, não se esperava surpresas comparáveis à chegada de Cavaco Silva na sessão de encerramento. Também não deverão ir a Braga figuras como Passos Coelho, Rui Rio e Manuela Ferreira Leite, enquanto o ex-líder e provável candidato presidencial Marques Mendes irá, mas não se espera que faça qualquer intervenção.