PS reforça liderança e esquerda mantém a maioria

Costa parte como favorito para as legislativas, mas teria de encontrar parceiros no parlamento. PSD está mais fraco, mas o conjunto da direita está mais forte do que em 2019.

Se as eleições legislativas fossem hoje (e não a 30 de janeiro, como já sabemos), o PS seria o vencedor (38,5%), sem maioria absoluta, mas com 14 pontos de vantagem sobre o PSD (24,4%), segundo a sondagem da Aximage para DN, JN e TSF. A esquerda continuaria a ser maioritária no parlamento, com o BE em terceiro (8,8%), à frente do Chega (7,7%). Seguem-se Iniciativa Liberal (4,7%), CDU (4,6%), PAN (2,8%) e CDS (2%).

Confirma-se, por agora, um dos cenários que o Presidente da República antecipou, quando insistiu para que o parlamento não chumbasse o Orçamento do Estado. Haveria eleições e a possibilidade de tudo ficar mais ou menos na mesma. Recorrendo à expressão usada por vários analistas, um pântano político.

As próximas semanas serão fundamentais, no entanto, para perceber se haverá novas dinâmicas políticas. Sobretudo à direita, e em particular no PSD, que escolherá o seu líder e candidato a primeiro-ministro a 4 de dezembro.

Sem maioria absoluta

Enquanto isso não acontece, quem ganha é António Costa: o PS está quase um ponto percentual acima do resultado do último barómetro, em julho passado, e com mais dois pontos do que o resultado das legislativas de 2019 (tem agora 38,5%). Não é suficiente para a maioria "estável, reforçada e duradoura" que o primeiro-ministro pediu aquando do chumbo do Orçamento. A única vez que os socialistas conseguiram maioria absoluta, com Sócrates, em 2005, foram necessários 45% dos votos.

Garantida neste retrato está apenas uma maioria de esquerda no parlamento. Mesmo que a relação de forças não seja exatamente a mesma que saiu das últimas legislativas. O Bloco de Esquerda resiste melhor ao "abraço de urso" do PS e até cresce um ponto relativamente a julho passado, mesmo que ainda esteja a algumas décimas do resultado das últimas eleições (marca 8,8%). Os comunistas estão em pior posição: continuam atrás dos liberais e quase dois pontos abaixo de 2019 (a projeção é de 4,6%).

Tudo somado, os três partidos que formaram a geringonça valem neste momento quase 52%, o mesmo que nas últimas legislativas e mais 13 pontos d que a soma dos quatro partidos à direita. Mas há nuvens negras no horizonte: Costa tem, pela primeira vez, um saldo negativo na avaliação dos portugueses; enquanto Catarina e Jerónimo pioram substancialmente a sua imagem junto dos eleitores, no que pode ser um primeiro sinal de castigo.

Outro dos potenciais parceiros dos socialistas, o PAN, não sai bem da fotografia do momento. É o partido que mais perde relativamente ao barómetro de julho (quase dois pontos) e está a meio ponto do que conseguiu nas últimas legislativas (tem agora 2,8%). Ao contrário do ano passado, o esforço para viabilizar o Orçamento (com a abstenção) não lhe rende intenções de voto.

Direita fragmentada

Comparando com a composição atual do parlamento, as diferenças à direita, em caso de eleições, seriam substanciais. A soma daria mais quatro pontos do que há dois anos mas num cenário fragmentado, graças à capacidade de crescimento das novas forças políticas (Chega e Iniciativa Liberal). A direita clássica (PSD e CDS) ficaria enfraquecida (perde mais de cinco pontos), enquanto a direita liberal e radical conquistaria uma força razoável (ganha quase 12 pontos).

A situação mais difícil de avaliar nesta altura é a do PSD. Está com 24,4% (não é a primeira vez que desce para este patamar), ou seja, com menos três pontos do que nas últimas legislativas. Mas também está em processo de luta interna pela liderança e, portanto, numa situação de indefinição. Com uma nova liderança (Rangel) ou um líder reforçado (Rio) poderá ser bastante diferente.

Chega e liberais crescem

O Chega mantém-se nos 7,7% que já tinha no início do verão. Ou seja, mais seis pontos percentuais do que o conseguido em 2019, quando elegeu o seu único deputado. A repetir-se nas urnas o resultado da sondagem, teria uma numerosa bancada parlamentar (na região de Lisboa, por exemplo, seria a terceira força política).

A Iniciativa Liberal perde quase um ponto face a julho, mas com mais três pontos e meio do que há dois anos, quando também elegeu, pela primeira vez, um deputado. Os liberais passariam a contar com um grupo parlamentar mais generoso (ficariam em terceiro na Área Metropolitana do Porto, atrás de PS e PSD).

O CDS continua em último. O resultado é fraco mas melhor do que os últimos meses, em que não passava de um ponto percentual.

rafael@jn.pt

FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com atualidade política. O trabalho de campo decorreu entre os dias 28 e 31 de outubro de 2021 e foram recolhidas 803 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal.

Foi feita uma amostragem por quotas, obtida através de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género, grupo etário e escolaridade. Para uma amostra probabilística com 803 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,017 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 3,46%).

Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.

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