PS começa bem o ano e Chega sobe a terceiro

Sondagem atribui 39,9% aos socialistas, mas já não mediu a polémica com o fecho das escolas. PSD volta a crescer, mas ainda não alcança o nível de 2019. BE e CDU em fase descendente.

Ainda não foi desta que os socialistas pagaram a fatura da crise associada à pandemia. Ao contrário, o PS começou o ano com o seu melhor resultado (39,9%) em cinco meses, de acordo com a mais recente sondagem da Aximage para o DN, o JN e a TSF. À esquerda, e a reboque das presidenciais, o momento é de perda para o BE (7,2%) e a CDU (5%). À direita, o PSD recupera (26,6%) e percebe-se que André Ventura vale mais do que o Chega (7,5%), ainda que o partido da direita radical aproveite a fragilidade bloquista e esteja agora no terceiro lugar. Os liberais empatam com um PAN em queda (3,5%). O CDS continua em agonia (0,8%).

Se uma sondagem é o retrato do momento, é importante referir que este já tem um pouco mais de uma semana. Em tempos normais, não seria um problema. Sucede que vivemos tempos de mudanças bruscas e, assim, já não foi possível medir os efeitos políticos do pico vertiginoso da terceira vaga da pandemia e, sobretudo, a pressão sobre o governo, que levaria ao encerramento das escolas. Sabemos, no entanto, que o PS foi castigado em outubro, quando a segunda vaga progredia sem medidas restritivas, e que foi premiado em novembro, quando endureceu o combate à pandemia, limitando a mobilidade dos cidadãos.

Desequilíbrio à esquerda

Se o castigo (ou o prémio) também chegará desta vez, os próximos barómetros dirão. Certo para já é que o PS chegou quase aos 40 pontos percentuais, mais dois do que a soma de toda a direita, que até continua a crescer. Os socialistas estão mais de três pontos acima do que conseguiram nas últimas legislativas, à custa dos parceiros à esquerda. A defunta geringonça ainda valeria mais de 52 pontos, mas o desequilíbrio a favor do PS é cada vez mais evidente: o mapa de transferência de votos mostra que um quarto dos eleitores bloquistas e comunistas de 2019 escolheria agora o PS.

CDU e BE começam o ano, à custa dessa sangria em direção aos socialistas, em linha com os pobres resultados dos seus candidatos presidenciais no domingo passado. Os bloquistas estão num patamar superior aos comunistas, é certo, mas sofrem um abalo extra: são ultrapassados pela direita radical pela primeira vez nestes barómetros e descem para o quarto lugar.

Se há mudanças à esquerda, é no entanto à direita que se pode falar em reconfiguração. O PSD até está em crescimento, mas fica ainda a um ponto do que conseguiu nas legislativas de 2019 e, pior do que isso, a um pouco mais de 13 pontos percentuais do PS. Acrescente-se o eclipse do CDS e conclui-se, mais uma vez, que a direita tradicional está em perda face ao fulgor da nova direita, representada por radicais e liberais.

Uma nova direita que, apesar de dividir, acrescenta valor. Somados todos os partidos deste espectro político, valem agora um pouco mais de 38 pontos percentuais, mais quatro do que em outubro de 2019. Mas corresponde também um cenário que reverbera com uma das frases mais simbólicas da última noite presidencial: "PSD, ouve bem, não haverá governo em Portugal sem o Chega." André Ventura dixit.

Radicais à frente do bloco

A direita radical até começa o ano praticamente com a mesma percentagem com que terminou o anterior. Mas há uma alteração simbólica importante: o Chega seria agora o terceiro maior partido, se houvesse eleições para a Assembleia da República, ultrapassando os arquirrivais do Bloco. O partido vale menos, ainda assim, do que o seu líder. E a explicação é simples: um terço dos votos de Ventura são de eleitores sociais-democratas que, por ora, regressam ao partido de origem.

Também a Iniciativa Liberal começa o ano exatamente no mesmo patamar com que acabou o anterior e, curiosamente, um pouco melhor do que o seu candidato presidencial, Tiago Mayan Gonçalves. Está dois pontos acima das últimas legislativas, mas revela alguma instabilidade nos resultados, quando se analisam os diferentes segmentos da amostra e, em particular, a sua distribuição regional. Os próximos meses dirão se este já é o seu patamar.

Os liberais empatam no fundo da tabela com o PAN, que está em queda há dois meses, para voltar praticamente à casa de partida (a projeção é praticamente igual ao resultado eleitoral de outubro de 2019). A perda de fulgor coincide, por um lado, com o fim do mediatismo conseguido com as negociações para o Orçamento do Estado, e, por outro, com a ausência de exposição mediática durante as presidenciais.

FICHA TÉCNICA

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, JN e para a TSF, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade política. O trabalho de campo decorreu entre os dias 9 e 15 de janeiro 2021 e foram recolhidas 1183 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo, idade e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo, idade, escolaridade e região. À amostra de 1183 entrevistas corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 2,8%. A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direção técnica de José Almeida Ribeiro.

rafael@jn.pt

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